
O 3º Congresso da Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa) reuniu, na última semana, em São Paulo, mais de 250 participantes entre autoridades, executivos do setor aéreo, especialistas, juristas, profissionais da saúde, imprensa e familiares de vítimas. O encontro consolidou uma agenda estratégica que deverá orientar as ações da entidade nos próximos dois anos.
Entre as principais diretrizes está a ampliação dos direitos das vítimas de acidentes traumáticos e o fortalecimento da segurança na aviação brasileira. As discussões também destacaram a necessidade de maior atenção à aviação ligada ao agronegócio, segmento com índices elevados de ocorrências.
Um dos pontos centrais do congresso foi a atualização da Norma IAC 200-1001, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), criada em 2005 para regulamentar a assistência às famílias de vítimas de acidentes aéreos. Apesar de ter representado um avanço à época, a norma completa 21 anos em 2026 e demanda modernização.
Especialistas defendem a incorporação de novos protocolos de acolhimento, comunicação e suporte psicológico. Também foi apontada a necessidade de maior integração entre companhias aéreas, seguradoras, autoridades e órgãos de investigação.
Outro tema de destaque foi a aviação agrícola, considerada uma das áreas mais críticas em termos de segurança.
Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos indicam que, somente em 2026, já foram registrados 45 acidentes nesse segmento, com 12 fatalidades.
O número se aproxima do total de 56 ocorrências registradas ao longo de todo o ano de 2024, o maior da série recente. Na última década, o país acumulou mais de 440 acidentes na aviação agrícola.
O cenário reforça a necessidade de maior rigor na fiscalização, aprimoramento da formação de pilotos e manutenção adequada das aeronaves.
A segurança aérea foi tratada como pauta permanente, especialmente na aviação geral, que concentra grande parte dos incidentes.
Segundo o Cenipa, o Brasil registra, em média, um acidente aéreo a cada dois dias. Em 2026, até o momento, já são 43 ocorrências, sendo 38 apenas em janeiro e fevereiro.
Abrapavaa quer mais apoio às famílias
Para Sandra Assali, presidente da Abrapavaa, o congresso representa um avanço na construção de políticas estruturadas. Segundo ela, o objetivo é garantir que nenhuma família fique sem informação, apoio ou acesso a seus direitos em situações de tragédia.
A abertura do evento da Abrapavaa contou com a presença de líderes das principais empresas do setor aéreo brasileiro.
Participaram Jerome Cadier, da Latam Brasil, Celso Ferrer, da Gol, John Rodgerson, da Azul, e Francisco Gomes Neto, da Embraer – que reforçaram, em suas falas, o compromisso conjunto do setor com a segurança operacional.







