Galé
Rede portuguesa, que já opera 13 unidades no país, prepara oito novos empreendimentos e avalia oportunidades em destinos como o Delta do Parnaíba (Yuri Ricci/M&E)

LISBOA – O Vila Galé vai ampliar de 13 para 21 o número de hotéis em operação no Brasil entre 2026 e 2028. O avanço, no entanto, não representa um ponto de chegada para a rede portuguesa. A companhia afirma que não trabalha com uma meta fechada de unidades e continuará avaliando oportunidades em diferentes regiões e segmentos turísticos do país.

A estratégia foi apresentada por Gonçalo Rebelo de Almeida durante almoço promovido pelas lideranças do Vila Galé em Lisboa, no Vila Galé Collection Palácio dos Arcos. Segundo ele, o grupo já considera ter alcançado uma dimensão adequada no mercado brasileiro, mas a escala atual não reduz o interesse por novos investimentos.

“Nós já temos o tamanho, neste momento já é ideal. Já é um grupo com bastante dimensão, somos a maior rede de resorts no Brasil”, afirmou.

A lógica para os próximos movimentos está menos relacionada à quantidade de hotéis e mais à identificação de destinos com potencial para diferentes produtos turísticos. O Brasil, na avaliação do executivo, oferece espaço para essa diversificação por sua dimensão territorial e pela variedade de experiências disponíveis.

“O Brasil é um país com uma dimensão muito grande e que tem vários produtos turísticos, não só o sol e praia pelo qual é mais conhecido, mas tem a parte cultural, tem a parte de turismo da natureza”, explicou.

É nesse cenário que entram os oito empreendimentos previstos para os próximos anos. Com eles, a rede chegará rapidamente a 21 unidades, enquanto mantém aberta a possibilidade de novos projetos. “Continuamos a avaliar mais oportunidades. Portanto, garantidamente vamos continuar a crescer no Brasil, porque achamos que há espaço e há oportunidades para crescer”, destacou.

Expansão depende também da conectividade

À medida que amplia sua presença para diferentes regiões, o Vila Galé passa a depender não apenas da demanda turística de cada destino, mas também das condições de acesso. A conectividade aérea aparece, nesse sentido, como um dos fatores considerados pelo grupo para sustentar a expansão.

A avaliação envolve tanto os voos internacionais quanto a malha doméstica. Para Gonçalo, o Brasil precisa ampliar suas conexões com a Europa, os Estados Unidos e outros mercados da América Latina, mas também melhorar a ligação entre os próprios estados e os principais centros emissores nacionais.

Um dos exemplos citados foi o Piauí, onde o grupo analisa uma possível entrada na região do Delta do Parnaíba. Para que um empreendimento desse perfil tenha escala, porém, seria necessário contar com melhores conexões aéreas a partir de mercados como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Minas Gerais.

A conectividade, portanto, passa a fazer parte da própria equação de expansão da rede. Não basta identificar um destino com potencial turístico. É preciso também avaliar a capacidade de levar o público até ele.

Belém e a pressão da COP30

A experiência recente em Belém mostra como uma demanda extraordinária pode acelerar a implantação de um empreendimento hoteleiro. Com a cidade se preparando para receber a COP30, a necessidade de ampliar a oferta de hospedagem criou um cenário de forte pressão sobre o mercado local.

Foi nesse contexto que o Vila Galé colocou seu hotel em Belém em operação em um prazo de 14 meses. Desse período, dez meses foram destinados à execução da obra e outros quatro meses ao processo de licenciamento. “Fizemos o hotel em dez meses. Mas quatro meses de licenciamento”, afirmou Gonçalo.

O caso de Belém se insere em um momento específico do mercado, marcado pela necessidade de preparar a cidade para receber um volume elevado de visitantes durante a conferência. Mais do que um indicador de velocidade de construção, o empreendimento representa uma resposta da hotelaria à demanda gerada por um grande evento internacional.

A experiência também reforça a importância de identificar oportunidades associadas a movimentos de demanda capazes de transformar rapidamente determinados mercados.

Mercado brasileiro mantém resultado positivo, mas com oscilações

Vila Galé chega a 21 hotéis no Brasil até 2028 e mantém expansão sem número limite
Grupo avalia cenário de forma positiva, apesar das diferenças de desempenho entre regiões (Yuri Ricci/M&E)

A expansão ocorre em um cenário no qual o grupo avalia positivamente o desempenho da hotelaria brasileira, embora reconheça diferenças entre regiões e períodos. Gonçalo considera que 2025 foi um ano bastante positivo, enquanto 2026 apresenta algumas quedas em determinados mercados.

“Vai havendo sempre ali uma dinâmica que não há um crescimento estável ao longo do ano, mas ainda assim o resultado é positivo”, afirmou.

Dentro da operação do Vila Galé, os resorts all inclusive apresentam os melhores níveis de rentabilidade, segundo o executivo. O desempenho está relacionado também à maior dimensão e capacidade que o grupo possui nesse segmento, enquanto os hotéis urbanos apresentam rentabilidade menor.

“A rentabilidade é melhor nos hotéis de resort all inclusive, onde nós também temos mais dimensão e mais capacidade, e menor nos hotéis de cidade”, disse.

Ainda assim, a avaliação é de que a rentabilidade permanece dentro dos parâmetros esperados e possui margem para avançar.

Custos seguem entre os desafios da operação

O cenário positivo não elimina os desafios enfrentados pela hotelaria no país. A inflação e o aumento dos custos operacionais aparecem entre os principais pontos de atenção do Vila Galé, com impacto sobre energia, manutenção e aquisição de equipamentos.

Parte dos componentes utilizados pela operação não é produzida no Brasil e precisa ser importada, enquanto determinadas mercadorias também apresentam custos elevados no mercado nacional. Esses fatores pressionam a operação e precisam ser considerados na formação dos preços.

“Há alguns desafios operacionais com custos energéticos elevados, custos de manutenção, alguns custos de peças e de equipamentos que o Brasil não produz e que têm que ser importados”, afirmou Gonçalo.

Com oito novos hotéis previstos até 2028, o Vila Galé chegará a 21 unidades no Brasil. Ainda assim, segundo Gonçalo, o grupo não trabalha com um número definido de empreendimentos e segue analisando novas oportunidades no país.

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