Muito além do palco: como os eventos culturais movimentam o Turismo
Patrícia Leão, da Brazilian Nights (Divulgação)

Eventos culturais já não são mais apenas entretenimento: são estratégia de destino. Cada festival, cada turnê e cada espetáculo brasileiro nos Estados Unidos movimenta toda a indústria do turismo. São passagens, hotéis, restaurantes, transporte e tudo isso cria novas oportunidades de produtos e experiências para o trade turístico.

Na Flórida, esse movimento tem trazido novos protagonistas para a cena. A Velloni Produções, comandada por Rodrigo Velloni e Vinicius Precioso, vem consolidando um portfólio de peso trazendo grandes nomes do humor e da música para os palcos norte-americanos. Produziram a primeira turnê de Fábio Porchat nos EUA, com sessões esgotadas em oito cidades. Agora, em outubro, será a vez da comediante Bruna Louise desembarcar em Orlando, Miami, Nova York e outras cidades com o stand-up O Que Passa na Cabeça Dela.

E não se trata apenas de entretenimento. Os números mostram a força econômica desses eventos. No condado de Miami-Dade, por exemplo, o setor de artes e cultura gera US$ 2,1 bilhões anuais e sustenta mais de 31 mil empregos. Já no condado de Palm Beach/Martin, a atividade cultural movimentou US$ 366 milhões em 2022. Até mesmo eventos comunitários, como o Gasparilla Pirate Festival, em Tampa, chegam a gerar mais de US$ 40 milhões para a economia local.

Ou seja: o impacto vai muito além do palco. Cada apresentação é acompanhada de uma engrenagem de turismo, reservas de hotéis, deslocamentos entre cidades, guias, compras, restaurantes e até extensões de estadia. “O público sente falta de artistas brasileiros, e os artistas também querem viver essa experiência em cidades icônicas dos Estados Unidos”, destaca Rodrigo Velloni.

Muito além do palco: como os eventos culturais movimentam o Turismo
Rodrigo Velloni e Vinicius Precioso, da Velloni Produções (Divulgação)

Na Costa Oeste americana, Patrícia Leão, da Brazilian Nights, compartilha da mesma visão. Ela produziu 22 festivais de verão em Los Angeles e trouxe nomes como Marisa Monte, Caetano e Lulu Santos para os palcos americanos. Para Patrícia, esses eventos funcionam como “embaixadores da cultura brasileira”: aproximam latinos, americanos e brasileiros expatriados, criando uma atmosfera em que todos “se sentem brasileiros por um dia”.

A Flórida já recebeu produções de Patrícia, como o evento que reuniu 400 pessoas em Miami para o lançamento do filme Rio 2, entrando no Guinness Book. Mas ela reconhece que ainda há espaço para estruturar melhor o destino como palco para artistas brasileiros, principalmente em Orlando e Tampa.

Para o trade, a mensagem é clara: eventos culturais são motores de turismo e de identidade. O turista que já vai aos parques pode incluir uma noite de humor ou música brasileira no roteiro. O residente brasileiro encontra nesses espetáculos a chance de matar a saudade de casa. Eu mesma não perco um show em Orlando! E o visitante americano descobre um Brasil vibrante, ao vivo e em cores.

Mais do que shows, estamos falando de produtos turísticos prontos para serem trabalhados em parceria com operadoras e agências. Para quem produz, são negócios. Para o trade, são oportunidades de diversificação. E para o público, são memórias inesquecíveis, daquelas que fazem qualquer viagem valer ainda mais a pena.