
A forma de embarcar no Brasil está mudando rápido e sem muito alarde. Dados recentes da Latam Brasil mostram que 90% dos passageiros já utilizam o check-in automático, enquanto 60% passaram a usar o despacho autônomo de bagagem ao longo de 2025. O avanço indica uma virada no comportamento do viajante, que agora prioriza agilidade, menos filas e mais controle sobre a própria jornada.
No total, mais de 31,3 milhões de passageiros tiveram o cartão de embarque emitido automaticamente no último ano. O número chama atenção principalmente quando comparado ao início da operação, em 2020, quando apenas 45% aderiam ao recurso. Em poucos anos, o que era novidade virou padrão.
Menos fila virou regra
Na prática, a mudança é sentida logo na chegada ao terminal. Quem viaja sem bagagem despachada, por exemplo, já não precisa passar por balcões antes do embarque. Hoje, cerca de 68% desses passageiros seguem direto para o portão de embarque.
Isso altera completamente o fluxo dentro dos aeroportos. Menos filas, menos espera e uma sensação de processo mais fluido. Ao mesmo tempo, libera o atendimento presencial para casos mais complexos, reduzindo gargalos operacionais.
Despacho autônomo cresce nos principais aeroportos
O despacho de bagagem também entrou nessa nova lógica. Em 2025, mais de 2,3 milhões de malas foram despachadas de forma autônoma. O passageiro etiqueta, pesa e envia a bagagem sem precisar interagir com um atendente no embarque.
A expansão da tecnologia acompanha esse crescimento. Hoje, o serviço já está disponível em 12 aeroportos brasileiros, incluindo alguns dos mais movimentados do país, como Guarulhos, Congonhas, Brasília e Galeão.
Tecnologia tenta antecipar problemas
A transformação não se limita ao autoatendimento. Por trás da experiência mais simples, há um investimento crescente em inteligência artificial e automação voltado a reduzir falhas operacionais e dar mais previsibilidade à viagem.
Ferramentas de rastreamento de bagagem passaram a ser incorporadas ao sistema da LATAM Brasil, permitindo que o passageiro acompanhe o trajeto da mala em tempo real. O recurso também auxilia a companhia a agir com mais rapidez em casos de desencontro logístico.
Na prática, isso significa encurtar o tempo de resposta. Sistemas internos conseguem identificar inconsistências ainda durante o fluxo da operação, como bagagens que não seguiram no mesmo voo, e acionam alertas automáticos. O passageiro é avisado antes mesmo de precisar procurar atendimento.
O uso de dados também ganha peso nesse cenário. A análise de padrões operacionais permite antecipar gargalos, redistribuir fluxos e evitar que pequenos erros se transformem em problemas maiores ao longo da jornada.
Na avaliação de Rafael Walker, diretor de Transformação de Serviços da companhia, “o aumento da adesão mostra que os passageiros valorizam uma experiência mais simples, fluida e eficiente”.
A experiência continua depois do embarque
A digitalização também avança dentro da aeronave e passa a fazer parte da rotina de viagem. O wi-fi já cobre todos os voos domésticos da companhia, ampliando as possibilidades de uso durante o trajeto.
Além da conectividade a bordo, novas soluções começam a ganhar espaço fora do avião. Os chips virtuais, por exemplo, permitem ativação rápida de dados móveis, eliminando a necessidade de troca de SIM físico ao chegar ao destino.
O impacto é direto na autonomia do passageiro. A conexão deixa de ser um ponto de preocupação e passa a ser um recurso integrado à viagem, disponível desde o embarque até a chegada.
Um novo padrão de viagem já em curso
O que começou como ajuste operacional se consolidou como mudança de comportamento. O passageiro se acostumou a resolver etapas por conta própria e passou a priorizar jornadas mais diretas.
Esse movimento pressiona o setor a rever processos tradicionais. A tendência é de redução gradual de etapas presenciais e maior integração entre sistemas, com menos intervenção manual ao longo do percurso.
A evolução não elimina imprevistos, mas altera a forma como eles são tratados. Com mais informação disponível e respostas mais rápidas, o impacto tende a ser menor para quem viaja.
Ao mesmo tempo, aeroportos e companhias caminham para um modelo em que a maior parte da experiência acontece fora do balcão. O embarque deixa de ser um processo fragmentado e passa a funcionar como um fluxo contínuo, cada vez mais automatizado.
A mudança não se resume à tecnologia adotada. Ela reorganiza a lógica da viagem e redefine a relação do passageiro com o tempo dentro do aeroporto.








