
Pela primeira vez em 20 anos, o passaporte dos EUA ficou fora do Top 10 do Henley Passport Index, caindo da 10ª para a 12ª posição em 2025. O país, que chegou a liderar o ranking em 2014, agora tem acesso sem visto a 180 dos 227 destinos globais, empatando com a Malásia. A queda reflete mudanças recentes nas políticas de reciprocidade e no isolamento diplomático norte-americano.
A perda do acesso sem visto ao Brasil, em abril, e a exclusão dos EUA da lista de países isentos de visto da China marcaram o início do declínio. Ajustes em Papua Nova Guiné e Mianmar reduziram ainda mais a pontuação, enquanto novos sistemas de visto eletrônico, como o da Somália, e exclusões em países como o Vietnã consolidaram a queda.
Segundo o presidente da Henley & Partners, Dr. Christian H. Kaelin, “o declínio da força do passaporte americano na última década é mais do que uma simples reformulação na classificação; sinaliza uma mudança fundamental na mobilidade global e na dinâmica do poder brando”. Ele aponta que países mais abertos e cooperativos estão avançando rapidamente.
Apesar de os americanos poderem acessar 180 destinos sem visto, os EUA permitem entrada livre a apenas 46 nacionalidades, ocupando a 77ª posição no Índice de Abertura Henley. Essa disparidade é uma das maiores do mundo e, segundo a especialista Annie Pforzheimer, tem origem política. “Mesmo antes de uma segunda presidência de Trump, a política dos EUA já havia se voltado para dentro”, afirmou. “Essa mentalidade isolacionista agora se reflete na perda de poder do passaporte dos Estados Unidos.”
Em contraste, a China registrou uma das maiores ascensões da década, subindo do 94º para o 64º lugar entre 2015 e 2025, com aumento de 37 destinos de acesso sem visto. O país também ampliou a entrada livre a 30 novas nacionalidades em um ano, alcançando a 65ª posição em abertura. Novos acordos com Rússia, Estados do Golfo e países da América do Sul reforçam a estratégia de expansão e consolidam o domínio asiático na mobilidade global.
Para o sócio da Grant Thornton China, Dr. Tim Klatte, a divergência entre os dois países é evidente. “O retorno de Trump ao poder trouxe novos conflitos comerciais que enfraquecem a mobilidade dos Estados Unidos, enquanto a abertura estratégica da China impulsiona sua influência global”, avaliou.
O enfraquecimento do passaporte americano está impulsionando um novo movimento: a busca de cidadãos dos EUA por segundas cidadanias. A Henley & Partners aponta que os americanos lideram os programas de migração por investimento em 2025, com aumento de 67% nas solicitações em relação a 2024. Segundo o professor Peter J. Spiro, da Universidade Temple, “a cidadania americana continua sendo valiosa, mas já não é suficiente por si só”.







