
A CVC Brasil (CVCB3) teve sua nota de crédito de longo prazo mantida pela Fitch Ratings em BBB(bra). Ao mesmo tempo, a agência mudou a perspectiva da classificação de positiva para estável. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (15).
Na prática, a Fitch continua reconhecendo a posição da CVC no mercado, mas vê menos espaço, neste momento, para uma melhora da avaliação. Entre os fatores estão a demanda doméstica mais fraca e a dificuldade de fortalecer o fluxo de caixa livre.
A Fitch projeta fluxo de caixa livre negativo de R$ 71 milhões em 2026, abaixo da previsão anterior. Segundo a agência, o resultado é influenciado pelo maior consumo de capital de giro e pelo enfraquecimento da demanda.
“O desempenho abaixo das expectativas pressionará fortemente o rating da empresa”, afirmam os analistas.
A agência, porém, também considera o refinanciamento de dívidas de curto prazo, com redução do custo financeiro, e espera uma recuperação gradual dos negócios a partir do segundo semestre de 2026.
Turismo enfrenta cenário difícil
Para a Fitch, o setor de turismo passa por um período de maior pressão em 2026. O ambiente inclui consumo mais fraco, juros elevados e endividamento das famílias, além dos efeitos indiretos do cenário geopolítico sobre os preços das viagens.
A oscilação do preço do querosene de aviação (QAV) também pode afetar as tarifas aéreas e, consequentemente, a procura por viagens de lazer.
Os efeitos diretos do conflito no Oriente Médio, como cancelamentos e interrupções de rotas, vêm se normalizando, segundo a análise. Já os impactos indiretos ainda dependem da evolução do cenário.
CVC mantém pontos fortes
Apesar das dificuldades, a Fitch destaca o posicionamento e a escala da CVC no mercado de agências de viagens. A análise também considera a expectativa de manutenção de margens saudáveis e de níveis de endividamento compatíveis com a classificação.
O mercado, porém, é marcado por forte concorrência com as chamadas OTAs, plataformas digitais de venda de viagens, além de demanda sujeita a oscilações.
Para 2027, a Fitch projeta uma retomada do fluxo de caixa livre positivo, estimado em R$ 15 milhões, apoiada pela estabilização do capital de giro e pela reestruturação de despesas.
Com informações da MoneyTimes







