IATA expõe falha na gestão do tráfego aéreo na Europa; atrasos sobem 114%
Falta de pessoal e limites de capacidade explicam 87% dos atrasos no período.(Freepik/Wirestock)

Os atrasos no controle de tráfego aéreo na Europa mais do que dobraram na última década, segundo relatório divulgado pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). A análise mostra que os minutos perdidos em Air Traffic Flow Management (ATFM) cresceram 114% entre 2015 e 2024, enquanto o número de voos subiu apenas 6,7% no mesmo período, um descompasso que afeta diretamente passageiros e operações.

O estudo desconsidera atrasos provocados por clima adverso e não inclui cancelamentos relacionados a greves de controladores. Segundo a Iata, as principais causas são conhecidas há anos: limitações de capacidade e falta de pessoal, especialmente nos provedores de navegação aérea de França e Alemanha, responsáveis por mais da metade de todos os atrasos. Para a entidade, a situação já ultrapassou o limite do aceitável. “Estamos vendo as consequências da incapacidade da Europa de enfrentar o problema”, critica Willie Walsh, diretor-geral da Iata. “Os passageiros foram prometidos com um Céu Único Europeu, mas viram os atrasos mais do que dobrarem.”

No acumulado de 2015 a outubro de 2025, 7,2 milhões de voos sofreram atraso, 6,4 milhões por até 30 minutos e 700 mil por períodos superiores a meia hora. Em 2024, os atrasos somaram 30,4 milhões de minutos, sendo 38% concentrados em julho e agosto, auge da temporada de verão. Os gargalos de capacidade e pessoal representaram 87% dos atrasos atribuídos aos provedores de navegação aérea, enquanto problemas de staffing, excluindo greves, cresceram 201,7% desde 2015.

As paralisações também ganharam força: 9,8 milhões de minutos de atraso ao longo de dez anos foram causados por greves no controle de tráfego aéreo, mesmo considerando a queda drástica de voos durante a pandemia. Para Walsh, a pressão política tem sido mal direcionada. “Enquanto se discute ampliar compensações aos passageiros no EU261, a causa central do problema passa sem ação ou punição.”

A Iata deve atualizar os dados quando as estatísticas completas de 2025 forem divulgadas.