
A privatização da TAP Air Portugal entrou na reta final com a apresentação das propostas finais e melhoradas da Air France-KLM e da Lufthansa. A Parpública, responsável pela gestão das participações do Estado português, confirmou o recebimento das ofertas para a aquisição de uma participação entre 44,9% e 49,9% do capital da companhia aérea.
Com a entrega das propostas, termina a fase de negociações diretas conduzida pelo Governo português. Agora, a Parpública deverá preparar um relatório com a avaliação técnica e financeira das ofertas, que será encaminhado aos Ministérios das Finanças e das Infraestruturas e Habitação.
A expectativa do Governo português é anunciar o vencedor ainda neste mês, antes da apresentação do Orçamento do Estado para 2027 ao Parlamento. A disputa coloca frente a frente dois dos maiores grupos aéreos europeus, com estratégias diferentes para a TAP.
Air France-KLM mira Lisboa como hub
Liderado pelo CEO Benjamin Smith, o Air France-KLM mantém o interesse na companhia portuguesa e propõe transformar Lisboa em seu único hub estratégico no Sul da Europa. O grupo também prevê ampliar a operação internacional da TAP a partir da capital portuguesa, além de fortalecer a presença no Aeroporto do Porto e em bases regionais.
Lufthansa aposta na experiência
A Lufthansa, por sua vez, destaca a experiência na integração e recuperação de companhias aéreas de rede como Swiss, Austrian Airlines e Brussels Airlines. O grupo alemão afirma que pretende acelerar o crescimento da TAP e ampliar sua competitividade internacional, preservando a identidade portuguesa da companhia.
Brasil é peça-chave na disputa
Para os dois grupos, um dos principais ativos estratégicos da TAP está na sua forte presença nas rotas entre Europa e América do Sul, especialmente no mercado brasileiro.
A companhia responde por cerca de 25% da capacidade de assentos entre Brasil e Europa e possui posição relevante no Aeroporto de Lisboa, onde concentrou 48% dos voos no último trimestre de 2025.
Outro fator considerado estratégico é a renovação da frota. Atualmente, cerca de 72% dos jatos da TAP pertencem à família Airbus Neo, modelos mais eficientes em consumo de combustível.
A definição do novo acionista estratégico deverá determinar os próximos passos da TAP em um mercado no qual Portugal, Brasil e as conexões com a América do Sul ocupam papel central na estratégia internacional da companhia.







