
O Grupo Abra encerrou 2025 com avanço consistente em receita, aumento da demanda e evolução na integração entre a Gol Linhas Aéreas e a Avianca. Os resultados do quarto trimestre e do acumulado do ano indicam um ciclo de consolidação operacional e reforço da presença na América Latina.
De acordo com o CEO do grupo, Adrian Neuhauser, o período marcou um ponto de inflexão para a empresa. “2025 foi um ano decisivo para a Abra. Fortalecemos nossa posição estratégica em toda a América Latina, integrando com sucesso a Gol e aprimorando a coordenação entre nossas companhias aéreas”, afirmou. Segundo ele, o desempenho anual reflete a forte demanda na região e a expansão contínua da malha aérea, resultando em receita operacional pro forma de US$ 9,7 bilhões e EBITDAR ajustado de US$ 2,7 bilhões.
A consolidação da Gol nos resultados ocorreu após a companhia brasileira encerrar seu processo de recuperação judicial sob o Chapter 11 em junho de 2025. A partir daí, a Abra passou a incorporar integralmente os números da aérea. Para garantir comparabilidade, os dados de 2024 e 2025 foram apresentados em base pro forma, como se a integração já estivesse vigente ao longo de todo o período.
Abra amplia demanda e mantém disciplina de custos
No consolidado anual, o grupo transportou 71 milhões de passageiros, um crescimento de 5,2% na comparação com o ano anterior. A capacidade avançou em ritmo mais acelerado, com alta de 11,6%, enquanto a taxa de ocupação se manteve em patamar considerado saudável, em 81,3%. O resultado foi sustentado, principalmente, pela ampliação de voos internacionais e de maior alcance.
Os indicadores de receita e custo mostram estabilidade operacional. O PRASK ficou em 6,8 centavos de dólar, com yield de 8,3 centavos. Já o custo unitário por passageiro, desconsiderando combustível, foi de 4,2 centavos, sinalizando disciplina na gestão de despesas mesmo em um cenário de expansão.
A receita operacional total cresceu 11,1% no ano, impulsionada tanto pelo avanço no transporte de passageiros, que subiu 7,9%, quanto pelo desempenho mais robusto das receitas de carga e auxiliares, com alta de 31,3%. O resultado reforça a diversificação das fontes de receita do grupo.
No quarto trimestre, os números mantiveram a tendência positiva. Foram transportados 19 milhões de passageiros, com taxa de ocupação de 82,6%. O PRASK alcançou 7,3 centavos e o yield, 8,8 centavos, enquanto o custo unitário sem combustível recuou para 4,1 centavos. Segundo a companhia, os dados refletem a resiliência da demanda e a eficiência da estratégia focada em crescimento com rentabilidade.
No campo operacional, a Abra encerrou o ano com uma frota de 325 aeronaves, operando mais de 375 rotas e atendendo mais de 145 destinos. A expansão foi baseada no aumento de frequências em hubs estratégicos e na abertura seletiva de novas ligações internacionais.
Como parte do plano de crescimento, o Grupo Abra anunciou a incorporação de sete aeronaves Airbus A330, configuradas para até 290 passageiros e com cabine de classe executiva. A Gol deverá operar até cinco desses aviões, enquanto a Avianca ficará responsável pelos demais. Ao longo de 2025, a holding recebeu 15 novas aeronaves e mantém compromissos adicionais de frota, incluindo modelos Airbus A350 e A330, voltados à ampliação de rotas de longo curso e ao fortalecimento da oferta premium.
A estratégia indica que, após a integração societária, o foco passa a ser a captura de sinergias operacionais e a expansão internacional, com ganhos de escala e maior competitividade no mercado latino-americano.







