praça onze
Projeto prevê novas moradias, retrofits, espaços culturais e mudanças no sistema viário do Centro (Reprodução/X Twitter)

A Prefeitura do Rio divulgou, na sexta-feira (14), novas informações sobre o Praça Onze Maravilha, projeto de transformação urbana que envolve a região da Praça Onze, do Sambódromo e áreas de Santa Teresa, Catumbi, Rio Comprido e Cidade Nova. As atualizações foram apresentadas nas redes sociais do município e detalham intervenções que já estavam previstas na proposta sancionada em julho.

Entre os novos elementos destacados está a criação de um bairro integrado, conectando Santa Teresa, Catumbi, Rio Comprido, Praça Onze e Cidade Nova ao Centro Histórico e à Região Portuária. A proposta busca ampliar as conexões viárias e urbanas entre essas áreas a partir da reorganização do sistema de circulação e da retirada do Elevado 31 de Março.

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O projeto foi transformado em lei em 9 de julho, quando o prefeito Eduardo Cavaliere sancionou a Lei Complementar nº 301. A legislação criou a Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) Praça Onze Maravilha, com previsão de transformação e modernização de 458 mil metros quadrados e investimentos estimados em R$ 1,7 bilhão ao longo de 20 anos. A proposta também estabelece mecanismos para estimular a construção de moradias, a recuperação de imóveis ociosos e a implantação de equipamentos culturais.

A retirada do Elevado 31 de Março é um dos principais pontos da intervenção. Segundo a prefeitura, a estrutura dará lugar à Avenida da Democracia, ampliando o espaço destinado à circulação e abrindo novas áreas para ocupação urbana. O município relaciona a intervenção à experiência do Porto Maravilha, onde a demolição do Elevado da Perimetral integrou diferentes áreas da Zona Portuária.

Em publicação feita em 14 de agosto no X (antigo Twitter), a Prefeitura afirma: “A demolição do Elevado 31 de Março vai abrir espaço para a Avenida da Democracia e os retrofits vão dar vida nova a prédios abandonados e sem uso. Os cariocas vão ganhar novas moradias e ruas mais organizadas.”

O conceito de retrofit está entre os instrumentos previstos para a região. A estratégia consiste na reforma e na mudança de uso de imóveis que atualmente estão vazios ou subutilizados, incorporando essas estruturas ao processo de ocupação residencial e comercial do Centro. A prefeitura também prevê incentivos para projetos com tipologias familiares e fachadas ativas, com atividades comerciais e de serviços voltadas para as ruas.

Praça Onze Maravilha terá Boulevard do Samba no entorno do Sambódromo

Outra novidade apresentada pela prefeitura é a denominação Boulevard do Samba para o eixo que deverá conectar o Sambódromo aos equipamentos culturais previstos no complexo da Biblioteca dos Saberes. A proposta é utilizar o entorno da Passarela do Samba também fora do período do Carnaval. A administração municipal afirma que o espaço deverá funcionar como polo ligado ao turismo, à economia criativa e à geração de empregos ao longo do ano. “A Praça Onze Maravilha vai passar a ser um bairro integrado com Santa Teresa, Catumbi, Rio Comprido, Praça Onze e Cidade Nova”, publicou a Prefeitura do Rio em 14 de agosto.

Em outra publicação, o município acrescentou: “O entorno do Sambódromo vai ficar de cara nova e virar o Boulevard do Samba, um novo polo de turismo que vai gerar empregos e renda o ano todo, não só no Carnaval.” A proposta mantém o Sambódromo dentro do projeto de requalificação da Praça Onze Maravilha. A legislação sancionada em julho determina que a programação da Passarela do Samba não seja interrompida durante as intervenções e estabelece medidas para preservar a cadeia produtiva e cultural relacionada à Cidade do Samba Joãozinho Trinta.

O plano também prevê a aplicação de 3% da arrecadação municipal obtida na operação em ações relacionadas ao patrimônio histórico e cultural. A recuperação da Vila Operária Salvador de Sá, conjunto histórico localizado na região, foi incluída entre as intervenções previstas na legislação.

A Biblioteca dos Saberes permanece como um dos principais equipamentos previstos no Praça Onze Maravilha. O projeto da Praça Onze Maravilha é assinado pelo arquiteto Diébédo Francis Kéré e terá mais de 40 mil metros quadrados. O edifício será implantado no terreno onde atualmente funciona o Terreirão do Samba, ao lado do monumento dedicado a Zumbi dos Palmares.

Nas novas informações divulgadas pela prefeitura, o equipamento aparece integrado aos acervos e às atividades do Arquivo da Cidade, do Centro Municipal de Artes Calouste Gulbenkian e do próprio Sambódromo. A Prefeitura afirma: “Essa vai ser a Biblioteca dos Saberes. Com obra assinada pelo arquiteto premiado Francis Kéré, o local vai funcionar de forma integrada aos acervos e atividades do Arquivo da Cidade, do Centro Municipal de Artes Calouste Gulbenkian e do Sambódromo.”

O projeto arquitetônico prevê teatro, anfiteatro, cozinhas, salas de estudo, áreas expositivas, acervos relacionados à memória e ao patrimônio e espaços destinados às manifestações culturais populares. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento define a biblioteca como uma referência arquitetônica da intervenção e aponta sua integração com os equipamentos culturais existentes como parte da proposta.

A Biblioteca dos Saberes também está relacionada ao programa Rio Capital Mundial do Livro. A proposta apresentada pelo município prevê a integração de bibliotecas públicas e comunitárias e a ampliação das atividades de mediação cultural e acesso ao conhecimento.

A legislação do Praça Onze Maravilha prevê a construção de cerca de 37 mil unidades residenciais ao longo dos próximos 20 anos. O projeto também estabelece mecanismos para estimular a ocupação de imóveis existentes por meio de retrofits e para atrair novos empreendimentos.

Diferentemente do modelo utilizado no Porto Maravilha, a prefeitura informa que a operação será estruturada com a venda de imóveis públicos municipais. A previsão divulgada em julho é de que 62 terrenos sejam colocados em leilão dentro de três meses da sanção da lei.

O município também criou mecanismos de incentivo para a utilização de potencial construtivo em outras regiões da cidade, vinculando a operação à produção habitacional. A proposta inclui áreas como Zona Norte, Rio Comprido, Tijuca, Ipanema, Copacabana, Botafogo, Flamengo, Glória e Catete.

No campo da mobilidade, a lei prevê ainda um convênio para viabilizar a extensão da Linha 2 do metrô entre Estácio e Carioca, com previsão das futuras estações Catumbi e Praça Cruz Vermelha. Outro ponto estabelecido pela legislação é a prioridade para contratação de trabalhadores, profissionais e agentes culturais do próprio território, tanto durante as obras quanto na operação futura dos espaços. A prefeitura também prevê programas de qualificação profissional.