brasil
O fluxo de visitantes ocorre em um cenário de ampliação da promoção dos destinos brasileiros no exterior (Embratur – Sebrae/ Divulgação)

O Brasil recebeu 6.451.257 turistas internacionais entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados da Embratur, do Ministério do Turismo e da Polícia Federal. Somente em agosto, foram 576.276 chegadas, número ligeiramente superior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando 576.049 estrangeiros entraram no país. O resultado mantém o fluxo internacional em patamar elevado e mostra a força de mercados tradicionais, ao mesmo tempo em que países como a China ampliam sua participação entre os visitantes.

O número acumulado nos oito primeiros meses do ano reúne chegadas de diferentes regiões e mostra uma concentração importante nos principais destinos turísticos e centros de entrada do país. São Paulo aparece na liderança entre os estados, seguido pelo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

A Argentina continua sendo, com ampla diferença, o principal mercado emissor para o Brasil. De janeiro a agosto, foram 2.244.297 turistas argentinos. O Chile aparece em segundo lugar, com 547.601 visitantes, enquanto os Estados Unidos ocupam a terceira posição, com 514.128 chegadas.

Os dados também mostram uma mudança relevante na composição do turismo internacional que chega ao Brasil. O mercado chinês registrou crescimento expressivo e já ultrapassou, em apenas oito meses, o número de visitantes enviados ao país durante todo o ano passado.

China cresce e supera total de visitantes de 2025

Entre janeiro e agosto de 2026, 113.228 turistas chineses estiveram no Brasil. O número representa um crescimento de 73,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 65.319 chegadas. O dado chama atenção porque o volume registrado até agosto já é maior que o total de visitantes chineses contabilizado durante todo o ano de 2025. Naquele ano, o Brasil recebeu 103.122 turistas provenientes da China.

O avanço ocorre em um momento de aproximação entre os dois países no setor de turismo. Em 2026, Brasil e China realizam o Ano Cultural Brasil-China, iniciativa que inclui ações voltadas à divulgação de destinos e experiências brasileiras entre o público chinês.

No início de setembro, a Embratur promoveu em Pequim o Festival Brasil – Turismo, Arte e Cultura. A programação reuniu atividades de apresentação de destinos brasileiros, capacitação e relacionamento com operadores chineses.

O mercado asiático também representa uma frente de expansão para o turismo brasileiro, principalmente diante da distância geográfica e da necessidade de ampliar a oferta e a divulgação de produtos voltados ao visitante de longa distância.

O crescimento chinês, portanto, aparece nos números antes mesmo do encerramento do ano. Com quatro meses ainda pela frente, o país já registra mais chegadas de turistas chineses do que em todo o calendário de 2025.

Argentina continua na liderança entre os mercados emissores

Apesar do avanço de mercados de longa distância, a América do Sul permanece como a principal origem dos turistas internacionais que visitam o Brasil.

A Argentina lidera com folga. Foram mais de 2,2 milhões de chegadas argentinas entre janeiro e agosto. O volume representa uma parcela significativa do total registrado pelo país no período e reforça a importância dos vizinhos sul-americanos para a movimentação turística brasileira.

O Chile aparece na sequência, com 547.601 visitantes, enquanto os Estados Unidos registraram 514.128 chegadas.

A presença de argentinos, chilenos e norte-americanos também acompanha características diferentes de viagem. Enquanto os mercados sul-americanos têm maior facilidade de acesso terrestre e aéreo, os Estados Unidos representam um dos principais mercados de longa distância para o Brasil.

O desempenho desses três países ajuda a explicar a distribuição do fluxo internacional entre destinos brasileiros. Estados do Sul recebem uma parcela importante dos visitantes dos países vizinhos, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro funcionam como grandes portas de entrada para diferentes perfis de viajantes.

São Paulo concentra maior número de turistas estrangeiros

Entre os destinos que mais receberam turistas internacionais nos primeiros oito meses de 2026, São Paulo aparece na primeira posição, com 1.888.032 visitantes.

O estado é seguido pelo Rio de Janeiro, que recebeu 1.666.079 turistas internacionais no período. Rio Grande do Sul aparece em terceiro, com 954.384 chegadas.

Na sequência estão Paraná, com 664.619 visitantes, e Santa Catarina, que contabilizou 555.599 turistas internacionais.

A concentração nesses cinco estados revela a importância das principais portas de entrada aéreas e terrestres do país. São Paulo e Rio de Janeiro reúnem aeroportos com ampla conectividade internacional e também concentram parte relevante da oferta turística brasileira.

No Sul, a proximidade com Argentina, Chile, Uruguai e outros mercados da região influencia diretamente os números. O Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina também possuem acesso terrestre utilizado por turistas sul-americanos, além da conexão aérea com diferentes cidades do continente.

Agosto mantém o turismo internacional em nível elevado

O resultado de agosto acrescenta mais um mês de forte movimentação ao calendário de 2026. Foram 576.276 turistas internacionais, apenas 227 visitantes a mais do que o registrado em agosto de 2025. Embora a diferença percentual seja pequena, o mês mantém um patamar que já havia sido considerado recorde no ano anterior. Em agosto de 2025, foram 576.049 chegadas.

O desempenho ocorre em um cenário de ampliação das ações de promoção internacional do Brasil e de iniciativas voltadas à aproximação com operadores e agentes de viagens de diferentes mercados. Segundo o presidente da Embratur, Bruno Reis, o aumento da chegada de estrangeiros tem impacto direto na economia ligada ao turismo.

“O crescimento na entrada de turistas internacionais no Brasil nos posiciona como um polo atrativo para novos investimentos no setor de serviços”, afirmou.

Reis também relacionou o resultado ao trabalho realizado pelo setor turístico e à diversidade da oferta brasileira. Para ele, a chegada de visitantes estrangeiros amplia a circulação de recursos em diferentes regiões.

“Essa entrada de divisas expande a base de negócios local, impulsiona a cadeia produtiva regional e valida a estratégia de promoção internacional executada em alinhamento com governos e a iniciativa privada”, disse.

Turismo brasileiro amplia mercados além da América do Sul

Os números dos primeiros oito meses de 2026 mostram que os países sul-americanos continuam tendo papel central na chegada de estrangeiros ao Brasil, mas também apontam para o crescimento de mercados mais distantes.

O caso chinês é o mais expressivo entre os dados divulgados. O aumento de 73,3% em relação ao mesmo período de 2025 levou o país asiático a superar, ainda em agosto, o total de visitantes registrado durante todo o ano anterior.

A movimentação ocorre paralelamente a ações específicas de promoção do Brasil na China, em um ano marcado pelo intercâmbio cultural entre os dois países.

Para o turismo brasileiro, o desempenho desses mercados representa também uma diversificação das origens dos visitantes. O fluxo não está concentrado apenas nos países com maior proximidade geográfica, mas inclui mercados da América do Norte, Europa e Ásia.