
Quando se fala em Patagônia argentina, Bariloche, El Calafate e Ushuaia costumam aparecer entre os primeiros destinos lembrados pelos viajantes. Mais ao norte, porém, a província de Neuquén guarda uma paisagem bem diferente daquela associada à estepe patagônica. Em Villa Pehuenia, lagos de águas transparentes dividem espaço com florestas de araucárias milenares, montanhas e vulcões, em uma pequena cidade que mantém uma relação próxima com a cultura mapuche e ainda recebe poucos brasileiros.
Localizada a cerca de 310 quilômetros de Neuquén Capital, Villa Pehuenia tem pouco mais de 2 mil habitantes e fica próxima à fronteira com o Chile. O tamanho reduzido ajuda a explicar parte da atmosfera do destino, marcado por ruas tranquilas, hospedagens de menor escala e uma paisagem em que a natureza ocupa um espaço maior do que a área urbana.
O nome da cidade está diretamente ligado às araucárias, conhecidas como pehuenes na língua mapuche. Algumas dessas árvores podem ultrapassar mil anos de idade e estão entre os principais símbolos da região. Os pinhões produzidos por elas também fazem parte da alimentação tradicional das comunidades mapuches locais.
A presença indígena não aparece apenas na paisagem ou na gastronomia. Ela também está inserida nas experiências oferecidas aos visitantes. Um dos principais exemplos fica no Batea Mahuida, parque de neve administrado pela comunidade mapuche Puel.
Neve com identidade mapuche
Durante o inverno, a neve transforma completamente a paisagem de Villa Pehuenia. O lago Aluminé e as montanhas ao redor ganham uma cobertura branca, enquanto o Batea Mahuida passa a receber visitantes interessados em esportes e atividades na neve.
O complexo tem pistas voltadas principalmente a iniciantes e famílias e oferece uma experiência diferente dos grandes centros de esqui da Argentina. A operação está ligada diretamente à comunidade mapuche Puel, o que acrescenta uma dimensão cultural à visita. A localização também favorece a contemplação. Em dias de boa visibilidade, os pontos mais altos permitem observar lagos, montanhas e vulcões da cordilheira dos Andes.
A temporada de neve costuma se concentrar entre junho e setembro, período em que Villa Pehuenia muda de perfil e passa a atrair viajantes em busca de atividades de inverno.
Um destino de lagos no verão
Quem chega à região entre dezembro e março encontra uma Villa Pehuenia completamente diferente. Com temperaturas mais amenas e dias mais longos, o lago Aluminé se torna um dos principais pontos para atividades ao ar livre.
Caiaque, stand-up paddle, navegação e caminhadas entram no roteiro. As trilhas também levam a áreas mais afastadas da pequena área urbana e revelam diferentes ângulos da cordilheira.
A presença do lago é uma das características que mais diferenciam Villa Pehuenia de outras paisagens conhecidas da Patagônia. Em vez dos grandes campos áridos que aparecem em boa parte dos roteiros tradicionais, a região apresenta uma combinação de água, floresta e montanhas.
Essa paisagem também faz com que o destino seja procurado por quem prefere viagens com ritmo mais lento e contato direto com a natureza.
Pinhão também chega à mesa
A identidade local aparece ainda na gastronomia. O pinhão, ingrediente associado às araucárias e à cultura mapuche, é utilizado em diferentes preparações da região.
Truta, cordeiro, frutas vermelhas e outros ingredientes encontrados na Patagônia também aparecem nos restaurantes e casas de chá. A culinária combina referências indígenas com influências trazidas pela imigração europeia, criando uma gastronomia regional própria.
Para o visitante, comer em Villa Pehuenia acaba sendo parte da experiência de conhecer o território e entender a relação entre alimentação, natureza e cultura local.
Patagônia longe das multidões
Villa Pehuenia ainda está distante do fluxo turístico encontrado em Bariloche. A infraestrutura de hospedagem e serviços vem crescendo, mas a cidade preserva uma escala pequena, característica que faz parte da experiência de quem visita o destino.
A proposta é menos voltada para grandes atrações e mais para atividades ao ar livre, paisagens e experiências ligadas ao território. Por isso, o destino pode funcionar tanto como uma viagem específica quanto como uma extensão de um roteiro pela província de Neuquén.
O acesso também exige planejamento. Para quem parte do Brasil, uma das possibilidades é chegar a Buenos Aires e seguir de avião até Neuquén Capital. A partir dali, o trajeto até Villa Pehuenia é feito por estrada e pode levar cerca de cinco horas, dependendo das condições do percurso. Alugar um carro é uma alternativa para explorar a região com mais liberdade e combinar Villa Pehuenia com outros pontos turísticos de Neuquén.







