
O Brasil iniciou uma nova etapa de promoção turística na China com uma campanha publicitária inédita, lançamento de plataformas digitais em mandarim e ações voltadas ao fortalecimento da relação com o mercado chinês. O anúncio aconteceu durante a ITB China, feira internacional de turismo realizada em Xangai, onde representantes brasileiros apresentaram a nova estratégia para ampliar a presença do país entre viajantes asiáticos.
A movimentação acontece poucas semanas após o governo brasileiro passar a permitir a entrada de turistas chineses sem necessidade de visto para viagens de curta duração. A medida entrou em vigor em 11 de maio e já é tratada pelo setor como uma oportunidade para acelerar negócios, aumentar o fluxo internacional e aproximar Brasil e China também no turismo.
A nova campanha internacional usa o slogan “Venha viver um país extraordinário. Brasil” e aposta em imagens ligadas à biodiversidade, cultura e experiências consideradas únicas para o público estrangeiro. A arara-azul foi escolhida como símbolo central da comunicação visual, aparecendo como elemento de conexão entre paisagens, gastronomia e destinos brasileiros.
Segundo a Embratur, a proposta é ampliar o alcance da imagem do Brasil dentro do ambiente digital chinês, especialmente nas plataformas mais utilizadas pelo público local.
“O interesse dos viajantes chineses pelo Brasil continua crescendo. No primeiro quadrimestre deste ano, registramos alta de 33,65% no desembarque desse público”, afirmou Bruno Reis, presidente da Embratur, durante a feira em Xangai.
China registra crescimento no envio de turistas ao Brasil
Os números recentes aparecem como um dos principais argumentos para a nova ofensiva promocional. Em 2025, o Brasil recebeu um volume recorde de visitantes chineses, com crescimento de 34,8% em relação ao ano anterior, segundo dados apresentados pela Embratur.
Já nos quatro primeiros meses de 2026, o país recebeu 39.880 turistas chineses, alta de 33,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O avanço acompanha um momento de aproximação econômica entre os dois países. A China segue como principal parceiro comercial do Brasil e o aumento das relações corporativas também começa a refletir no turismo internacional, especialmente em viagens ligadas ao chamado perfil “bleisure”, quando o viajante mistura compromissos profissionais com experiências de lazer.
Brasil aposta em redes chinesas para atrair turistas

Além da campanha publicitária, a Embratur oficializou sua entrada nas principais plataformas digitais chinesas. O país agora passa a operar canais próprios no WeChat, Xiaohongshu e Weibo, redes populares entre consumidores locais.
A estratégia inclui ainda o lançamento do site visitbrasil.com.cn, criado especificamente para o mercado chinês. O portal reúne conteúdos em mandarim, sugestões de roteiros, informações sobre destinos e materiais voltados ao comportamento de consumo do turista chinês.
A ideia é adaptar a comunicação brasileira ao ecossistema digital da China, que possui plataformas próprias e hábitos diferentes das redes usadas no Ocidente.
Segundo a Embratur, uma empresa especializada em marketing turístico no mercado chinês ficará responsável pela operação local, incluindo produção de conteúdo, monitoramento de tendências e análise de comportamento dos usuários.
Destinos brasileiros entram na campanha internacional
A nova publicidade internacional destaca destinos ligados à natureza, cultura e experiências ao ar livre. Entre os locais apresentados estão o Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Lençóis Maranhenses e regiões do Pantanal.
A campanha também cita biomas brasileiros como Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal como parte da narrativa visual construída para o mercado asiático.
A escolha acompanha um movimento observado globalmente entre turistas chineses nos últimos anos, com crescimento do interesse por destinos ligados à natureza, exclusividade e experiências culturais fora dos roteiros tradicionais.
Conectividade aérea ainda é desafio para crescimento
Apesar do avanço nas relações entre os dois países, a conectividade aérea segue como um dos desafios para ampliar o fluxo turístico entre Brasil e China.
Atualmente, a Air China mantém operação para São Paulo com escala em Madri. Outras alternativas incluem conexões via Doha, Dubai, Addis Ababa, Frankfurt e Istambul.
Mesmo sem voos diretos em grande escala, o setor acredita que a isenção de vistos pode estimular novas rotas e aumentar o interesse de companhias aéreas nos próximos anos.
Durante a ITB China, representantes do turismo brasileiro também participaram de reuniões com operadoras, empresas e parceiros locais para ampliar acordos comerciais e fortalecer a presença do Brasil no mercado asiático.
Brasil tenta consolidar imagem turística no mercado asiático
A entrada do Brasil nas plataformas chinesas marca uma mudança de posicionamento na estratégia internacional do turismo brasileiro. Em vez de depender apenas de campanhas institucionais e feiras presenciais, o foco agora inclui produção contínua de conteúdo e relacionamento direto com consumidores digitais.
O objetivo é colocar o Brasil dentro da jornada de inspiração do turista chinês, desde o momento da pesquisa até a decisão final da viagem.
“Queremos transformar a curiosidade do público em viagem”, afirmou Bruno Reis ao comentar a nova fase da promoção internacional brasileira na China.
A expectativa do setor é que o conjunto de medidas, incluindo a isenção de visto, a publicidade segmentada e a presença digital local, ajude o Brasil a ganhar espaço em um dos mercados mais estratégicos do turismo mundial.







