
A proposta de fusão entre Azul e Gol levaria as companhias a uma participação de 62% no mercado doméstico de aviação, patamar jamais aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no setor. O histórico de decisões do órgão mostra que a maior fusão permitida até hoje atingiu 44% de concentração, de acordo com o Estadão.
A Azul defende a fusão como uma tendência global. O CEO da empresa, John Rodgerson, argumenta que o percentual é semelhante ao de companhias estrangeiras, como Air Canada, Avianca e TAP. A Gol preferiu não se manifestar.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que, em 2024, a Azul transportou 31,3% dos passageiros em voos nacionais, enquanto a Gol respondeu por 30,1%. Somadas, superam a maior concentração já registrada no setor, de 47,6% pela TAM em 2007.
A Gol enfrenta um processo de recuperação judicial, com dívidas de R$ 20 bilhões. A fusão com a Azul, segundo executivos do setor, fortaleceria a operação financeira das empresas, mas também deve enfrentar resistência do Cade, que pode reprovar, aprovar com restrições ou exigir medidas para reduzir a concentração. Entre as possibilidades, está a devolução de slots em aeroportos estratégicos.
A previsão é que o julgamento ocorra em até 12 meses. Integrantes do Cade afirmam que a análise é complexa e não há garantias de aval à operação.






