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Presidente Luis Inácio Lula da Silva, reeleito para 2027 a 2030 (Divulgação Lula Oficial)

Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o turismo entra em uma nova etapa de cobrança por resultados e continuidade das políticas públicas. Balanço realizado pelo MERCADO & EVENTOS sobre as 13 ações estratégicas apresentadas por Lula ao setor antes da eleição de 2022 mostra que cinco podem ser consideradas cumpridas ou substancialmente implementadas, enquanto outras seis permanecem em execução. Duas não apresentam evidências suficientes para serem classificadas como cumpridas até agosto de 2026.

Pela metodologia adotada, que atribui um ponto às ações cumpridas, meio ponto às parcialmente cumpridas e zero às não comprovadas, o índice de execução chega a aproximadamente 61,5%. O resultado representa uma avaliação das promessas específicas feitas para o turismo, e não um percentual oficial de cumprimento do mandato. O levantamento oferece um ponto de partida para acompanhar os desafios e as prioridades do setor no novo ciclo de governo.

CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA do presidente Lula, publicada pelo M&E em 24/10/2022.

O PNT 2024-2027 incorporou praticamente toda a arquitetura anunciada na entrevista: regionalização, qualificação, sustentabilidade, inovação, crédito, infraestrutura, inteligência turística, eventos e marketing.

Turismo internacional supera a meta

O avanço mais expressivo da agenda turística está na entrada de visitantes estrangeiros. Antes da eleição de 2022, Lula defendia a reconstrução da imagem do Brasil no exterior e o fortalecimento da promoção internacional do destino. Posteriormente, o Plano Nacional de Turismo (PNT) estabeleceu a meta de elevar o fluxo anual de turistas internacionais de 5,9 milhões para 8,1 milhões até 2027. Em 2025, o país recebeu 9,2 milhões de visitantes estrangeiros, superando antecipadamente o objetivo previsto para o fim do período. O resultado indica avanço importante na atração de turistas, embora não permita atribuir esse desempenho exclusivamente às ações do governo.

A receita gerada pelos visitantes internacionais também se aproximou do objetivo estabelecido pelo PNT. A meta para 2027 é alcançar US$ 8,1 bilhões, enquanto o resultado de 2025 ficou em aproximadamente US$ 7,86 bilhões, equivalente a cerca de 97% do valor previsto. O desempenho mostra que o crescimento do fluxo internacional veio acompanhado de uma arrecadação expressiva para a economia brasileira, embora ainda exista uma diferença a superar para atingir a meta financeira.

Emprego cresce, mas meta segue distante

Na área de emprego, o objetivo estabelecido pelo PNT é ampliar de 2 milhões para 3 milhões o número de postos formais de trabalho no turismo até 2027. Em 2024, o setor já contabilizava cerca de 2,6 milhões de empregos com carteira formal, resultado que representa um avanço em relação ao ponto de partida, mas ainda não alcança a meta final. O indicador mostra a capacidade do turismo de gerar ocupação e renda, mas também evidencia que a continuidade da expansão depende de condições favoráveis aos negócios, à atividade turística e à formalização dos trabalhadores.

Crédito tem resultados concretos

Entre os compromissos assumidos por Lula, a ampliação do acesso ao crédito para microempreendedores individuais (MEIs) e micro, pequenas e médias empresas do turismo apresenta resultados quantificáveis. De 2023 a 2025, o Novo Fundo Geral de Turismo (Fungetur) registrou 4.577 operações, que somaram R$ 2,13 bilhões em crédito. Desse total, R$ 831,5 milhões foram destinados a pequenas empresas e R$ 330 milhões a microempresas, segmentos que dependem do financiamento para investir, modernizar serviços e ampliar suas operações.

Em 2025, o governo também informou a concessão de mais de R$ 325 milhões em crédito por meio do Fungetur, além do credenciamento de 30 novos agentes financeiros. Os números demonstram a operação dos instrumentos de financiamento e a ampliação dos canais de acesso aos recursos. Para avaliar o alcance do compromisso, porém, também é importante considerar quantas empresas foram efetivamente atendidas, como os recursos se distribuíram pelo país e quais resultados os investimentos produziram em geração de empregos e expansão da oferta turística.

