Gervásio Tanabe, da Abracorp
Gervásio Tanabe, presidente executivo da Abracorp (Eric Ribeiro/M&E)

O Turismo corporativo ficará muito próximo de atingir os níveis pré-pandemia de faturamento em 2022. Segundo projeções da Associação Brasileira das Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), as TMCs associadas devem registrar R$ 10,6 bilhões de receita em 2022, 95% do atingido em 2019 (R$ 11,4 bilhões), mesmo com uma queda de 25% no volume de bilhetes aéreos emitidos durante o ano, também em relação ao pré-pandemia.

É o que nos contou o presidente executivo da Abracorp, Gervásio Tanabe. Segundo ele, há muitos motivos para comemorar. “Eu diria que não só o mercado corporativo, mas o Turismo como um todo deixou a pandemia para trás. No caso do corporativo, temos sim uma quantidade menor de bilhetes emitidos, cerca de 75% do que foi em 2019, mas vamos recuperar em 2023. Em faturamento, por sua vez, chegaremos a R$ 10,6 bilhões em 2022, apenas 5% abaixo do pré-pandemia”, destacou.

O mercado corporativo tende a melhorar e muito em 2023. “Teremos uma performance melhor que 2019 em faturamento e ficaremos próximos ou até passaremos em bilhetes aéreos emitidos”

É claro que houve uma diminuição no volume de viagens, influenciada ainda por resquícios da pandemia, por novas tendências e pelo alto preço do bilhete aéreo. Mas isso vai se repetir em 2023? Segundo Gervásio, se a economia como um todo melhorar e tivermos um cenário político calmo, o mercado corporativo tende a melhorar e muito em 2023. “Teremos uma performance melhor que 2019 em faturamento e ficaremos próximos ou até superaremos em bilhetes aéreos emitidos”, disse Gervásio.

IRRF – Outro ponto que pode fomentar ainda mais o ano de 2023 é a questão do IRRF para as remessas do turismo, que cairá para 6% a partir do dia 1º de janeiro. “Vai ter um impacto super positivo na nossa cadeia também. Percebemos que, em 2022, algumas empresas acabaram recuando quando viram o impacto de 25% do imposto. E quando ele volta para 6%, este nicho de viagens internacionais de negócios e incentivo é retomado com mais força”, disse Gervásio.

TURISMO RODOVIÁRIO – Um segmento que vem “beliscando” uma fatia cada vez maior de mercado é o rodoviário. Segundo Tanabe, é uma realidade dentro das TMCs da Abracorp. “Hoje o cliente tem um ambiente digital para adquirir uma passagem, tem serviço de bordo, tem opções de full-flat bed, tem internet a bordo, ou seja, a qualidade do serviço melhorou muito. Outro nicho é a locação de veículos, que vai se manter em alta em 2023”, frisou.

O que Abracorp pensa sobre o 2023 da própria Abracorp?

Tanabe, da Abracorp
Segundo Tanabe, a Abracorp tem um grande trabalho para 2023: melhorar ainda mais a governança e as relações entre empresas e as TMCs (Eric Ribeiro/M&E)

O presidente executivo da associação destacou que sempre houve uma preocupação muito grande com a governança. Tanto é que, segundo Tanabe, trata-se da única associação do turismo que ostenta a certificação ISO 27001 (padrão para sistema de gestão da segurança da informação). A entidade também criou o Cliente Advisor Board, um verdadeiro comitê de clientes da Abracorp que tem a liberdade de elogiar, sugerir e criticar os associados.

“Este comitê é composto por quatro empresas independentes, sem nenhum associado, como KPMG e Petrobras, que dá a liberdade para os clientes darem sua opinião sobre os associados, bem como uma oportunidade para a Abracorp poder levar certa necessidade de uma TMC para estes clientes. É um verdadeiro fórum para que consigamos entender as dores dos clientes e também das TMCs”, destacou Gervásio Tanabe.

A Abracorp tem um grande trabalho para 2023: melhorar ainda mais a governança e as relações entre empresas e as TMCs, e este fórum faz parte disso. Este novo canal protege totalmente a identidade do cliente. Outro ponto que será de destaque para 2023 é o tema de conteúdos. “A gente entende que o fornecedor tem sua prateleira e quer desovar o máximo de produtos e serviços. Mas, por outro lado, a gente tem que ter alguns requerimentos para distribuir o produto”, disse ele.

Tanabe lembra que a característica de uma TMC é justamente a gestão. “Você quer distribuir seu produto de forma administrável? O grande dilema que trazemos ao mercado é a questão dos conteúdos, para que permita que atuemos no mercado disruptivo. Somos impedidos dessa possibilidade, mas meu cliente corporativo, por exemplo, quer ser disruptivo. Por que eu, como TMC, não posso oferecer isso? Somos muitos controlados pelos fornecedores. Só queremos ter as mesmas condições de trabalho”, finalizou.