
BARCELONA – Durante o Costa Global Summit 2025, executivos da Costa Cruzeiros reforçaram o papel estratégico do Brasil e da América do Sul nos planos de crescimento da companhia. Em entrevista coletiva com jornalistas brasileiros, a armadora destacou o desempenho positivo da temporada 2025, a forte relação com o trade e os desafios de competitividade para a expansão do mercado na região.
Segundo Ruy Ribeiro, diretor comercial da Costa no Brasil, o Summit é uma oportunidade essencial para estreitar relações e compartilhar, de forma transparente, os próximos passos da companhia. “É um momento de estar junto com nossos parceiros do Brasil, da América do Sul e do mundo, mostrando o que a Costa tem de novidades, onde estamos investindo e o que estamos preparando para as próximas temporadas”, afirma.
Trade como pilar estratégico
A relação histórica com o trade segue sendo um dos grandes diferenciais da Costa. Para Ruy, mais do que resultados comerciais, a companhia valoriza um relacionamento próximo e consistente com os agentes de viagens, que continuam sendo responsáveis pela imensa maioria das vendas.
“O trade é o nosso pilar. Temos uma ligação muito forte e histórica, baseada não apenas em números, mas em relacionamento. Nossa preocupação é estar próximos não só dos grandes parceiros, mas também do pequeno agente, que está em contato direto com o passageiro”, reforça.
Essa estratégia se reflete também na participação da Costa em eventos do setor e em iniciativas como o Costa Nova Summit e parcerias de longa data com grandes players do mercado brasileiro.
Temporada 2025 em ritmo acelerado
O desempenho de 2025 confirma a força da marca no mercado sul-americano. De acordo com Ruy, o ano foi “extraordinário”, tanto em vendas quanto em satisfação dos hóspedes. “Tivemos um NPS altíssimo e a temporada caminha para um cenário muito próximo de 100% de ocupação. Os feedbacks dos primeiros cruzeiros já são extremamente positivos”, destaca.
A operação na América do Sul teve início em 23 de novembro, com forte procura desde os primeiros embarques, reforçando a confiança do trade e dos passageiros no produto Costa.
Roteiros alinhados ao perfil do brasileiro
Do ponto de vista de produto, a Costa vem ajustando seus roteiros a partir da escuta ativa do mercado. Durante a entrevista coletiva, Dário Rustico, presidente executivo da Costa Cruzeiros para as Américas, explicou que a programação atual reflete diretamente as preferências dos brasileiros.
“Escutamos o que as agências e os consumidores estavam pedindo e adaptamos os roteiros. Temos forte foco na região do Prata, com cruzeiros de sete noites, além de muitos minicruzeiros, que dialogam com novas gerações e ajudam a abrir novos mercados”, afirma.
Os portos de Santos, Itajaí e Rio de Janeiro seguem como protagonistas da operação, com alta demanda e poucas cabines ainda disponíveis para os meses finais da temporada, entre fevereiro e abril.
Desafios de competitividade e infraestrutura
Apesar da demanda aquecida, Dário destacou que o principal desafio para a expansão do mercado brasileiro está relacionado à competitividade e à infraestrutura portuária. “O Brasil tem uma demanda gigantesca e oportunidades reais de crescimento. O desafio hoje é reganhar a competitividade, principalmente em termos de infraestrutura e custos operacionais”, explica.
Nesse contexto, a Costa, em conjunto com a Clia, vem atuando junto a órgãos governamentais como os ministérios do Turismo, Portos e Aeroportos e a Embratur. De acordo com Dario, um documento com 15 pontos prioritários já foi apresentado, com foco em melhorias estruturais e regulatórias. O mesmo tem sido trabalhado com o governo da Argentina.
“O potencial do Brasil é enorme. Dá para fazer números completamente diferentes dos atuais. Estamos otimistas e acreditamos que soluções podem surgir nos próximos meses”, afirma Dário, citando exemplos positivos, como o case de Belém, que inaugurou uma nova estrutura portuária. “O Brasil e a América do Sul são mercados extremamente estratégicos para a Costa. Estamos há mais de 70 anos operando na região e isso não vai mudar”, completou Ruy.
Olhar para o futuro
Com uma frota moderna e parte de um dos maiores grupos de cruzeiros do mundo, a Costa mantém uma visão cautelosa, porém otimista, para os próximos anos. Segundo Dário, o foco recente esteve na recuperação financeira pós-pandemia, mas os sinais para o futuro são positivos.
Questionado sobre a expansão de frota nos próximos anos, o executivo demonstrou uma visão otimista: “Estamos fortalecendo nossa solidez financeira. O mercado está reagindo bem e, naturalmente, o futuro volta à normalidade. Os sinais são todos positivos”, conclui.
*O M&E viaja em parceria com a Shift Mobilidade e proteção GTA