Obras avançam na infraestrutura

A melhoria e a ampliação da infraestrutura turística também estavam entre as propostas apresentadas ao setor. Em 2025, o Ministério do Turismo informou a conclusão de mais de 270 obras, com investimentos superiores a R$ 360 milhões, além da retomada de mais de 300 obras que estavam paralisadas, envolvendo mais de R$ 500 milhões. Os números apontam para uma atuação voltada tanto à entrega de projetos quanto à recuperação de empreendimentos que não avançavam.

A conclusão e a retomada dessas obras podem melhorar as condições de acesso, circulação e atendimento aos visitantes em diferentes destinos. Para medir o impacto sobre a competitividade turística, entretanto, é necessário observar também a funcionalidade dos equipamentos entregues, sua distribuição regional e a capacidade de cada projeto de contribuir para o desenvolvimento da atividade econômica local.

Plano Brasis consolida promoção externa

Na promoção internacional, a promessa de fortalecer a Embratur, desenvolver um novo plano de marketing e recuperar a Marca Brasil ganhou um instrumento formal com a criação do Plano Internacional de Marketing Turístico 2025–2027, conhecido como Plano Brasis, executado pela Embratur. O documento organiza a estratégia de promoção do país no exterior e estabelece metas relacionadas à percepção internacional do Brasil, à chegada de turistas estrangeiros, à receita turística e aos portões de entrada.

A instituição do plano representa um avanço na estruturação da política de marketing internacional, ao definir objetivos e orientar as ações de promoção. O resultado, contudo, deve ser acompanhado pela execução das iniciativas previstas e por seus efeitos sobre a imagem do país e a decisão de viajar dos mercados prioritários. A superação da meta de visitantes estrangeiros em 2025 é um indicador favorável nesse contexto, mas não basta, isoladamente, para medir o cumprimento de todos os compromissos ligados à promoção turística.

BALANÇO DAS PROMESSAS

Promessa feita na entrevistaSituação até 2026Avaliação
1. Criar nova Política Nacional de Turismo/PNTO PNT 2024-2027 foi aprovado pelo Decreto 12.136/2024, com sustentabilidade, inovação, inclusão e democratização do acesso.🟢 Cumprida
2. Redesenhar o planejamento turísticoPNT 2024-2027, programas, metas e planos tático-operacionais foram estruturados.🟢 Cumprida
3. Ampliar qualificação, emprego e rendaHouve programas de qualificação e forte crescimento do emprego. Em 2024, o setor chegou a aproximadamente 2,6 milhões de empregos formais, diante da meta de 3 milhões em 2027.🟡 Parcial
4. Promover inovação e transformação digitalForam criados/estruturados programas de inovação e competitividade, inteligência turística e transformação digital.🟡 Parcial
5. Articular orçamento para programas turísticos  Houve ampliação de crédito, obras e investimentos, mas não há evidência suficiente para afirmar cumprimento integral de toda a promessa orçamentária.  🟡 Parcial  
6. Melhorar infraestrutura, acessibilidade e conectividade  Mais de 270 obras foram concluídas em 2025, somando mais de R$ 360 milhões; mais de 300 obras foram retomadas.  🟢 Substancialmente cumprida  
7. Gestão baseada em dados, big data e IA  O governo estruturou programas de inteligência turística e gestão de dados, mas a implantação integral da agenda prevista ainda está em andamento.  🟡 Parcial  
8. Turismo e mudanças climáticas                



9. Crédito e microcrédito para o setor  
Sustentabilidade e adaptação climática entraram formalmente no PNT, mas a execução integral da agenda de carbono, crédito de carbono e adaptação ainda não pode ser considerada concluída.  

É uma das áreas de maior execução: Fungetur registrou R$ 2,13 bilhões em 4.577 operações entre 2023 e 2025.  



