
A cultura do povo indígena Pataxó, originária de Porto Seguro (BA), atravessa fronteiras e chega à Europa como protagonista de uma experiência artística e sensorial. A exposição Aragwaksã – A Grande Conquista do Território será inaugurada no dia 15 de maio na Casa da Juventude de Pazardzhik, na Bulgária, onde permanece em cartaz até meados de junho, com circulação prevista por outras cidades, incluindo a capital Sófia.
O projeto amplia a presença da cultura indígena brasileira no circuito internacional e dialoga com um público europeu cada vez mais interessado em narrativas autênticas, marcadas por identidade, memória e espiritualidade.

Fotografia, ancestralidade e pertencimento
A exposição é assinada pelo fotógrafo e escritor baiano Pedro Nunes, que há mais de uma década documenta o cotidiano da Aldeia Pataxó da Jaqueira. Mais do que um registro visual, seu trabalho propõe uma imersão sensível na vivência indígena, construída a partir da escuta e da convivência.
O foco da mostra é o ritual Aragwaksã, celebrado anualmente em 1º de agosto, e considerado uma expressão de resistência e continuidade cultural. “Não é apenas uma festa, é um rito de permanência”, define o fotógrafo.
As imagens retratam elementos centrais da cultura Pataxó, como o Awê – com cantos e danças coletivas -, as pinturas corporais, a corrida de tora, a caça simbólica e o batismo com a terra. A dimensão sensorial também se faz presente, evocando texturas, cheiros e elementos naturais que ganham força por meio da linguagem visual.
Diálogo entre arte contemporânea e etnografia
Com curadoria de Uiler Costa, a exposição propõe uma abordagem que conecta arte contemporânea e etnografia, evitando estereótipos e valorizando o protagonismo indígena. O projeto conta com o apoio do Zenon Instituto Cultural, do Instituto Pataxó de Etnoturismo e da Casa da Juventude de Pazardzhik.
A iniciativa consolida uma rede de valorização cultural que conecta Brasil e Europa, promovendo não apenas a arte, mas também reflexões sobre identidade, território e preservação das tradições.

Porto Seguro além do turismo tradicional
Ao ganhar espaço em centros culturais europeus, o projeto também contribui para reposicionar Porto Seguro no cenário turístico. Conhecida historicamente pelo turismo de sol e praia, a cidade se afirma como território de produção cultural legítima, onde ancestralidade e contemporaneidade coexistem.
Aos 43 anos, Pedro Nunes soma mais de 2 mil obras comercializadas e se consolida como um dos nomes relevantes da fotografia documental contemporânea. Em seu trabalho, encontrou não apenas um tema, mas um compromisso: preservar e projetar a memória dos povos originários.
“Fotografar o Aragwaksã é registrar o que não pode ser apagado”, afirma.
A exposição, nesse contexto, assume um papel que vai além do artístico: torna-se um gesto político e poético, capaz de comunicar, emocionar e transformar o olhar de quem entra em contato com a cultura Pataxó.







