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Viagens de negócios devem bater recorde de US$ 1,57 tri em 2025, com alta de 6,6% no setor (Negative Space/Pexels)

Apesar das incertezas econômicas e comerciais, os gastos globais com viagens de negócios devem atingir um novo recorde histórico de US$ 1,57 trilhão em 2025, segundo a mais recente edição do Business Travel Index Outlook, relatório anual da Global Business Travel Association (GBTA). O crescimento projetado é de 6,6% em relação a 2024, refletindo uma recuperação mais sólida, porém com ritmo moderado e desigual entre mercados e setores.

Em 2024, os gastos com viagens corporativas chegaram a US$ 1,47 trilhão – um recorde nominal, mas ainda 14% abaixo dos níveis pré-pandemia quando ajustados à inflação. A previsão para 2026 é ainda mais otimista: alta de 8,1%, com expectativa de ultrapassar US$ 2 trilhões até 2029, um ano após o que havia sido estimado anteriormente.

“Enquanto antecipamos com cautela um novo recorde nos gastos com viagens de negócios este ano, o cenário mantém-se estável, mas o caminho a seguir é mais complexo”, afirmou Suzanne Neufang, CEO da GBTA. Ela cita como principais desafios as pressões inflacionárias, mudanças nas cadeias de abastecimento e a volatilidade nas políticas comerciais globais.

Principais mercados e setores revelam caminhos distintos para a retomada

De acordo com o relatório, os Estados Unidos devem reassumir a liderança no setor em 2025, com US$ 395,4 bilhões em gastos, seguidos pela China (US$ 373,1 bilhões). Juntas, as duas potências responderão por 58% dos gastos nos 15 principais mercados mundiais. Índia, Coreia do Sul e Turquia são os países com maior crescimento, enquanto Espanha e Países Baixos devem apresentar estagnação ou leve retração.

Setorialmente, a indústria transformadora e o comércio grossista seguem como os mais expostos a riscos, devido à sensibilidade ao comércio global. Por outro lado, setores como Artes & Entretenimento e Serviços Profissionais já superaram os níveis pré-pandemia, com crescimentos acima de 20%. A projeção para os próximos anos indica expansão acelerada em Mineração e Tecnologia da Informação e Comunicação, enquanto Agricultura tende à estagnação.

Projeções da GBTA seguem cautelosas com o cenário global

A pesquisa da GBTA também mostra que o sentimento entre os viajantes corporativos permanece forte. 86% dos entrevistados em 33 países afirmam que as viagens são “úteis”, e mais de 80% dizem estar viajando tanto ou mais do que em 2019. O gasto médio por viagem subiu de US$ 834 para US$ 1.128, e a maioria (74%) fez entre uma e cinco viagens no último ano. As formações e conferências são os principais motivos para os deslocamentos.

A GBTA ressalta, no entanto, que o crescimento dos próximos anos – projetado em 6,4% para 2027 e 6,3% para 2028 – dependerá diretamente da evolução (ou agravamento) das tensões comerciais globais. Tanto que as estimativas para 2025 e 2026 foram revistas para baixo em relação ao relatório anterior: de 10,4% para 6,6% e de 9,2% para 8,1%, respectivamente.