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Moeda europeia supera R$ 6 após eleição, dólar sobe e Bolsa aciona circuit breaker nesta segunda-feira (Reprodução/Flickr/ImagesMoney)

O euro registrou forte alta na manhã desta segunda-feira (26) e ultrapassou a marca de R$ 6 durante a reação do mercado financeiro ao resultado das eleições presidenciais. Às 12h25, a moeda europeia avançava 8,4%, cotada a R$ 6,05. O movimento ocorreu paralelamente à desvalorização do real e à queda dos ativos negociados na Bolsa brasileira. A eleição presidencial terminou no domingo (25) com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito para um novo mandato.

Com 100% das seções totalizadas, o presidente recebeu 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64.256.232 votos. Flávio Bolsonaro (PL) obteve 48,21%, com 59.826.041 votos. Ao todo, 128.236.074 eleitores compareceram às urnas no segundo turno, de acordo com os dados oficiais da apuração. A diferença entre os dois candidatos foi de 4.430.191 votos. O resultado também representou uma mudança em relação ao primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula na disputa presidencial.

A reação dos mercados ocorre depois de um período em que ativos brasileiros vinham sendo negociados sob expectativas relacionadas ao resultado eleitoral. Com a confirmação da vitória de Lula, investidores passaram a rever posições construídas antes da votação, aumentando a pressão sobre o câmbio, as ações e os juros futuros.

Dólar sobe e Bolsa interrompe negociações

O dólar também registrou forte valorização nesta segunda-feira. Às 12h20, a moeda norte-americana avançava 9%, negociada a R$ 5,42. No mercado acionário, a pressão vendedora levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo utilizado para interromper temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior.

Segundo informações divulgadas pela B3, a primeira interrupção ocorreu após o Ibovespa atingir uma queda de 10%. A paralisação das negociações no mercado à vista teve duração prevista de 30 minutos. O mecanismo também alcança ações, BDRs, ETFs, opções referenciadas nesses ativos e títulos de renda fixa privada. Depois da reabertura, caso o Ibovespa atinja queda de 15%, uma nova interrupção pode durar uma hora. Se o índice chegar a uma baixa de 20%, a Bolsa pode suspender as negociações por período determinado e comunicar posteriormente ao mercado.

O movimento desta segunda-feira ocorre em um cenário de revisão das expectativas dos investidores em relação à política econômica do próximo mandato. A preocupação central está relacionada à condução das contas públicas e ao compromisso do governo com o equilíbrio fiscal.

Mercado revisa expectativas para próximo mandato

A reação desta segunda-feira acontece depois de semanas de valorização de ativos brasileiros, período em que parte dos investidores apostava na vitória de Flávio Bolsonaro. Com a definição do resultado, posições associadas a esse cenário passaram a ser desfeitas, contribuindo para o aumento da pressão de venda. Além do câmbio e da Bolsa, os juros futuros também passaram a refletir a mudança nas expectativas.

A intensidade da volatilidade nos próximos pregões dependerá das sinalizações do governo sobre a política econômica e da percepção dos investidores sobre as contas públicas. Entre os fatores que podem influenciar a leitura do mercado estão a composição da equipe econômica e eventuais medidas para controlar as despesas públicas. A definição desses pontos deverá contribuir para determinar como investidores irão precificar risco, juros e câmbio durante o período de transição para o novo mandato.

Dados divulgados nesta segunda-feira mostram que ativos brasileiros negociados no exterior apresentaram quedas, enquanto contratos de dólar futuro registraram forte valorização. O movimento reforça a dimensão internacional da resposta dos investidores ao resultado eleitoral. O cenário também ocorre em uma eleição marcada por uma diferença de 3,58 pontos percentuais entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, o resultado representa uma das disputas presidenciais mais apertadas desde a redemocratização.

Para o setor de turismo, a oscilação do câmbio também merece atenção, já que alterações nas cotações do euro e do dólar podem afetar diretamente os custos de viagens internacionais, passagens aéreas, hospedagem e demais serviços contratados em moeda estrangeira. A evolução do câmbio nos próximos dias poderá influenciar preços e decisões de consumo relacionadas às viagens ao exterior.

*Com informações de Veja.