EUA perdem competitividade no turismo internacional e podem fechar 2025 em queda, alerta CEO da US Travel
Geoff Freeman, CEO do US Travel (Acervo M&E)

O presidente e CEO da US Travel Association, Geoff Freeman, fez um alerta contundente durante a Phocuswright Conference 2025: os Estados Unidos caminham para ser o único destino do mundo a registrar queda no número de chegadas internacionais este ano. Segundo ele, o cenário é resultado de um conjunto de erros estratégicos, agravado por percepções negativas e pelo impacto direto do recente shutdown do governo.

Freeman classificou o encerramento das atividades governamentais como “quase criminoso”, por afetar a confiança dos consumidores e comprometer reservas de férias. Ele fez um apelo ao Congresso para que controladores de tráfego aéreo e agentes da TSA sejam protegidos em eventuais paralisações futuras, evitando novos danos à imagem e à operação do setor.

O executivo destacou que, embora reconheça avanços da administração Trump, entre eles US$ 13 bilhões destinados à modernização do controle de tráfego aéreo e a redução dos tempos de espera para emissão de vistos, os números mostram que o turismo de entrada está recuando. “Os EUA serão o único país no mundo este ano a registar uma redução no turismo”, afirmou. Ele citou uma queda de 25% no Canadá e um desempenho irregular na Europa e na América Latina.

O problema, segundo Freeman, vai além da burocracia. O medo e as percepções negativas sobre viajar aos Estados Unidos passaram a funcionar como uma nova barreira. “As pessoas estão agora a pensar em vir para os EUA da mesma forma que muitos de nós pensávamos em ir à China – limpar dispositivos, temer detenções. Isso é realmente preocupante”, afirmou.

Outro ponto crítico é o enfraquecimento da Brand USA, agência responsável pela promoção internacional do destino, que sofreu um corte de US$ 80 milhões em seu orçamento neste ano. Embora haja uma proposta bipartidária para restaurar os recursos, Freeman alertou que marketing isolado não resolverá o problema. “Os viajantes sabem que temos atrações magníficas. O que não sabem é que são bem-vindos.”

As políticas de vistos seguem como o maior fator de dissuasão. Freeman criticou a proposta de criar uma taxa de “integridade de visto” de US$ 250, o que colocaria os Estados Unidos como o segundo país mais caro do mundo para entrar, atrás apenas do Butão. “Uma família de quatro pessoas vinda do Brasil teria de pagar US$ 1.000 só pelo privilégio de vir aqui. Esse dinheiro não iria para as empresas americanas. Iria para o governo federal.”

Para o CEO, enquanto os EUA dificultam a entrada, outros destinos avançam agressivamente para conquistar o viajante internacional. “Não compreendemos que estamos numa competição. Outros países estão a eliminar requisitos de visto, a agilizar as alfândegas. Nós não estamos nem de perto tão empenhados na competição quanto eles”, concluiu.