🟡 Parcial                    




🟢 Cumprida/substancialmente cumprida      
10. Recuperar competitividade e liderança turística  O Brasil teve forte recuperação internacional: 9,2 milhões de visitantes estrangeiros em 2025, acima da meta de 8,1 milhões prevista para 2027.  🟢 Substancialmente cumprida  
11. Reestruturar o Ministério do Turismo  Houve reorganização administrativa e novos programas, mas não há base suficiente para dizer que toda a reestruturação prometida foi concluída.  🟡 Parcial  
12. Fortalecer Embratur, novo marketing e Marca Brasil  Embratur foi fortalecida e o Plano Brasis 2025-2027 foi instituído, com metas de promoção internacional.  🟢 Cumprida  
13. Recuperar protagonismo do CNT e FornaturO Conselho Nacional de Turismo voltou a ter papel formal na construção e acompanhamento do PNT. Há evidências de retomada da articulação institucional.  🟢 Substancialmente cumprida  
   

Propostas para impulsionar o turismo 2027/30

O plano apresentado pelo presidente Lula para o próximo mandato reúne dez propostas para ampliar a contribuição do turismo à economia brasileira, fortalecer o mercado doméstico e aumentar a presença do país no cenário internacional. A agenda também prevê medidas para diversificar os destinos e as experiências oferecidas, estimular o financiamento de empresas e integrar a atividade turística à conservação ambiental.

As propostas incluem o desenvolvimento de roteiros temáticos ligados à gastronomia, à arte, à cultura e ao ecoturismo; a aproximação do turismo com a economia criativa; e o incentivo a experiências voltadas a públicos e nichos específicos. Na área de financiamento, o plano prevê apoiar a expansão de empreendimentos por meio do Fundo Geral de Turismo (Fungetur). Já na agenda ambiental, estabelece o estímulo à criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e a valorização dos 75 parques nacionais, com foco na visitação sustentável, na educação ambiental e no desenvolvimento regional.

  • Ampliar a participação do turismo no PIB e no desenvolvimento das diferentes regiões brasileiras.
  • Fortalecer o turismo doméstico e ampliar o fluxo de visitantes nos destinos nacionais.
  • Avançar na promoção internacional do Brasil para atrair mais turistas estrangeiros.
  • Desenvolver destinos turísticos com base na riqueza natural e na diversidade cultural do país.
  • Integrar o turismo a setores da economia criativa, como artes, música e gastronomia.
  • Criar e promover novos roteiros turísticos temáticos de gastronomia, arte, cultura e ecoturismo.
  • Apoiar o financiamento e a expansão de empreendimentos turísticos por meio do Fungetur.
  • Incentivar experiências turísticas diferenciadas para públicos e nichos específicos.
  • Estimular a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), associando preservação ambiental e visitação sustentável.
  • Implementar uma política de valorização dos 75 parques nacionais, integrando conservação ambiental, turismo sustentável, educação ambiental e desenvolvimento regional.

Turismo como vetor de desenvolvimento regional

A primeira proposta estabelece como objetivo ampliar a participação do turismo no PIB brasileiro e utilizar a atividade como instrumento de desenvolvimento das diferentes regiões do país.

O plano também prevê o fortalecimento do turismo doméstico, com medidas para ampliar o fluxo de visitantes nos destinos nacionais. A estratégia busca estimular a circulação de brasileiros pelo próprio país e distribuir os benefícios econômicos da atividade pelo território.

Na frente internacional, a proposta é avançar na promoção do Brasil no exterior, com o objetivo de atrair mais turistas estrangeiros e ampliar a presença do país no mercado global.

Novos destinos e experiências

O programa propõe ainda desenvolver destinos turísticos a partir da riqueza natural e da diversidade cultural brasileira. A intenção é ampliar a oferta turística e valorizar características específicas de cada região.

Outra frente é a integração do turismo com a economia criativa, aproximando a atividade de setores como artes, música e gastronomia.

O plano também prevê a criação e promoção de novos roteiros turísticos temáticos, com destaque para gastronomia, arte, cultura e ecoturismo.

Financiamento e novos nichos

Entre as medidas econômicas, está a proposta de apoiar o financiamento e a expansão de empreendimentos turísticos por meio do Fungetur, mecanismo voltado ao financiamento de empresas do setor.

O programa prevê também o incentivo a experiências turísticas diferenciadas, direcionadas a públicos e nichos específicos, ampliando a segmentação da oferta brasileira.

Turismo e preservação ambiental

A agenda ambiental ocupa espaço entre as propostas. O plano estabelece o estímulo à criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), associando preservação ambiental e visitação turística sustentável.

Outra proposta é implementar uma política de valorização dos 75 parques nacionais, integrando conservação ambiental, turismo sustentável, educação ambiental e desenvolvimento regional.