BRUNO
Bruno Wendling, Diretor-presidente da Fundtur-MS e Rosa Masgrau, do M&E – Autor apresenta conceito de design de destinos e discute gestão, tempo e governança no turismo (Beatriz Waehneldt/M&E)

SÃO PAULO – Durante a WTM-LA 2026 (14), o Bruno Wendling, Diretor-presidente da Fundtur-MS, apresentou o lançamento de seu livro sobre gestão de destinos turísticos, no qual propõe o conceito de “design de destinos”. A fala reuniu colegas, parceiros e familiares, abordando sua trajetória de 26 anos no turismo, as bases do novo conceito e a necessidade de repensar práticas de gestão territorial. O encontro ocorreu em formato de apresentação seguida de reflexão sobre mercado, governança e inovação, com o objetivo de compartilhar aprendizados práticos e contribuir para o debate sobre o desenvolvimento do turismo.

Bruno apresentou ao público o lançamento de seu livro sobre gestão de destinos turísticos, destacando que a proposta não é oferecer um modelo rígido. “A gestão é isso, tá? Ela não é engessada”, afirmou. Segundo ele, o conteúdo busca compartilhar reflexões construídas ao longo de 26 anos de atuação no setor.

O autor relembrou o início de sua trajetória, em 1998, quando teve o primeiro contato com o termo turismo. “Eu vi a palavra turismo a primeira vez. Eu fui capturado por essa palavra”, disse. A partir desse momento, descreveu uma carreira construída com base em experiências práticas, conexões profissionais e desenvolvimento de projetos.

“Design de destinos”, de Bruno Wendling, propõe nova leitura da gestão turística

WTM-LA 2026: Bruno Wendling lança conceito de “design de destinos” e questiona modelos tradicionais
Bruno Wendling, Diretor-presidente da Fundtur-MS, autografando livro (Beatriz Waehneldt/M&E)

Durante a apresentação, Bruno ressaltou que o livro surge também como forma de retorno ao setor. “É uma forma também de devolver esses anos que o turismo me deu”, afirmou. Ele destacou a presença de colegas e parceiros que participaram de sua trajetória e mencionou a importância da construção coletiva no desenvolvimento de ideias.

O conteúdo da obra foi estruturado a partir de experiências práticas e não tem a pretensão de ser um material acadêmico. “Não tenho a pretensão de ser um escritor”, disse. O autor afirmou que o objetivo é apresentar “bons insights” aplicáveis à gestão, reconhecendo que o material não esgota o tema. “O livro não vem para solucionar nenhum problema”, completou.

Um dos pontos centrais apresentados foi o conceito de “design de destinos”, que, segundo Bruno, ainda não se configura como uma metodologia formal. “Ele é um conceito mesmo que propõe trazer novas análises”, explicou. A ideia surgiu a partir de reflexões sobre o papel do gestor e a dinâmica da atividade turística.

O autor destacou que a gestão de destinos envolve múltiplos fatores e não segue uma lógica linear. “Você não senta na cadeira numa instituição pública ou privada e segue um plano à risca”, afirmou. Para ele, a atividade é marcada por ajustes constantes e pela necessidade de adaptação. Outro aspecto abordado foi a importância de compreender o destino como um território dinâmico. “O destino não é um ponto no mapa, mas é uma construção de sentido”, disse. Segundo Bruno, essa construção envolve identidade, cultura local e percepção do visitante.

A obra também discute elementos como autenticidade e diferenciação

WTM-LA 2026: Bruno Wendling lança conceito de “design de destinos” e questiona modelos tradicionais
Bruno Wendling, Diretor-presidente da Fundtur-MS, apresentando livro na WTM-LA 2026 (Beatriz Waehneldt/M&E)

O autor destacou que, embora esses conceitos sejam recorrentes no setor, o desafio está na aplicação prática. “Como é que a gente traz a questão da autenticidade na prática?”, questionou. Bruno enfatizou ainda o papel da governança e da articulação entre atores públicos e privados. Para ele, o gestor deve atuar além da estrutura institucional. “Não sou um gestor de uma instituição. Eu entendo que sou um gestor de um território”, afirmou.

A questão do tempo também foi apresentada como elemento central na gestão de destinos. O autor destacou a diferença entre o tempo do turista, o tempo da gestão pública e o tempo de desenvolvimento do destino. “O tempo do destino é muito maior do que o tempo da nossa gestão”, explicou. Nesse contexto, ele defendeu a necessidade de continuidade nas políticas públicas e planejamento de longo prazo. Segundo Bruno, a tomada de decisão deve considerar o estágio de maturidade do destino e suas condições reais de desenvolvimento.

O livro também aborda temas como inteligência de mercado, uso de dados, inovação e tecnologia. O autor citou exemplos práticos de ferramentas que auxiliam na tomada de decisão e reforçou que o diferencial está na forma como essas ferramentas são utilizadas. Outro ponto discutido foi a construção de identidade e imagem dos destinos turísticos. Bruno destacou que a criação de marcas vai além do aspecto visual. “Não é só criar uma marca”, disse. Para ele, a comunicação deve estar alinhada à realidade do território e à sua identidade.

Ao longo da apresentação, o autor reforçou a importância da responsabilidade na gestão do turismo, incluindo aspectos relacionados à sustentabilidade e ao impacto das atividades no território. Segundo ele, esses elementos devem ser considerados na construção de estratégias e políticas.