O Brasil reúne atributos consistentes para disputar espaço no mercado global de MICE, combinando infraestrutura, diversidade de destinos e um setor cada vez mais qualificado, contudo, desafios ainda persistem.
A seguir, lideranças do setor respondem ao M&E: o Brasil está, de fato, preparado para competir globalmente no MICE ou ainda perde espaço por falta de integração estratégica?
Toni Sando, presidente da Unedestinos:

“O Brasil tem ativos importantes para competir no mercado global de MICE, como diversidade de destinos, rede hoteleira diversa e com excelência em serviços, além de excelentes centros de convenções. O país também vem alcançando um maior protagonismo na América Latina, como foi provado com a conquista da 15ª posição no ranking da International Congress and Convention Association (ICCA), divulgado ano passado, liderando inclusive entre os países latino-americanos. Esse resultado demonstra claros avanços na captação de eventos internacionais.”
Alexandre Nakagawa, gerente de Negócios e Estratégias para o Mercado Internacional na Embratur:

“O Brasil reúne atributos competitivos sólidos para o segmento MICE, como infraestrutura especializada, serviços profissionais e conectividade aérea para sediar eventos internacionais. O que temos hoje é uma estratégia consistente e de longo prazo para consolidar o Brasil como um destino cada vez mais competitivo no mercado global de eventos. Os resultados recentes demonstram que o país avançou significativamente, e seguimos trabalhando de forma integrada com todo o setor (público e privado) para ampliar ainda mais a presença do Brasil no calendário do segmento MICE Global.”
Paulo Ventura, presidente do Conselho da Ubrafe:

“O Brasil tem plenas condições de competir globalmente no setor MICE e, em muitos casos, já compete. Nossa indústria de feiras de negócios está entre as mais relevantes do mundo, temos centros de convenções modernos e uma cadeia de organizadores, fornecedores e profissionais altamente qualificados. O que ainda nos impede de avançar mais rápido não é falta de capacidade. É, principalmente, falta de coordenação. Enquanto vários países tratam o setor MICE como uma política estruturada de desenvolvimento econômico, com integração clara entre governo, destinos e iniciativa privada, no Brasil ainda operamos, muitas vezes, com excelentes iniciativas isoladas. Funcionam, entregam resultados, mas poderiam alcançar uma escala muito maior se houvesse uma estratégia nacional mais articulada.”
Orlando de Souza, presidente executivo do FOHB:

“O Brasil reúne condições bastante sólidas para competir globalmente no segmento de MICE. O país conta com diversas cidades estruturadas para a realização de eventos de diferentes portes, além de uma oferta consistente de resorts nos principais destinos turísticos. Soma-se a isso uma infraestrutura de redes hoteleiras que hoje é a mais completa da América Latina, capaz de atender com qualidade e escala às demandas do mercado internacional. Sem dúvida, há espaço para avanços, especialmente no que diz respeito à promoção internacional do Brasil. Uma estratégia mais robusta e integrada de promoção no exterior contribuiria significativamente para ampliar a competitividade do Brasil no mercado global de eventos.”
Enid Câmara, presidente da Abeoc:

“O Brasil tem todas as condições de competir globalmente no setor MICE. Somos um país com grande diversidade de destinos, infraestrutura em crescimento e profissionais reconhecidos pela criatividade e excelência na realização de eventos. No entanto, para transformar esse potencial em resultados ainda mais robustos, é essencial fortalecer a integração entre o poder público e a iniciativa privada, com planejamento estratégico, promoção internacional contínua e políticas públicas alinhadas às necessidades do setor. Quando essa parceria acontece de forma estruturada, o Brasil amplia sua capacidade de atrair grandes eventos e de gerar impacto positivo na economia e nos destinos.”
Marina Marinho, presidente do Fornatur:

“O Brasil possui um grande potencial para o desenvolvimento do setor de MICE. O país conta com infraestrutura relevante para receber eventos. Além disso, temos vantagens competitivas importantes: a diversidade cultural, a forte atratividade turística, a hospitalidade brasileira e um câmbio que pode tornar o país ainda mais competitivo para a realização de eventos internacionais. No entanto, ainda enfrentamos desafios significativos. É fundamental compreender que o MICE vai muito além do turismo. Ele envolve também universidades, centros de pesquisa, clusters industriais e associações profissionais. Por isso, é essencial fortalecer a integração entre o setor público e o setor privado, além de fomentar e estruturar melhor os convention bureaux, que desempenham papel estratégico na atração de eventos. É necessária uma estratégia integrada.”







