MSC Seaview e Costa Diadema vão abrigar delegações de 98 países com preço das diárias abaixo do mercado
Navios terão prioridade para delegações de 98 países com diárias abaixo dos preços de mercado (Divulgação/MSC)

Para enfrentar o déficit de hospedagem em Belém durante a COP30, o governo federal concluiu nesta quarta-feira (16) a contratação dos navios MSC Seaview e Costa Diadema como unidades temporárias de acomodação. Com capacidade para abrigar até 6 mil pessoas, os cruzeiros oferecerão cerca de 3.900 cabines. A operação foi viabilizada com uma garantia pública de R$ 259 milhões, valor que só será repassado caso as cabines não sejam ocupadas.

A contratação foi feita por meio de chamamento público liderado pela Embratur, com intermediação da operadora de viagens Qualitours. A Secretaria Extraordinária da COP30 também participou do processo. Os navios ficarão atracados no Terminal Portuário de Outeiro, que passa por obras de revitalização.

A primeira fase da ocupação das embarcações será direcionada a 98 países em desenvolvimento e ilhas de pequeno porte, com diárias de até US$ 220. Fazem parte desse grupo nações como Angola, Haiti, Honduras e Cabo Verde. As reservas serão feitas por meio de um site restrito às delegações, ainda fora do ar para o público geral.

A segunda fase está prevista para a próxima semana e abrangerá delegações de outros países, com diárias de até US$ 600. As cabines, que variam de quartos simples a suítes presidenciais, serão destinadas a comitivas técnicas e dirigentes. Chefes de Estado ficarão hospedados em hotéis próximos ao local do evento, conforme explicou o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia.

“A ideia é acomodá-los na rede hoteleira e outros locais que sejam compatíveis com a necessidade desses chefes. Tem todo um protocolo, desde a chegada ao aeroporto”, afirmou Correia. Segundo ele, a proposta buscou garantir a presença de todos os países, com custos inferiores aos valores cobrados no mercado local.

Relatos de diárias que chegavam a US$ 2 mil e falta de banheiros privativos haviam gerado críticas internacionais e ameaças de redução de comitivas, principalmente entre países da África, Europa e Oceania. O risco de ausência de representantes da sociedade civil também foi discutido em reuniões preparatórias realizadas na Alemanha.

A ONU será responsável pela mediação da ocupação das cabines entre os países signatários da Convenção-Quadro. O fornecimento de combustível das embarcações deve ser feito pela Petrobras. Além dos navios, o plano de hospedagem inclui redes hoteleiras e imóveis de aluguel por temporada.

A expectativa é que a COP30, marcada para ocorrer de 10 a 21 de novembro, reúna cerca de 50 mil pessoas em Belém. A Secretaria afirma que a prioridade é garantir acomodações para as delegações oficiais, mas estuda opções de hospedagem acessível para outros grupos, como a imprensa e observadores independentes.