
RIO DE JANEIRO – Durante o Routes America 2026, Kerry Fountain, do Bahamas Out Islands Promotion Board, e Valery Brown-Alce, do Ministério do Turismo das Bahamas, detalharam como o destino alcançou 12,5 milhões de visitantes em 2025, quais mercados mais cresceram, incluindo o Brasil, e as estratégias para ampliar a permanência dos turistas nas ilhas ao longo dos próximos anos.
O arquipélago das Bahamas encerrou 2025 com 12,5 milhões de visitantes, o maior volume já registrado pelo destino. O dado foi confirmado por Valery Brown-Alce, Deputy Director of Tourism do The Bahamas Ministry of Tourism, Investments and Aviation, que destacou o peso das chegadas marítimas e aéreas no resultado. “Uma grande parte veio de chegadas marítimas e aéreas e o empolgante é que este foi o maior volume de turismo que já recebemos”, celebra.
Segundo ela, o país possui 700 ilhas, mas promove 16 destinos turísticos estruturados “É mais do que uma ilha, é uma vida inteira delas”. A estratégia recente reforça a divulgação além de Nassau e Paradise Island, incentivando o visitante a conhecer outras regiões em uma espécie de Bucket-List das Bahamas. “A oportunidade está em as pessoas criarem uma lista de ilhas nas Bahamas que possam visitar ao longo da vida”, explicou.
O Brasil aparece entre os principais mercados emissores da América Latina
De acordo com Valery, o desempenho brasileiro alterna a liderança regional com o México, dependendo do mês analisado. “O Brasil é um mercado de alto desempenho para nós e, em termos de crescimento na América Latina, vemos isso vindo do mercado brasileiro”, ressalta
Ela acrescentou que também houve crescimento de mercados como Colômbia e Argentina e relatou reuniões com companhias aéreas brasileiras para discutir possíveis ligações diretas. “Um deles (encontros) foi próximo ao Routes, conversando com companhias aéreas brasileiras que poderiam voar do Brasil para as Bahamas. Isso foi uma notícia muito encorajadora.”
Além da ampliação da conectividade, o destino aposta em afinidades culturais para atrair o público brasileiro: “vocês gostam de aproveitar a vida e valorizam a família. Para o país, as viagens em família são algo muito importante. “Culturalmente, as conexões familiares também são fortes para nós. Sabemos também que vocês gostam de comida, gostam de música e cultura é uma grande parte das ilhas das Bahamas”, disse.
No segmento de sol e praia, Valery destacou características naturais como faixas de areia rosa e branca e a prática de esportes. “Queremos que os brasileiros vivenciem como é a nossa vida de praia”, comentou, mencionando ainda o interesse em aproximar experiências esportivas, como futebol e vôlei, da vivência nas ilhas.
Enquanto o Ministério trabalha a promoção institucional das Bahamas, o setor privado atua de forma complementar

Kerry Fountain, Executive Director do Bahamas Out Islands Promotion Board, explicou que o board representa uma associação de hotéis das chamadas Out Islands e opera como entidade de promoção voltada à iniciativa privada. Sob o guarda-chuva do ministério, existem três boards: um para Nassau Paradise Island, outro para Grand Bahama Island e o das Out Islands. “O nosso foco é estimular a hospedagem nos hotéis membros da associação”, explica.
Embora o país registre recordes, Fountain esclareceu que a maior parte do crescimento recente está concentrada no segmento de cruzeiros. “Nosso destino é o principal porto de cruzeiros do Caribe”, celebra. O dado, segundo ele, representa oportunidade: “recebemos um pouco mais de 10 milhões de visitantes de cruzeiros por ano. E seis em cada dez dizem que querem voltar para uma férias com hospedagem em terra”. A estratégia agora é transformar parte desse fluxo em estadias mais longas em terra.
Entre as prioridades está facilitar o acesso às ilhas além de Nassau
Fountain citou conexões via Panamá e a necessidade de tornar o deslocamento interno mais simples e acessível no mesmo dia da chegada internacional. Como incentivo, o board oferece subsídio aéreo para quem se hospeda nas Out Islands. Assim que um passageiro chega a Nassau e se hospeda em um dos hotéis membros por quatro noites, a passagem aérea de ida e volta entre Nassau e aquela ilha é gratuita. E se o viajante ficar sete noites, as duas passagens entre Nassau e as Out Islands são gratuitas.
Ela também destacou o perfil menos adensado das ilhas. O país tem cerca de 404 mil habitantes, sendo quase 300 mil concentrados em New Providence e Paradise Island. Ilhas como Abaco, Exuma e Eleuthera têm populações significativamente menores, o que sustenta a estratégia de oferecer destinos com menor fluxo.
Ao recomendar destinos nas Bahamas, Fountain citou Long Island, ressaltando praias extensas e a hospitalidade local. Já Valery destacou a busca por experiências comunitárias e hospedagens menores: “gosto de lugares isolados, algo mais simples, baseado na comunidade, onde eu possa conhecer as pessoas”, declarou.
Com recorde histórico de visitantes, foco na diversificação das ilhas promovidas e atenção especial ao mercado brasileiro, as Bahamas estruturam uma estratégia que combina conectividade aérea, incentivos à permanência e promoção segmentada. O desafio agora é converter o volume expressivo de cruzeiristas em turistas de estadia, ampliando o impacto econômico nas ilhas e consolidando a América Latina, especialmente o Brasil, como mercado prioritário nos próximos anos.







