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Maristela Lucas, Marketing Specialist na Global Pays e Aleiko Bezerra, Founder da Orlando Rent Car (Divulgação)

Empresas americanas que vendem para o público brasileiro têm buscado alternativas para facilitar o pagamento por consumidores que mantêm vínculo financeiro com o Brasil. Uma dessas soluções vem sendo oferecida pela Global Pays, fintech fundada por brasileiros, que criou uma estrutura de pagamentos cross-border com liquidação em dólar no dia seguinte, inclusive em transações parceladas.

A proposta da empresa é atender uma demanda crescente por métodos de pagamento locais, como o Pix e o parcelamento com cartão de crédito nacional, que não são tradicionalmente aceitos por negócios baseados nos Estados Unidos. Com a ferramenta, empresas conseguem receber em reais e automatizar a conversão para dólar, reduzindo custos operacionais e simplificando o fluxo de caixa.

A operação, segundo a empresa, está em conformidade com normas do Banco Central do Brasil e do FinCEN (órgão americano de combate a crimes financeiros), e inclui sistemas de validação de identidade, análise de risco e monitoramento antifraude.

Casos práticos e impacto financeiro

Negócios com forte presença de clientes brasileiros têm relatado impacto direto na conversão de vendas. É o caso da Orlando Rent Car, empresa americana de locação de veículos voltada ao turismo familiar. Segundo Aleiko Bezerra, fundador da companhia, o principal entrave era operacionalizar o recebimento em reais. A nova estrutura permitiu o recebimento direto em dólar, com câmbio automatizado e menos custos com transações internacionais.

A empresa aponta ainda que a adoção do Pix e do parcelamento reduziu as taxas cobradas por processadoras tradicionais e ampliou a previsibilidade financeira da operação.

Conversão de vendas e novos públicos

Nos primeiros meses de funcionamento, a fintech observou aumento nas taxas de conversão de até 30% entre empresas que passaram a oferecer formas de pagamento locais. Em segmentos com tíquete médio mais elevado, como consultorias e serviços especializados, a elevação chegou a 50%, segundo dados fornecidos pela Global Pays.

O parcelamento, segundo a empresa, também tem contribuído para ampliar o acesso a produtos e serviços de maior valor agregado. Dados do Banco Central mostram que cerca de 70% dos brasileiros residentes no exterior mantêm contas bancárias ativas no país, o que favorece esse tipo de operação.

Setores mais impactados e tendências

Turismo, aluguel de veículos, serviços jurídicos, estética e saúde estão entre os setores que mais têm adotado a estrutura, com o objetivo de reduzir o atrito no momento do pagamento e acelerar a liquidação em moeda forte. O modelo também tem chamado atenção de empresas que atuam com recorrência de clientes do Brasil e que desejam simplificar a burocracia cambial.

Além do aspecto técnico, a empresa aposta em suporte consultivo para adaptar negócios americanos às exigências fiscais e operacionais brasileiras – ponto sensível para companhias que estão iniciando esse tipo de relacionamento comercial.

Expansão e novos mercados

Com a operação consolidada nos Estados Unidos, a Global Pays planeja expandir para Europa e Canadá, além de incluir parcelamento no cartão internacional como parte do portfólio. O foco, segundo a fintech, continuará sendo facilitar a relação de empresas estrangeiras com consumidores brasileiros, com menos complexidade operacional e mais previsibilidade no câmbio.