
A Air France-KLM voltou a sinalizar seu forte interesse na privatização da TAP, considerada uma das operações mais estratégicas em curso no setor aéreo europeu. Durante o Paris Air Forum, realizado nesta quinta-feira (12), o CEO do grupo franco-neerlandês, Benjamin Smith, destacou a importância da companhia portuguesa no cenário da aviação continental e sugeriu que a disputa pelo ativo será decisiva para o futuro equilíbrio de forças na Península Ibérica.
“Existem três grupos europeus e dois ‘hubs’ na Península Ibérica. Um deles vai ficar sem parceiro”, afirmou o executivo durante o evento promovido pelos Aeroportos de Paris (ADP) e pelo jornal econômico La Tribune.
A Air France-KLM está entre os grupos selecionados pelo governo português para participar do processo de privatização da TAP, ao lado da alemã Lufthansa. O interesse não é por acaso. Com base em Lisboa, a companhia portuguesa opera um dos principais centros de conexão da região e desempenha um papel relevante nas ligações entre a Europa e a América Latina.
Hoje, o outro grande hub da Península Ibérica está em Madri, sob controle da Iberia, integrante do grupo IAG, que também reúne marcas como British Airways e Vueling. Nesse contexto, a TAP é vista como uma peça-chave para qualquer estratégia de crescimento dos grandes conglomerados aéreos europeus.
Além de comentar a disputa pela transportadora portuguesa, Smith admitiu que a Air France-KLM poderá analisar a compra de determinados ativos da EasyJet caso avance uma eventual aquisição da companhia britânica pelo fundo norte-americano Castlelake.
O executivo fez questão de ressaltar, porém, que o grupo não participa de qualquer oferta pela EasyJet e lembrou que o Castlelake ainda não formalizou uma proposta. No fim de maio, o fundo informou que estava avaliando “uma eventual oferta” pela companhia britânica, sem apresentar valores ou garantias de que a operação será concretizada.
A menção ao Castlelake também abriu espaço para outro tema importante para a Air France-KLM: a ampliação de sua presença na SAS. Smith classificou o fundo como “um excelente parceiro” enquanto os dois grupos concluem uma operação que permitirá à companhia franco-neerlandesa assumir o controle da aérea escandinava.
Anunciada no ano passado, a transação prevê o aumento da participação da Air France-KLM na SAS de 19,9% para 60,5%, por meio da aquisição da fatia atualmente detida pelo Castlelake. A conclusão do negócio é esperada para o fim de 2026 e reforça a estratégia do grupo de consolidar sua posição no mercado europeu por meio de aquisições e alianças estratégicas.
Questionado sobre rumores divulgados pela imprensa internacional a respeito de uma possível mudança de nome da holding para “The Blue Group”, Smith rejeitou a informação.
“Isso não é verdade”, afirmou.
Apesar da negativa, o executivo reconheceu que discussões sobre o tema ocorrem internamente. Segundo ele, a prioridade da empresa é fortalecer a identidade das marcas já conhecidas pelos passageiros, como Air France, KLM, Transavia e, em breve, SAS.
*Com informações de LusaPT







