
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva abre um novo período de expectativas para o turismo brasileiro. Entre os temas que devem orientar a agenda do setor estão a continuidade da promoção internacional do país, a gestão baseada em resultados e a integração das políticas de turismo com as áreas ambiental e social. Para Marianne Costa, fundadora do Grupo Vivejar e ativista do Turismo Responsável, o próximo governo deve ampliar o diálogo com o setor e fortalecer a participação dos estados e da sociedade civil nas decisões.
“Como mulher, empresária e ativista no Turismo Responsável, tenho grandes expectativas que os resultados positivos da promoção do Brasil no exterior sejam mantidos e ampliados. O Brasil está na moda e precisamos aproveitar isso ao máximo”, afirma.
Em 2025, o Brasil recebeu cerca de 9,3 milhões de turistas internacionais, segundo dados oficiais, e registrou US$ 7,9 bilhões em receitas provenientes de visitantes estrangeiros. Nesse cenário, a continuidade das ações de promoção internacional aparece entre os pontos destacados por Costa, que também defende a manutenção de equipes técnicas comprometidas com os resultados das políticas públicas.
“E já sabemos como fazer isso: com um time técnico, engajado e realmente comprometido com resultados”, diz.
Ministério do Turismo e gestão por resultados
Costa defende que o Ministério do Turismo amplie o diálogo com o setor e adote indicadores que permitam avaliar os resultados das políticas públicas. Para ela, a atuação da pasta também deve fortalecer a articulação com os estados na definição das prioridades nacionais para o turismo.
“Que isso se estenda para o Ministério do Turismo, no qual possamos ter mais escuta, construção coletiva e principalmente, uma gestão orientada a resultados e medida por indicadores, não apenas de esforço, mas de efetividade”, afirma. “Esperamos que o Ministério do Turismo exerça sua liderança e engaje os Estados nas pautas prioritárias para o Brasil”, acrescenta.
Turismo responsável depende de integração ambiental
A relação entre turismo, biodiversidade e comunidades tradicionais também está entre os temas destacados por Costa. Para ela, a formulação de políticas públicas precisa considerar os territórios e as populações que participam da atividade turística, com uma atuação conjunta entre diferentes áreas do governo.
“Somos o País mais biodiverso do mundo, o que reflete a nossa diversidade cultural e ambiental. Não há turismo responsável sem meio ambiente e as comunidades tradicionais, É fundamental um trabalho conjunto e interministerial nesse sentido, liderado pelo Ministério do Turismo. Os projetos governamentais precisam ter mais diálogo e colaboração, que otimize recursos e amplie resultados”, afirma.
Bioeconomia e geração de renda
Costa também defende que o turismo tenha papel estratégico na bioeconomia, conciliando a conservação ambiental com a geração de renda e o desenvolvimento das comunidades locais.
“O turismo deve ser encarado como prioridade, uma atividade fundamental na bioeconomia, ou seja, a economia do futuro. E o Brasil pode exercer um protagonismo mundial nesse sentido, sendo um exemplo de como o Turismo pode ser aliado na defesa dos territórios, na conservação aliada à geração de renda e no fortalecimento comunitário, trazendo as mulheres para o centro deste debate”, afirma.
Participação social na política de turismo
A ampliação da participação da sociedade civil no Conselho Nacional de Turismo completa as prioridades apresentadas por Costa. Para ela, o planejamento do setor deve considerar não apenas os resultados econômicos, mas também os impactos ambientais e sociais da atividade.
“Espero que a participação social seja ampliada no Conselho Nacional de Turismo e que o turismo seja considerado uma agenda prioritária, não só do ponto de vista econômico, mas também ambiental e social”, conclui.







