Venezuela revoga licenças de aéreas que suspenderam voos diante de tensão com EUA
Medida afeta transporte aéreo internacional e aumenta risco de isolamento do destino sul-americano (Banco de imagens/Freepik)

A Venezuela revogou, nesta quinta-feira (27), as licenças de ao menos seis companhias aéreas que suspenderam voos para o país em meio ao agravamento das tensões entre Caracas e Washington. As empresas atingidas são Iberia, TAP, Avianca, Turkish Airlines e Gol. No caso da Latam Airlines, o governo informou que apenas a operação colombiana foi afetada.

Segundo comunicado oficial, as companhias aderiram a “ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos EUA”, motivo apresentado pela administração de Nicolás Maduro para o cancelamento das autorizações de operação.

Na quarta-feira (26), a agência France-Presse informou que representantes do governo se reuniram com executivos das aéreas e deram um prazo de 48 horas para que os voos fossem retomados. Ao menos sete empresas haviam interrompido as viagens após alerta de reguladores norte-americanos sobre o aumento da atividade militar no Caribe.

Autoridades dos Estados Unidos afirmam que as movimentações fazem parte do combate ao tráfico de drogas na região. “Ninguém está planejando entrar lá e atirar nele ou sequestrá-lo — neste momento. Eu não diria que nunca, mas esse não é o plano agora”, disse uma fonte ao site Axios, sobre Maduro.

O governo venezuelano acusa Washington de tentar provocar uma mudança de regime no país. A classificação do Cartel de los Soles como organização terrorista é apontada pela Casa Branca como instrumento para ampliar operações militares. “Se Maduro sair, não derramaremos uma lágrima”, afirmou um funcionário citado pela reportagem.

Desde setembro, os EUA reforçaram sua presença militar na área, com navios de guerra e caças F-35 operando no entorno. As forças norte-americanas realizaram ao menos 21 ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas, com 83 mortes registradas.

O cancelamento das licenças ocorre em um momento de instabilidade no transporte aéreo regional e pode afetar o fluxo de passageiros internacionais para o destino sul-americano, inclusive viajantes brasileiros que utilizam conexões para chegar ao país. O governo venezuelano não informou quando as autorizações poderão ser restabelecidas.