
A Gol Linhas Aéreas já projeta ampliar sua operação entre Lisboa e Rio de Janeiro poucos meses após anunciar sua estreia no mercado europeu. A companhia, que inicia os voos entre as duas cidades em 16 de setembro com quatro frequências semanais, pretende transformar a rota em uma operação diária à medida que a demanda evoluir.
Segundo Danillo Barbizan, diretor de Vendas da Gol, os primeiros resultados comerciais da nova ligação superaram as expectativas da empresa, tanto em ocupação quanto em receita. Os voos inaugurais já registram taxas superiores a 80% de ocupação, enquanto as vendas avançam acima das metas estabelecidas pela companhia.
“Não colocamos um voo quatro vezes por semana para ficar quatro vezes por semana. Depende da disponibilidade de aviões, da disponibilidade de slots e da maturidade do negócio, mas é isso que estamos mirando”, disse o executivo.
Portugal no centro da estratégia internacional
A escolha de Lisboa como porta de entrada da Gol na Europa faz parte de uma estratégia cuidadosamente planejada. Para a companhia, Portugal reúne características que o tornam um dos mercados mais atrativos para a ligação com o Brasil, combinando turismo, viagens corporativas e o segmento de visita a familiares e amigos.
“O mercado português tem uma característica muito interessante porque consegue combinar lazer, viagens corporativas e o segmento VFR [visiting friends and relatives]. Isso cria uma procura mais equilibrada ao longo do ano”, salientou Barbizan.
Além do forte fluxo turístico entre os dois países, a expressiva comunidade brasileira residente em Portugal contribui para uma demanda equilibrada ao longo do ano, reduzindo os efeitos da sazonalidade.
A nova operação será realizada com aeronaves Airbus A330neo, marcando uma mudança importante na trajetória da empresa, historicamente focada em voos domésticos e regionais operados com aeronaves Boeing 737.
Galeão ganha protagonismo como hub internacional
A expansão para a Europa está diretamente ligada ao fortalecimento do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, que se tornou um dos principais centros de distribuição de voos da companhia.
Atualmente, a Gol concentra cerca de 65% da oferta de assentos do aeroporto carioca e utiliza o terminal como plataforma para conectar passageiros a 26 destinos domésticos e diversos mercados internacionais da América do Sul.
A empresa também aposta em programas de stopover para estimular visitantes europeus a permanecerem alguns dias no Rio de Janeiro antes de seguirem para outros destinos brasileiros, fortalecendo o turismo na cidade.
Recuperação financeira impulsiona crescimento
A chegada à Europa acontece em um momento de transformação para a companhia. Após passar por um processo de reorganização financeira sob o Chapter 11, nos Estados Unidos, a Gol afirma ter fortalecido sua estrutura operacional e financeira.
Os números recentes refletem essa recuperação. Em 2025, a empresa ampliou sua capacidade operacional em 13,8%, enquanto a oferta internacional cresceu 38,5%. Já no primeiro trimestre de 2026, a companhia recuperou integralmente a capacidade de sua frota e alcançou taxa média de ocupação de 83%.
A integração ao Grupo Abra, que reúne empresas como Avianca e Wamos Air, também abriu espaço para uma estratégia mais agressiva de expansão internacional.
“Um dos pilares da companhia passa a ser a expansão internacional”, adiantou Barbizan. É neste contexto que surge a entrada da Gol na Europa, considerada pelo execitivo como um dos momentos mais importantes da história da companhia. Fundada em 2001, a Gol consolidou-se como uma das principais operadoras domésticas do Brasil, mas nunca tinha avançado para o mercado europeu. “Estamos realmente no jogo das companhias globais”, afirmou.
Novos destinos no radar
Além de Lisboa, a Gol já confirmou Paris como seu segundo destino europeu e prepara novas operações para Nova York e Orlando a partir do Rio de Janeiro.
A companhia também avalia oportunidades em outros mercados do continente, incluindo Espanha e Itália. Em Portugal, o Aeroporto do Porto chegou a ser analisado durante os estudos iniciais, embora ainda não existam planos concretos para uma segunda rota no país.
A expectativa da empresa é operar cinco aeronaves Airbus A330neo entre 2026 e 2027, ampliando sua capacidade para voos de longo curso e abrindo caminho para novos destinos internacionais.
Sustentabilidade e custos seguem como desafios
Apesar do otimismo com a expansão, a Gol reconhece os desafios enfrentados pela indústria aérea. Entre eles estão o aumento dos custos operacionais, especialmente do combustível, e a necessidade de avançar na utilização de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
Segundo a companhia, a oferta global de SAF ainda está muito abaixo da demanda necessária para atender às metas de descarbonização do setor, tornando a transição energética um dos principais temas da aviação mundial nos próximos anos.
Com informações de TNews







