A Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) publicou uma carta aberta ao mercado destacando os riscos que ameaçam a segurança e a credibilidade do setor. A entidade alerta para práticas comerciais inadequadas, como preços excessivamente baixos, comissionamentos discrepantes e parcelamentos insustentáveis, que podem comprometer tanto os agentes de viagem quanto os consumidores. O documento enfatiza a importância da escolha de parceiros confiáveis e da adoção de práticas responsáveis para garantir viagens seguras e bem-sucedidas. Confira na íntegra:

CARTA ABERTA AO MERCADO

O óbvio também precisa ser dito: riscos no Turismo

Diante das recentes notícias e discussões que têm ganhado espaço na mídia, a Braztoa decidiu abordar um tema essencial para a indústria do turismo, um setor dinâmico e em constante transformação. A inovação, as tendências e os novos panoramas são frequentes, mas é igualmente necessário tratar dos desafios que impactam a segurança e a credibilidade do mercado.

Entre esses desafios, destacam-se os riscos inerentes às práticas comerciais inadequadas, que podem comprometer tanto os agentes de viagem quanto os clientes finais.

É fundamental que todos os profissionais do setor estejam atentos a ofertas que, à primeira vista, parecem vantajosas, mas escondem riscos elevados. A variação de preços entre fornecedores é natural, mas diferenças extremas devem ser analisadas com cautela. Preços muito abaixo do mercado podem indicar problemas financeiros ou fragilidade operacional, comprometendo o cumprimento dos serviços contratados.

Outro ponto de atenção são comissionamentos elevados e discrepantes, bem como ganhos extras (“overs”) muito acima da média. Se algo parece bom demais para ser verdade, há um grande risco de que o modelo de negócio não seja sustentável a longo prazo. Empresas que operam com margens reduzidas ou inexistentes podem crescer rapidamente, mas, ao enfrentar dificuldades, podem não conseguir honrar seus compromissos. O histórico do mercado mostra que essas práticas frequentemente resultam em prejuízos significativos.

Além disso, muitas empresas não possuem reservas financeiras para lidar com crises, flutuações cambiais ou perdas judiciais, resultando em cancelamentos inesperados ou na prestação de serviços abaixo do esperado. Medidas como reservas estratégicas, operações de hedge cambial e seguros de responsabilidade civil podem mitigar esses riscos. Infelizmente, há diversos relatos de consumidores que, ao chegarem ao destino, descobriram que suas reservas não haviam sido efetuadas ou tiveram que arcar com taxas imprevistas.

O parcelamento de serviços também merece atenção. Embora seja uma facilidade para o consumidor, prazos excessivamente longos sem um modelo de negócio sustentável podem ser um sinal de alerta. Se uma empresa oferece parcelamentos muito acima da média do mercado sem justificativa clara, pode estar tentando gerar caixa para cobrir compromissos anteriores, aumentando o risco de falência antes mesmo da viagem ocorrer.

A frequente mudança de parceiros comerciais também deve ser observada. Empresas confiáveis trabalham com intermediários nacionais e internacionais de maneira estável. Alteranções abruptas e constantes podem indicar dificuldades financeiras ou operacionais.

Um exemplo clássico de risco é o fretamento de voos, evitado por muitas empresas devido aos altos custos e desafios logísticos. O mercado tem preferido bloqueios em voos comerciais, reduzindo riscos e garantindo maior segurança operacional. Da mesma forma, a venda exclusiva de ingressos para parques e serviços de baixa margem de lucro pode comprometer a sustentabilidade financeira do negócio. Empresas sólidas priorizam produtos e estratégias que garantam viabilidade no longo prazo.

Nenhuma dessas práticas, isoladamente, representa um risco imediato, mas a combinação de vários desses fatores acende um sinal de alerta que não pode ser ignorado. O histórico do mercado comprova que negócios insustentáveis acabam impactando negativamente toda a cadeia do turismo, incluindo agentes de viagem e clientes, causando prejuízos evitáveis.

Diante desse cenário, é essencial que operadores de turismo, agentes de viagem e consumidores estejam atentos aos sinais de risco, pesquisem a reputação das empresas, leiam avaliações recentes de outros viajantes e evitem ofertas excessivamente vantajosas sem justificativa clara. Para maior segurança, um bom ponto de partida é consultar as 56 operadoras de turismo associadas à Braztoa, disponíveis em www.braztoa.com.br, todas submetidas a um rigoroso processo de seleção e reconhecidas no mercado.

Viagens são investimentos em experiências, e a segurança e tranquilidade dos clientes devem ser prioridade para todos os profissionais do setor. Escolher bons parceiros e adotar práticas responsáveis é a melhor forma de garantir que cada viagem ocorra exatamente como planejado, sem surpresas desagradáveis.

Braztoa – Associação Brasileira das Operadoras de Turismo.