
A restrição operacional do Santos Dumont poderá reduzir em cerca de R$ 1 bilhão o resultado da Infraero até 2030, segundo avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU). O impacto foi apontado durante análise da situação financeira da estatal, que tem no aeroporto do Rio de Janeiro uma de suas principais fontes de receita.
O alerta foi apresentado pelo ministro Benjamin Zymler, relator do processo de acompanhamento orçamentário da Infraero. Segundo ele, a manutenção das atuais limitações de operação no terminal pode comprometer a sustentabilidade financeira da empresa ao longo dos próximos anos.
Atualmente, a Infraero administra o Santos Dumont, enquanto a movimentação de voos da cidade também envolve o Aeroporto Internacional do Galeão. A transferência de parte da demanda para o Galeão contribui para ampliar o movimento no terminal internacional, mas, de acordo com a análise do TCU, reduz as receitas geradas pelo aeroporto administrado pela estatal.
Santos Dumont concentra receitas da Infraero
De acordo com o TCU, a Infraero tem atualmente sua sustentação financeira fortemente relacionada às receitas obtidas com o Santos Dumont. Projeções técnicas da Corte apontam redução de aproximadamente R$ 983 milhões no resultado operacional da estatal entre 2026 e 2030 caso as restrições sejam mantidas.
Apesar do impacto projetado, o tribunal ressalvou que não há risco imediato de a Infraero precisar de recursos públicos para manter suas atividades. A estatal encerrou 2025 com R$ 1,58 bilhão em caixa, embora parte desse montante seja formada por receitas extraordinárias.
O TCU também deixou claro que a análise não representa uma definição sobre qual deveria ser a divisão ideal de passageiros entre Santos Dumont e Galeão. A Corte afirmou que a avaliação se limita aos efeitos financeiros das restrições sobre a Infraero.
Ao final da análise, o tribunal decidiu comunicar o Ministério de Portos e Aeroportos e a Secretaria do Tesouro Nacional sobre os possíveis efeitos financeiros da manutenção das limitações no Santos Dumont. Também recomendou que a administração de aeroportos pela Infraero fora do Plano Aeroviário Nacional seja atribuída somente mediante justificativa técnica que demonstre o atendimento ao interesse público.
A discussão ocorre em um cenário no qual o Santos Dumont e o Galeão vêm sendo utilizados de forma complementar na distribuição da demanda aérea do Rio de Janeiro. Para o TCU, o aumento da movimentação no Galeão decorrente da restrição do Santos Dumont pode ter efeito positivo sobre o aeroporto internacional, mas representa, ao mesmo tempo, uma redução da geração de receitas para a Infraero.







