
A Singapore Airlines registrou prejuízo líquido de US$ 76 milhões no primeiro trimestre do exercício fiscal de 2026/27, encerrado em 30 de junho de 2026. Segundo a companhia, o resultado foi provocado principalmente pelo aumento de 78,5% nos custos com combustível, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio. Apesar disso, o grupo alcançou receita recorde de US$ 5,714 bilhões no período.
O resultado foi divulgado pelo Grupo Singapore Airlines, controlador da Singapore Airlines e da companhia aérea de baixo custo Scoot. O balanço corresponde ao primeiro trimestre do exercício fiscal de 2026/27 e mostra que a empresa manteve o plano de expansão da operação, mesmo diante da pressão sobre os custos.
- Itamaraty desaconselha viagens ao Oriente Médio após agravamento das tensões
- Europa tem combustível de aviação para menos de 30 dias e tensão no Oriente Médio amplia risco de desabastecimento
A receita total cresceu 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, um aumento de US$ 924 milhões. A receita com passageiros alcançou US$ 4,582 bilhões, alta de 18,6%, sustentada pela demanda por viagens aéreas.
No trimestre, a Singapore Airlines e Scoot transportaram um número recorde de 10,9 milhões de passageiros, crescimento de 6,3% na comparação anual. O fator médio de ocupação foi de 87,1%, redução de 0,5 ponto percentual em relação ao ano anterior, refletindo a expansão da capacidade em ritmo superior ao crescimento da demanda. Ao mesmo tempo, o rendimento por passageiro aumentou 12%.
O transporte de cargas também apresentou crescimento. A receita do segmento avançou 33,5%, para US$ 708 milhões, impulsionada pelo aumento de 28,1% nos rendimentos e pela melhora do fator de ocupação das aeronaves cargueiras, que chegou a 58,8%.
Apesar da alta das receitas, as despesas totais cresceram 27,9%, somando US$ 5,609 bilhões. O principal impacto veio do combustível de aviação, cujo custo líquido aumentou US$ 991 milhões, alcançando US$ 2,253 bilhões no trimestre.
- Tensão no Oriente Médio aumenta após Houthis acusarem Arábia Saudita de atacar aeroporto em Sanaa em 2026
- IATA revela: conflito no Oriente Médio e preços elevados de combustível reduzem em 50% a lucratividade das aéreas
De acordo com a companhia, a elevação decorre da forte alta do preço do querosene de aviação após o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro de 2026. Antes dos efeitos das operações de hedge, o gasto bruto com combustível mais que dobrou, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços internacionais.
Como consequência, o lucro operacional caiu 73,8% em relação ao primeiro trimestre do exercício anterior, passando de US$ 405 milhões para US$ 106 milhões. O prejuízo líquido também foi influenciado pelo aumento da participação da Singapore Airlines nas perdas da Air India, efeito parcialmente compensado por uma menor despesa com impostos.
Expansão da Singapore Airlines continua

Durante o trimestre, o Grupo Singapore Airlines recebeu um Airbus A320neo e três Boeing 737 MAX 8, encerrando junho com uma frota operacional de 220 aeronaves de passageiros e cargueiras. A idade média da frota é de sete anos e 11 meses, enquanto a carteira de pedidos soma outras 62 aeronaves.
A Scoot iniciou voos para Belitung e Pontianak, na Indonésia, enquanto a Singapore Airlines inaugurou ligações diárias para Hangzhou, ampliando sua presença na China. Ao final de junho, a rede de passageiros do grupo atendia 137 destinos em 36 países e territórios. A malha cargueira, por sua vez, alcançava 139 destinos.
Nos próximos meses, a companhia ampliará a oferta de voos para Londres Gatwick, Manchester, Amsterdã, Milão, Munique e Adelaide. Também estão previstos voos para Madri, via Barcelona, e o início das operações para o novo Aeroporto Internacional Western Sydney.
Em contrapartida, parte da operação continua afetada pelo conflito no Oriente Médio. A Scoot voltou a suspender os voos para Jeddah em julho, enquanto a Singapore Airlines mantém suspensas as operações para Dubai e adiou para dezembro de 2026 o lançamento da rota para Riade.
Perspectivas

A Singapore Airlines afirma que a demanda por viagens permanece aquecida e que o mercado de cargas continua resiliente, especialmente nos segmentos ligados à indústria de semicondutores e centros de dados.
A companhia, no entanto, avalia que a continuidade do conflito no Oriente Médio poderá manter elevados os preços do combustível, pressionar as cadeias globais de suprimentos e afetar o comércio internacional. Mesmo nesse cenário, o grupo afirma que continuará investindo na expansão da malha aérea, em produtos e serviços e na operação complementar entre Singapore Airlines e Scoot, mantendo a disciplina na gestão de custos.







