Dólar
Dólar avançava 12,25% na manhã desta segunda-feira (26), enquanto ETF que acompanha papéis brasileiros em Nova York recuava mais de 26% (Magnific)

O mercado financeiro brasileiro reage à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (26), com forte pressão sobre os ativos nacionais. Por volta das 9h40, o dólar avançava 12,25%, cotado a R$ 5,6048. No exterior, as ações brasileiras também registravam perdas expressivas antes da abertura das negociações na Bolsa brasileira.

Na sexta-feira (23), antes do segundo turno das eleições presidenciais, o dólar havia fechado em queda de 0,90%, a R$ 4,9930, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 0,47%, aos 205.083 pontos.

A vitória de Lula, que obteve 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), surpreendeu parte dos investidores. Segundo o noticiário econômico, as pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontavam vantagem de Bolsonaro, levando o mercado a reavaliar as perspectivas para o câmbio, os juros e as contas públicas no próximo mandato.

A condução da política fiscal está entre as principais preocupações dos agentes econômicos. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e o cumprimento das metas fiscais devem influenciar a percepção de risco e a confiança dos investidores.

Ao mesmo tempo, analistas acompanham possíveis medidas da equipe econômica para recuperar a confiança do mercado, incluindo propostas de revisão de gastos obrigatórios e ajustes na política fiscal.

Ações brasileiras caem no exterior

A reação negativa também atingiu os ativos brasileiros negociados nos Estados Unidos. O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, recuava 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira. Na sessão anterior, o ETF já havia registrado queda superior a 19%.

Na Bolsa brasileira, as negociações do Ibovespa têm início previsto para as 10h. Diante da possibilidade de oscilações expressivas, investidores acompanham o comportamento do índice e a eventual necessidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas.

Pelas regras da B3, uma queda superior a 10% em relação ao fechamento anterior aciona uma paralisação de 30 minutos. Caso o índice retome as negociações e a desvalorização alcance 15%, ocorre uma nova interrupção, desta vez por uma hora. Se a queda atingir 20%, a bolsa pode determinar uma nova suspensão.

O mecanismo foi acionado pela última vez em 2020, durante a crise provocada pela pandemia de Covid-19, quando as turbulências nos mercados globais levaram a seis interrupções das negociações em março daquele ano.

Incertezas políticas e agenda econômica impactam o dólar

Além do resultado eleitoral, possíveis desdobramentos jurídicos e políticos também entram no radar dos investidores. A campanha de Flávio Bolsonaro contestou o resultado após a derrota, segundo o relato divulgado, o que pode ampliar as incertezas no curto prazo.

Na agenda econômica, o mercado acompanha a divulgação do Boletim Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras para indicadores como inflação, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e câmbio. Como as estimativas foram coletadas até sexta-feira (23), o documento ainda não reflete os efeitos da reação dos mercados à eleição.

No cenário internacional, investidores também monitoram os preços do petróleo e as decisões de política monetária dos principais bancos centrais. A decisão do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira, está entre os destaques da semana, assim como as reuniões do Banco Central Europeu e do Banco do Japão.

Na Ásia, as bolsas encerraram a sessão com resultados mistos. O índice de Xangai avançou 0,19%, enquanto o CSI 300 recuou 0,04%. No Japão, o Nikkei caiu 0,80%, e o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 1,46%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,51%.

Com informações da Reuters e G1