
O presidente do Movimento Organizado dos Agentes de Viagens (Moav), André Colaço Cabral, enviou ao MERCADO & EVENTOS uma manifestação em defesa da classe de profissionais diante das declarações do empresário Renato Kido, fundador da ViagensPromo, a um portal de mídia especializada no trade turístico.
A operadora, que passa por uma crise financeira, deixou milhares de agências de viagens no prejuízo e veio a público nesta terça-feira (30) se defender, dizendo que atua para sanar o cenário de instabilidade, mas que há agências de viagens agindo de má fé e culpando a VP por seus prejuízos econômicos.
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Em carta compartilhada com o M&E, André Colaço declarou que Kido falhou em esclarecer o destino dos recursos da ViagensPromo, deixando centenas de agências desamparadas e responsabilizando indevidamente os profissionais do setor.
Confira abaixo, na íntegra, a carta da Moav:
Carta da Moav
“O Movimento Organizado dos Agentes de Viagens (Moav), representado por seu presidente, vem a público, em nome dos milhares de agentes atingidos pela crise da ViagensPromo, manifestar seu posicionamento diante da entrevista concedida pelo fundador da empresa, Renato Kido, publicada no portal Panrotas. Embora a entrevista busque apresentar números e versões que minimizam a gravidade do ocorrido, é fundamental esclarecer que a realidade enfrentada pelos profissionais do setor vai muito além do que foi exposto.
Na fala, o senhor Kido limitou-se a mencionar supostos valores devolvidos via chargebacks, mas não apresentou qualquer comprovação detalhada ou documentação que permita atestar a veracidade desses números.
Além disso, omitiu que uma parte significativa dos pagamentos realizados pelas agências se deu por meio de boletos bancários, modalidade em que não há mecanismo de chargeback e que, até hoje, permanece sem solução.
Muitos desses pagamentos sequer tiveram qualquer resposta ou devolução, deixando dezenas de agências em situação de completo desamparo e sem qualquer perspectiva de reparação.
É imprescindível que o senhor Renato Kido apresente os números completos e explique de forma clara e documentada onde foi parar o dinheiro movimentado pela ViagensPromo.
Também deixou de abordar o fato de que diversos chargebacks não foram autorizados pelos bancos emissores, o que agravou ainda mais as perdas de centenas de agências.
Da mesma forma, os pagamentos feitos via PIX, que representaram somas expressivas de recursos, não foram sequer mencionados em sua declaração. É necessário ressaltar que nesses casos as agências, para não prejudicar seus clientes, honraram integralmente os valores com recursos próprios e até hoje seguem acumulando prejuízo. Ignorar esse fato é não apenas omitir a verdade, mas é no mínimo irresponsável tentar transferir para as próprias agências de viagens — as principais vítimas de todo esse processo — a responsabilidade que cabe única e exclusivamente ao senhor Renato Kido.
É importante destacar ainda que seria um absurdo admitir qualquer possibilidade de retorno do senhor Renato Kido ao mercado sem que todos os problemas causados sejam antes solucionados. Sua entrevista e as falas de seus advogados deixam evidente a falta de conhecimento sobre a verdadeira estrutura do turismo brasileiro e sobre os danos profundos gerados por sua má gestão. Tal postura em nada se assemelha à conduta esperada de um grande player do mercado, que deveria primar pela responsabilidade, transparência e respeito ao trade.
Diante disso, o MOAV reforça que a narrativa apresentada não condiz com a extensão dos prejuízos enfrentados pelos agentes de viagens, clientes e colaboradores. Não basta alegar vitórias judiciais ou citar valores parciais sem comprovação; o que se exige é transparência absoluta, restituição concreta e respeito àqueles que mantêm viva a cadeia do turismo no Brasil. Os agentes de viagens não podem continuar arcando sozinhos com a conta de um desastre empresarial que poderia ter sido evitado com mais responsabilidade e ética.
Adiantamos que a referida entrevista será encaminhada ao Ministério Público do Estado de São Paulo, uma vez que se trata de mais uma prova cabal da conduta ilegal e doloso praticada pelo entrevistado.
O MOAV seguirá firme em sua missão de acolher, orientar e mobilizar os profissionais, exigindo das autoridades, do mercado e dos responsáveis pela ViagensPromo medidas que garantam justiça, transparência e reparação.
André Colaço Cabral
Presidente,
MOAV – Movimento Organizado dos Agentes de Viagens”







