
O mercado de viagens corporativas segue em expansão no Brasil e registra crescimento nos gastos das empresas com deslocamentos profissionais. Levantamento realizado pela Vólus, especializada em meios de pagamento, gestão de despesas corporativas e frotas, mostra que o valor médio investido em viagens de trabalho cresce 45% no último ano.
Segundo a pesquisa, cada colaborador gasta, em média, R$ 20 mil por ano em deslocamentos a trabalho. O ticket médio por viagem chega a R$ 2.254. O estudo analisa dados de mais de 1.500 empresas e identifica uma média de cinco viagens corporativas realizadas por mês. O levantamento também aponta que o turismo de negócios segue concentrado principalmente em deslocamentos regionais.
De acordo com os números apurados, 80% das viagens corporativas ocorrem dentro do próprio estado. Já 18% correspondem a deslocamentos nacionais para outros estados brasileiros. Apenas 2% envolvem viagens internacionais. Para a Vólus, o crescimento dos gastos acompanha a retomada das agendas presenciais após o período de restrições provocado pela pandemia de Covid-19. O avanço do modelo híbrido de trabalho e o retorno gradual de reuniões presenciais também influenciam o aumento dos deslocamentos profissionais.
O vice-presidente da empresa, Antonio de Faria, afirma que as companhias voltam a investir em encontros estratégicos presenciais com equipes, clientes e parceiros comerciais. “Depois de um período em que as empresas reduziram drasticamente os deslocamentos, vemos uma retomada das viagens corporativas impulsionada pela maior adesão ao modelo de trabalho híbrido. Muitas organizações voltaram a apostar em encontros presenciais estratégicos, seja para alinhamentos internos ou reuniões com clientes, o que naturalmente aumenta a demanda por deslocamentos a trabalho pontuais com colaboradores que atuam em outros estados, principalmente”, declara Antonio de Faria.
Viagens corporativas impulsionam turismo de negócios
O crescimento identificado pela pesquisa acompanha um movimento observado em todo o setor de turismo corporativo no Brasil. Nos últimos anos, empresas retomam gradualmente eventos presenciais, convenções, treinamentos, visitas técnicas e reuniões comerciais em diferentes regiões do país. Segundo levantamento da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), realizado em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), os gastos das empresas com viagens corporativas já superam R$ 135 bilhões no mercado brasileiro.
O turismo de negócios possui impacto direto sobre diferentes segmentos da cadeia turística, incluindo hotelaria, aviação, locação de veículos, alimentação, eventos e transporte terrestre. Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte concentram parte relevante da movimentação corporativa no país. A retomada das viagens também acompanha o crescimento das feiras de negócios, congressos, encontros setoriais e eventos corporativos presenciais. Nos últimos dois anos, organizadores e empresas ampliam investimentos em experiências presenciais após o período de predominância das reuniões virtuais.
Segundo especialistas do setor, embora plataformas digitais continuem presentes na rotina corporativa, encontros presenciais permanecem relevantes para negociações comerciais, relacionamento com clientes e integração entre equipes. A tendência também aparece no cenário internacional. Pesquisa trimestral da Global Business Travel Association (GBTA), divulgada em janeiro deste ano, mostra que 59% dos profissionais do setor demonstram otimismo em relação ao desempenho do mercado global de viagens corporativas ao longo de 2026.
O levantamento internacional aponta expectativas positivas principalmente para os segmentos ligados à hotelaria corporativa, aviação executiva, eventos presenciais e gestão de viagens empresariais. Além do crescimento dos deslocamentos, as empresas também ampliam investimentos em ferramentas de controle financeiro e gestão de despesas corporativas. Plataformas digitais de monitoramento de gastos, cartões corporativos integrados e sistemas de prestação de contas ganham espaço entre organizações de diferentes portes.
Segundo Antonio de Faria, o avanço das viagens corporativas deve aumentar a demanda por soluções voltadas à administração dos recursos utilizados pelos colaboradores durante os deslocamentos. “A expectativa é que a demanda por soluções de gestão de despesas continue crescendo nos próximos anos, algo que vai demandar maior habilidade de gestão dos recursos para viagens por parte das empresas. Ao mesmo tempo em que dão apoio aos colaboradores durante os deslocamentos, as empresas conseguem garantir a organização sobre os gastos, evitando desperdícios e facilitando a prestação de contas”, afirma o executivo.
A pesquisa da Vólus também identifica períodos específicos de menor movimentação no turismo corporativo. Segundo o levantamento, os meses de janeiro, julho e dezembro registram os menores volumes de viagens de trabalho ao longo do ano. De acordo com Antonio de Faria, o comportamento acompanha o calendário corporativo brasileiro, marcado pelas férias escolares e pelas festas de fim de ano.
Nesses períodos, empresas costumam reduzir reuniões presenciais, treinamentos e agendas comerciais, o que impacta diretamente a demanda por passagens aéreas, hospedagem e transporte corporativo. Mesmo com oscilações sazonais, o mercado de viagens corporativas mantém crescimento contínuo desde a flexibilização das restrições sanitárias adotadas durante a pandemia. O turismo de negócios aparece entre os segmentos responsáveis pela recuperação de parte da demanda da hotelaria urbana e da aviação nacional.
A expansão do modelo híbrido também altera a dinâmica dos deslocamentos profissionais. Em muitas empresas, colaboradores trabalham remotamente em cidades diferentes das sedes corporativas, aumentando a necessidade de viagens pontuais para encontros presenciais. Esse movimento impulsiona principalmente rotas domésticas de curta e média distância, além da ocupação hoteleira em centros empresariais. Especialistas do setor avaliam que o turismo corporativo continuará exercendo papel relevante na movimentação econômica do turismo brasileiro, especialmente em grandes centros urbanos e destinos voltados a eventos e convenções.







