Voepass
Declaração sobre a Voepass reforça conclusões do relatório final do acidente de 2024 (Divulgação/Secretaria de Segurança de São Paulo)

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, afirmou que a Voepass fornecia informações falsas aos fiscais da agência sobre a realização de reparos em aeronaves. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, após a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024.

Segundo Faierstein, durante fiscalizações da chamada operação assistida, técnicos da Anac determinavam a substituição de componentes específicos nas aeronaves. Posteriormente, a companhia apresentava documentação indicando que os reparos haviam sido executados, mas, em alguns casos, a verificação em campo mostrava que as peças permaneciam sem substituição.

O diretor-presidente da Anac admitiu ainda que a agência foi enganada pelas informações fornecidas pela empresa. De acordo com ele, as análises técnicas realizadas pelos fiscais eram baseadas em documentos que posteriormente se revelaram incompatíveis com a situação real das aeronaves.

Relatório aponta falhas da Voepass, da Anac e da tripulação

O posicionamento ocorre poucos dias após o Cenipa concluir a investigação sobre a queda do ATR 72 da Voepass, ocorrida em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP). O documento aponta que o acidente foi resultado de uma combinação de falhas operacionais, organizacionais e regulatórias, envolvendo a companhia aérea, a tripulação e a própria Anac.

Entre os fatores identificados estão problemas recorrentes no sistema de degelo da aeronave, falhas de manutenção, deficiências na supervisão operacional, decisões da tripulação durante o voo e limitações na fiscalização da agência reguladora. O relatório também concluiu que a aeronave não reunia condições adequadas para operar diante das condições meteorológicas encontradas durante a rota.

Após a divulgação do relatório, a Voepass voltou a afirmar que sempre adotou procedimentos voltados à segurança operacional e informou que analisa tecnicamente as conclusões apresentadas pelos investigadores.