
Segundo estudo do World Travel & Tourism Council (WTTC), os Estados Unidos podem perder até US$ 15,7 bilhões, o equivalente a mais de € 13 bilhões, em receitas do turismo caso avancem as mudanças planejadas nos controles de entrada de visitantes estrangeiros, baseadas na ampliação da análise de informações de redes sociais.
A avaliação foi elaborada pelo WTTC em parceria com a GSIQ e a Oxford Economics e analisa os impactos potenciais da proposta de alteração no programa Electronic System for Travel Authorization (ESTA), que passaria a exigir a divulgação ampliada de dados de redes sociais por viajantes de países atualmente elegíveis ao sistema.
“A segurança nas fronteiras dos Estados Unidos é fundamental, mas as mudanças planejadas podem prejudicar a criação de empregos”, disse a presidente e CEO do WTTC, Gloria Guevara.
De acordo com o estudo, em um cenário de impacto elevado, as mudanças podem resultar na perda de aproximadamente 4,7 milhões de chegadas internacionais aos Estados Unidos em 2026, o que representa uma queda de 23,7% no fluxo de turistas provenientes de mercados participantes do ESTA, na comparação com um cenário sem alterações nas regras.
As perdas associadas aos gastos dos visitantes são estimadas em até US$ 15,7 bilhões, cerca de € 13,2 bilhões. A modelagem econômica indica ainda uma redução adicional de até US$ 21,5 bilhões, aproximadamente € 18,2 bilhões, na contribuição do setor de viagens e turismo para o Produto Interno Bruto do país. O impacto potencial sobre o emprego pode alcançar até 157 mil postos de trabalho.
WTTC vê impacto na intenção de viagem aos EUA

A pesquisa com viajantes de países participantes do ESTA indica que 66% dos entrevistados já estavam familiarizados com a proposta de ampliação do controle sobre redes sociais, o que, segundo o WTTC, sugere potencial de impacto rápido sobre o comportamento dos consumidores caso a medida seja implementada.
Cerca de 34% dos entrevistados afirmaram que estariam um pouco menos propensos ou muito menos propensos a visitar os Estados Unidos nos próximos dois ou três anos se as mudanças entrarem em vigor. Apenas 12% disseram que estariam mais inclinados a viajar ao país, resultando em um declínio líquido significativo na intenção de viagem.
O estudo do WTTC aponta ainda que a política tende a afetar a percepção do destino. Para a maioria dos respondentes, as novas exigências tornariam os Estados Unidos menos acolhedores e menos atrativos tanto para viagens de lazer quanto de negócios. A maior parte dos entrevistados avalia que a medida prejudicaria a prosperidade econômica do país e teria pouco impacto positivo sobre a segurança pessoal.
Segundo Guevara, mesmo pequenas alterações no comportamento dos visitantes podem gerar consequências econômicas relevantes para o turismo em um mercado global altamente competitivo. Quando comparada a outros grandes destinos, como Reino Unido, Japão, Canadá e países da Europa Ocidental, a política de entrada dos Estados Unidos é percebida, segundo o WTTC, como mais intrusiva.
A análise destaca que, em um cenário no qual o país já perdeu cerca de 11 milhões de visitantes entre 2019 e 2025, as mudanças propostas ampliam o risco de retração do turismo receptivo e de perda de competitividade dos EUA no mercado global.







