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A Canla representa mais de 70 organizações de 13 países e integra a Climate Action Network (CAN)(Divulgação/Cristiano Martins/ Ag. Pará)

A Climate Action Network Latin America (Canla), coalizão de ONGs ambientais da região, criticou os altos preços da hospedagem em Belém durante a realização da COP30. Em declaração na segunda-feira (4), a entidade afirmou que a escalada nas tarifas compromete a participação da sociedade civil no evento, previsto para novembro de 2025.

A Canla representa mais de 70 organizações de 13 países e integra a Climate Action Network (CAN), que reúne 1.900 ONGs no mundo. Segundo a coalizão, os custos elevados atingem especialmente entidades com orçamentos reduzidos, em um cenário de inflação global e cortes no financiamento climático.

A preocupação sobre infraestrutura em Belém não é nova, mas ganhou força política após a divulgação de uma carta assinada por representantes de 27 países na semana passada. O documento cobra medidas do governo brasileiro para garantir a viabilidade logística do evento.

Plataforma instável e soluções improvisadas

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Celso Sabino rebate pressão internacional por preços altos e garante obras em dia para a COP30 (Janaina Brito/M&E)

Após meses de atraso, o governo lançou na sexta-feira (1º) a plataforma oficial de hospedagem da COP30. O sistema reúne cerca de 2.700 quartos e foi precedido por uma etapa exclusiva para delegações internacionais, que ofereceu 2.500 acomodações com tarifas entre US$ 100 e US$ 600 por diária. A reação foi negativa: 25 países solicitaram reunião com a ONU para questionar preços, qualidade das acomodações e a real capacidade da cidade.

Com longas filas virtuais e relatos de instabilidade, a plataforma concentra principalmente imóveis residenciais temporariamente desocupados e motéis adaptados. As exigências incluem estadias mínimas entre 5 e 15 dias, o que restringe o acesso para entidades com permanência mais curta.

O governo afirma que Belém tem capacidade suficiente, com 53 mil leitos disponíveis, incluindo hotéis (14.547), navios (6 mil), residências de temporada via imobiliárias (10.004) e imóveis cadastrados no Airbnb (22.452). Cerca de 60% dessa oferta depende de moradias particulares.

Entre as soluções adicionais estudadas estão o uso de navios de cruzeiro e imóveis do programa Minha Casa Minha Vida — ainda em construção — como alojamentos temporários. Para abrigar os cerca de 900 agentes da Polícia Rodoviária Federal mobilizados para a operação, o governo estuda utilizar salas de aula.

O ministro do Turismo, Celso Sabino, admitiu o atraso no lançamento da plataforma, que classificou como “delayzinho”, mas garantiu que o governo federal trabalha para eliminar “qualquer argumento” contra a realização da conferência em Belém.

Diárias elevadas

O preço segue como principal obstáculo. Nesta terça-feira (6), a diária mais barata disponível no site era de US$ 200 por pessoa, com pacote mínimo de cinco dias — cerca de R$ 5,2 mil no total. Motéis oferecem pacotes com diárias de US$ 410 por 15 dias, o que eleva o custo a R$ 33,9 mil.

Lideranças da sociedade civil apontam que a infraestrutura precária e os altos custos colocam em risco o engajamento popular no maior evento climático do planeta. Para a Canla, a ausência de soluções acessíveis fere o princípio de participação qualificada da sociedade civil no processo da COP30.