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Ricardo Bezerra e Beatriz Barbi, da Azul (Ana Azevedo/M&E)

SÃO PAULO — Diante de um panorama marcado pela volatilidade cambial e pelo encarecimento do combustível de aviação, a Azul Linhas Aéreas reforçou que sua expansão operacional não será pautada pelo mero aumento de capacidade, mas por um planejamento cirúrgico orientado pela demanda real. A diretriz foi detalhada durante o encontro Azul Onboard, realizado em São Paulo para mais de 100 parceiros do setor.

“A gente quer inovar. E inovar não necessariamente significa expandir e crescer sem sentido, mas como que a gente entende e aproveita o interesse do cliente, considerando a capacidade que nos permite estar presente e fazê-lo saber que chegamos lá pelo seu interesse”, afirmou Beatriz Barbi, gerente sênior de Planejamento de Malha da Azul.

A postura ganha forma prática no planejamento para o próximo período de alta temporada, quando a companhia colocará em operação 2.500 voos adicionais e cerca de 370 mil novos assentos. A estratégia prioriza a ligação direta entre polos emissores e destinos turísticos consolidados ou em expansão, incluindo rotas inéditas como Recife–Florianópolis e Recife–Foz do Iguaçu, além de reforço na malha de ecoturismo no Norte e Centro-Oeste.

Estratégia e demanda na Azul 

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Beatriz Barbi, gerente sênior de Planejamento de Malha da Azul (Ana Azevedo/M&E)

A calibragem das rotas, segundo a executiva, depende diretamente do alinhamento entre o que a equipe comercial capta no mercado e o que o planejamento executa tecnicamente. Esse intercâmbio ocorre formalmente nas reuniões semanais do Comitê do Cliente, nas quais indicadores de satisfação (NPS), dores operacionais e tendências de tráfego são cruzados.

“No final das contas, nada funciona sem integração entre áreas, e a estratégia não pode estar desconectada da realidade.  “O que a gente está vendo é um movimento de transformação: estar próximo, ter a escuta do mercado e a escuta interna, entender o que a operação sente de dor e o que o cliente sente de dor. A gente voa aquilo que faz sentido para a estratégia e aquilo que as pessoas querem voar”, pontuou Barbi.

A executiva destacou ainda a estrutura de frota mista da Azul, que combina jatos de grande porte a turboélices e aeronaves de menor porte da Azul Conecta, como a principal vantagem competitiva para mitigar impactos econômicos externos. “Temos uma vantagem que ninguém tem, que é ser multifrota. Num momento de pressão, podemos usar uma aeronave maior para um mercado que teve queda de demanda ou fazer uma alocação de sazonalidade aproveitando a flexibilidade do lazer. A nossa malha é consistente e muito diversa”.

Inteligência comercial e valor

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Ricardo Bezerra, gerente-geral de Inteligência Comercial da Azul (Ana Azevedo/M&E)

O trabalho conjunto com a ponta também orienta as decisões de inteligência de vendas. Para Ricardo Bezerra, gerente-geral de Inteligência Comercial da Azul, nenhuma rota é desenhada de forma isolada. “A gente escuta o mercado e não coloca uma rota por colocar; a gente coloca uma rota porque a gente analisa muito. Essa parceria interna faz, inclusive, a gente conseguir atender bem o mercado”.

Bezerra ressaltou que a rentabilidade e a fidelização do passageiro corporativo e de lazer decorrem de atributos de serviço que vão além do transporte ponto a ponto. Ele citou investimentos contínuos na diferenciação a bordo, como o Espaço Azul e serviços dedicados à ponte aérea, além do engajamento em programas de fidelidade corporativa.

“Não é só o serviço em si, mas como se atende, como a gente encanta o cliente. Desde o pessoal de solo até a comissária, o atendimento é pessoal e no mesmo nível do passageiro. Esse trabalho interno conjunto entre comercial, malha e operação é o que sustenta as premiações que recebemos recentemente e assegura que a entrega final faça sentido tanto para a empresa quanto para o cliente”, finaliza.