Aeroporto
Guarulhos registrou o maior número de passageiros afetados entre aeroportos analisados (Divulgação/GRU Airport)

O Aeroporto Internacional de Guarulhos registrou um aumento expressivo no número de passageiros afetados por atrasos de voos superiores a duas horas em julho de 2026. Segundo levantamento da AirHelp, foram cerca de 20,8 mil passageiros nessa situação durante o mês, contra 14,9 mil em junho. A proporção passou de um passageiro afetado a cada 127 embarcados para um a cada 103.

O levantamento considera os voos operados no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e mostra que o problema também se intensificou entre os atrasos mais longos. Em julho, aproximadamente 10,6 mil passageiros enfrentaram atrasos superiores a três horas. Em junho, eram 6,7 mil.

Os números colocam Guarulhos em uma posição de destaque entre os principais aeroportos brasileiros quando o assunto é quantidade absoluta de passageiros afetados por atrasos. O terminal concentra grande parte da movimentação aérea internacional do país e também recebe uma parcela significativa dos voos domésticos.

Guarulhos concentra maior número de passageiros afetados

Entre os aeroportos analisados pela AirHelp, Guarulhos apresentou o maior volume de passageiros atingidos por atrasos superiores a duas horas em julho.

O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, apareceu na sequência, com aproximadamente 5,3 mil passageiros afetados. O número representa uma redução em relação aos 6,2 mil registrados em junho.

No Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, foram cerca de 4 mil passageiros atingidos por atrasos superiores a duas horas, ante 3 mil no mês anterior.

Recife registrou aproximadamente 3,7 mil passageiros nessa condição, praticamente o mesmo volume de junho. Já o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, passou de 3,5 mil para 3,6 mil passageiros afetados.

Outro destaque foi o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins. O terminal registrou cerca de 2,9 mil passageiros afetados por atrasos superiores a duas horas em julho. Em junho, haviam sido 6 mil.

No caso dos atrasos superiores a três horas, Guarulhos também liderou com ampla diferença. Foram aproximadamente 10,6 mil passageiros, enquanto Viracopos teve 1,7 mil e Curitiba, 2,2 mil.

Atrasos superiores a três horas também aumentaram

A evolução dos atrasos mais longos chama atenção porque representa uma parcela importante dos passageiros que enfrentam problemas durante a viagem.

Em Guarulhos, o número de passageiros submetidos a atrasos superiores a três horas cresceu de 6,7 mil em junho para 10,6 mil em julho. O aumento foi de aproximadamente 58%.

O cenário foi diferente em alguns dos demais aeroportos analisados.

Em Confins, por exemplo, os atrasos superiores a três horas caíram de 3,3 mil para 900 passageiros. Em Viracopos, passaram de 3 mil para 1,7 mil. No Aeroporto Internacional de Recife, a redução foi de 2,1 mil para 1,1 mil.

Já Curitiba teve crescimento, passando de 1,8 mil para 2,2 mil passageiros afetados por atrasos superiores a três horas.

Os dados mostram, portanto, que o comportamento dos atrasos não foi uniforme entre os principais terminais brasileiros. Em alguns aeroportos houve melhora, enquanto outros registraram aumento significativo.

Cancelamentos também aparecem no levantamento

Além dos atrasos, a AirHelp analisou os cancelamentos registrados no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

De acordo com o levantamento, cerca de 620 mil passageiros foram afetados em julho por cancelamentos realizados com mais de 30 dias de antecedência. Em junho, esse número havia sido de aproximadamente 580 mil.

Já os cancelamentos realizados com menos de 30 dias apresentaram redução.

Em julho, aproximadamente 23,8 mil passageiros foram afetados por cancelamentos feitos com até 30 dias de antecedência. No mês anterior, eram mais de 25 mil.

A diferença mostra dois movimentos distintos no comportamento dos cancelamentos. Enquanto os casos comunicados com maior antecedência cresceram, os cancelamentos próximos da data da viagem tiveram redução.

Para o diretor-geral da AirHelp no Brasil, Luciano Barreto, o aumento dos atrasos merece atenção diante da dimensão do terminal.

“O expressivo aumento de passageiros afetados por atrasos superiores a duas horas demonstra o quanto os passageiros continuam sofrendo com interrupções que podem comprometer seus compromissos”, afirmou.

Quais são os direitos dos passageiros em caso de atraso

A ocorrência de um atraso não significa automaticamente que o passageiro terá direito a uma indenização financeira.

No Brasil, os direitos dos viajantes são estabelecidos principalmente pelo Código de Defesa do Consumidor e pelas normas da Agência Nacional de Aviação Civil, a ANAC.

Em situações de atraso, cancelamento ou outros problemas operacionais, a companhia aérea pode ter obrigações relacionadas à informação e à assistência ao passageiro, dependendo do tempo de espera e das circunstâncias do caso.

A assistência pode envolver comunicação, alimentação e acomodação, conforme a duração do atraso e a situação enfrentada pelo viajante.

Também é importante diferenciar a assistência obrigatória de eventual pedido de indenização. Um passageiro que teve o voo atrasado não recebe automaticamente uma compensação financeira apenas porque a aeronave demorou para partir.

Segundo a AirHelp, situações em que o passageiro consegue demonstrar prejuízos ou transtornos relevantes podem resultar em pedidos de reparação, especialmente quando existe responsabilidade da companhia aérea.

Entre os exemplos citados pela empresa estão a perda de compromissos importantes, prejuízos financeiros e outros impactos decorrentes da interrupção da viagem.

Condições climáticas não eliminam todos os direitos

Outro ponto destacado pela AirHelp é que problemas provocados por condições meteorológicas adversas ou outras circunstâncias consideradas fora do controle da companhia não significam necessariamente que o passageiro fique sem qualquer proteção.

Mesmo nesses casos, permanecem relevantes os direitos relacionados à assistência e ao acesso a informações sobre o voo.

A responsabilidade pela interrupção e a possibilidade de uma eventual indenização dependem das circunstâncias específicas de cada ocorrência.

Por isso, documentos como cartão de embarque, comprovantes de despesas, mensagens enviadas pela companhia aérea e registros do horário real de partida podem ser importantes para comprovar o que aconteceu durante a viagem.

Guarulhos segue como ponto central da aviação brasileira

O aumento registrado em julho acontece em um aeroporto que exerce papel central na malha aérea brasileira.

Guarulhos concentra operações domésticas e internacionais e funciona como uma das principais portas de entrada e saída do Brasil. Qualquer aumento relevante nos atrasos do terminal pode atingir milhares de pessoas devido ao alto volume de passageiros movimentado diariamente.

O levantamento da AirHelp mostra que, embora alguns aeroportos tenham apresentado redução nos atrasos, Guarulhos teve uma piora significativa entre junho e julho.

O salto de 14,9 mil para 20,8 mil passageiros afetados por atrasos superiores a duas horas representa aproximadamente 39,6% de aumento em apenas um mês.

Entre os atrasos superiores a três horas, a alta foi ainda mais significativa, passando de 6,7 mil para 10,6 mil passageiros.

Os números reforçam a importância de acompanhar não apenas a quantidade de voos atrasados, mas também o número de pessoas diretamente atingidas pelas interrupções.

Para quem viaja a partir de Guarulhos, especialmente em conexões ou deslocamentos com compromissos marcados, a duração do atraso pode fazer diferença significativa na viagem.

Em julho, segundo o levantamento, cerca de um em cada 103 passageiros que embarcaram no terminal foi afetado por um atraso superior a duas horas.