
Com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral como os candidatos que disputarão o segundo turno da eleição presidencial de 2026, o Turismo volta ao centro do debate sobre desenvolvimento econômico, geração de empregos, infraestrutura e promoção do Brasil no exterior. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Os dois programas tratam o Turismo como atividade capaz de gerar emprego, renda e desenvolvimento regional, mas apresentam diferenças importantes na forma de explorar esse potencial. Lula concentra suas propostas na promoção internacional, fortalecimento do mercado doméstico, desenvolvimento de novos roteiros, sustentabilidade, crédito e valorização dos patrimônios natural e cultural. Flávio Bolsonaro enfatiza infraestrutura, segurança, integração regional, promoção do destino Brasil e atração de investimentos privados, com destaque para o Trem do Nordeste e para grandes empreendimentos turísticos.
As 10 propostas de Lula
O plano de governo de Lula para um eventual mandato de 2027 a 2030 apresenta o Turismo como instrumento de desenvolvimento regional e prevê medidas para ampliar sua participação na economia brasileira. Entre os principais pontos estão:
1. Ampliar a participação do Turismo no PIB
Usar a atividade como vetor de desenvolvimento econômico e regional, aumentando sua contribuição para a economia e distribuindo os benefícios do setor por diferentes regiões brasileiras.
2. Fortalecer o Turismo doméstico
Estimular viagens de brasileiros pelo próprio país, ampliando o fluxo nos destinos nacionais e fortalecendo o mercado interno.
3. Ampliar a promoção internacional
Avançar na promoção do Brasil no exterior para atrair mais turistas estrangeiros e ampliar a presença brasileira no mercado internacional.
4. Desenvolver novos destinos
Estruturar destinos a partir da diversidade natural e cultural brasileira, valorizando as características específicas de cada região.
5. Integrar Turismo e economia criativa
Aproximar o Turismo de setores como artes, música e gastronomia para criar experiências diferenciadas e ampliar a oferta turística.
6. Criar novos roteiros temáticos
Desenvolver e promover roteiros voltados a gastronomia, arte, cultura e ecoturismo, direcionados também a nichos específicos de mercado.
7. Ampliar o crédito para o setor
Apoiar empresas e empreendedores turísticos por meio do Fungetur, com foco na expansão dos negócios e no acesso ao financiamento.
8. Estimular experiências para nichos específicos
Incentivar produtos e experiências diferenciadas capazes de diversificar a oferta e atender públicos específicos.
9. Ampliar as RPPNs
Estimular a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, associando conservação ambiental e visitação turística sustentável.
10. Valorizar os 75 parques nacionais
Criar uma política de valorização dos parques, integrando conservação ambiental, Turismo sustentável, educação ambiental e desenvolvimento regional.
O programa de Lula também coloca entre suas prioridades a continuidade do apoio aos destinos regionais, a integração entre Turismo e setores criativos e o avanço da promoção internacional do Brasil. O documento destaca ainda o resultado do Fungetur, que, segundo a campanha, apoiou mais de 6 mil operações e mobilizou R$ 2,8 bilhões.
As 10 propostas de Flávio Bolsonaro
No plano de governo de Flávio Bolsonaro, o Turismo aparece associado principalmente à infraestrutura, desenvolvimento regional, segurança, promoção internacional e atração de investimentos. A campanha também apresentou propostas específicas para regiões como o Nordeste, a Amazônia e a Costa Verde do Rio de Janeiro.
1. Promover o Brasil no exterior
Ampliar a promoção do destino Brasil e valorizar as vocações turísticas de cada região, com o objetivo de gerar emprego e renda principalmente no interior e em áreas com menor desenvolvimento econômico.
2. Usar o Turismo para reduzir desigualdades regionais
Integrar a atividade à estratégia de desenvolvimento do Norte e Nordeste, transformando vocações regionais em oportunidades de emprego, renda e investimentos.
3. Ampliar a infraestrutura de transportes
Usar aeroportos, rodovias e ferrovias como base para o crescimento turístico, facilitando o deslocamento dos visitantes e reduzindo custos.
4. Criar o Trem do Nordeste
Viabilizar uma ferrovia de aproximadamente 1,4 mil quilômetros, ligando Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza. A proposta é transformar a ferrovia também em roteiro turístico, conectando praias, cidades históricas e polos culturais.
5. Ampliar a Transnordestina
Concluir a ferrovia e ampliar seu escopo para contemplar também Paraíba e Rio Grande do Norte, dentro de uma estratégia de integração regional.
6. Explorar o potencial natural e cultural
Valorizar praias, florestas, patrimônio histórico e cultural e festas brasileiras como ativos para ampliar a oferta turística e gerar renda.
7. Vincular Turismo à segurança pública
O plano considera a segurança uma condição para o desenvolvimento turístico. A proposta é associar a atividade às ações do programa Brasil sem Medo, voltado ao combate ao crime organizado e ao endurecimento das políticas de segurança.
8. Ampliar o Turismo na Amazônia
Flávio defendeu durante a campanha o uso do Turismo como instrumento de proteção ambiental e geração de riqueza na região, incluindo, de forma responsável, atividades em territórios indígenas, quilombolas e reservas ambientais.
9. Destravar empreendimentos na Costa Verde
Em campanha em Angra dos Reis, o candidato defendeu acelerar licenciamentos, revisar planos diretores e criar condições para a instalação de resorts, condomínios e grandes empreendimentos turísticos em Angra, Paraty e Mangaratiba.
10. Atrair investimento privado e ampliar a segurança jurídica
A proposta para grandes projetos turísticos prevê maior participação da iniciativa privada e revisão de regras para acelerar investimentos e dar mais previsibilidade aos empreendedores, especialmente em áreas consideradas estratégicas para o Turismo.
Dois caminhos para o Turismo brasileiro
Embora os dois candidatos reconheçam o Turismo como atividade estratégica para a economia, as prioridades apresentadas são diferentes. Lula concentra o programa em desenvolvimento sustentável, promoção internacional, mercado doméstico, novos produtos, crédito e valorização do patrimônio natural e cultural. Já Flávio Bolsonaro coloca maior ênfase em infraestrutura, segurança, integração regional, desburocratização, investimentos privados e grandes projetos turísticos.
A diferença aparece também na abordagem ambiental. Enquanto o programa de Lula associa Turismo à criação de RPPNs, valorização de parques nacionais e conservação ambiental, Flávio apresenta a preservação como oportunidade econômica, defendendo o uso da floresta e do patrimônio natural para gerar renda, além de propor Turismo em áreas protegidas sob a justificativa de ampliar a presença e a fiscalização.
Com a disputa definida, essas propostas passam a integrar o debate do segundo turno e colocam o trade turístico diante de duas visões distintas para o setor no próximo mandato presidencial.







