
Advogado e ex-secretário de Turismo da Paraíba, Gustavo Feliciano assumiu o Ministério do Turismo no fim de 2025 com o desafio de manter o crescimento do setor em um cenário de resultados históricos. Durante visita ao estande do Mercado & Eventos na WTM Latin America, o ministro conversou sobre prioridades, projetos e sua visão para o turismo no país.
M&E – O turismo brasileiro vem acumulando recordes. Qual é a expectativa para 2026?
Gustavo Feliciano – Estamos vivendo um momento excepcional. Tivemos um 2025 maravilhoso, tanto no turismo internacional quanto no doméstico, e começamos 2026 mantendo esse ritmo. Mas o mais importante não são apenas os números — é o impacto na vida das pessoas. O turismo hoje é uma das cadeias que mais empregam no país, com cerca de 2,3 milhões de postos formais e 65 mil novos empregos gerados recentemente. Isso significa renda, dignidade e inclusão.
M&E – O senhor comentou sobre a escala 6×1 na cerimônia de abertura da WTM-LA. Como vê esse debate?
Gustavo Feliciano – Sou favorável à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1, alinhado ao entendimento do governo. A ideia é reduzir de 44 para 40 horas semanais. Isso pode beneficiar diretamente o turismo, porque mais tempo livre significa mais oportunidades de lazer e viagem. Claro que o tema ainda está em discussão no Congresso, então precisamos acompanhar os desdobramentos com responsabilidade.
M&E – Qual é hoje o principal desafio do turismo no Brasil?
Gustavo Feliciano – O maior desafio é manter esse crescimento com responsabilidade social. Não basta crescer — é preciso incluir. Estamos trabalhando para ampliar oportunidades e garantir que o turismo beneficie cada vez mais pessoas e regiões.
M&E – Quais iniciativas o ministério tem desenvolvido nesse sentido?
Gustavo Feliciano – Temos várias frentes. Uma delas é o protagonismo feminino. Lançamos o Guia Nacional para Mulheres que Viajam Sozinhas, que busca dar mais segurança e preparar melhor os destinos e serviços para receber esse público. O turismo é um setor com forte presença feminina, tanto no emprego quanto no empreendedorismo, e com menor desigualdade salarial. Por isso, estamos organizando um fórum internacional com a ONU Turismo, em João Pessoa, para discutir o protagonismo feminino. Esse evento também dialoga com políticas públicas importantes, como o combate ao feminicídio. Também estamos fomentando o turismo indígena e quilombola, além de apoiar eventos que movimentam diferentes regiões do país.
M&E – E sobre o Salão do Turismo, o que esperar desta edição e como foi a decisão de tirar o evento do eixo Rio-São Paulo?
Gustavo Feliciano – Pela primeira vez, estamos descentralizando o evento. Ele será realizado em Fortaleza, nos dias 7, 8 e 9 de maio. A ideia é tirar do eixo tradicional Rio-São Paulo e levar para outras regiões. O salão existe justamente para dar oportunidade a quem muitas vezes não consegue participar de grandes feiras. Queremos rodar o Brasil inteiro com esse evento. Queremos aproximar o turismo das pessoas e dar visibilidade a destinos que ainda não têm tanto espaço. É uma forma de democratizar o acesso e fortalecer o setor em todo o país.
M&E – Que recado o senhor deixa para o trade turístico?
Gustavo Feliciano – Podem esperar muita dedicação. Eu já estive do outro lado, como gestor estadual, e sei como funciona a rotina de quem está na ponta — desde montar estande até promover destinos. Hoje, como ministro, quero contribuir com toda essa cadeia. Nosso trabalho será baseado em diálogo, participação e construção conjunta, para que possamos continuar colhendo esses bons resultados no turismo brasileiro.







