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Dirigentes da Abav conhecem atrativos da Baía da Babitonga durante roteiro turístico em Joinville (Beatriz Waehneldt/M&E)

JOINVILLE (SC) – Durante o Encontro de Presidentes das Abavs Estaduais e da Diretoria da Abav Nacional, a entidade incluiu em sua programação deste sábado (5), uma imersão na Baía da Babitonga, com visita técnica à Vigorelli e ao Barco Príncipe. A iniciativa, organizada pela Abav Nacional em parceria com a Secretaria de Turismo de Joinville, o Joinville e Região Convention & Visitors Bureau e com apoio institucional da Abav-SC, apresenta aos dirigentes do setor um dos principais produtos turísticos da região, reunindo patrimônio natural, cultura, história e turismo náutico.

O percurso permite aos dirigentes conhecerem um produto turístico consolidado, que movimenta visitantes durante todo o ano e contribui para diversificar a oferta turística de Joinville. A relação da cidade com a Baía da Babitonga antecede o desenvolvimento urbano. Foi por suas águas que chegaram os primeiros imigrantes europeus responsáveis pela colonização da região. Desde então, a baía permanece ligada à identidade do município, tanto sob o aspecto histórico quanto ambiental.

Considerado um dos principais estuários do Sul do Brasil, o complexo da Baía da Babitonga abriga uma extensa área de manguezais, responsáveis por manter o equilíbrio ambiental e servir de berçário para diversas espécies marinhas. Além da importância ecológica, o território reúne sítios arqueológicos formados por sambaquis, vestígios das ocupações humanas pré-históricas que reforçam o valor cultural da região.

Vigorelli se torna um ativo turístico

Entre os locais visitados está a Vigorelli, comunidade localizada às margens da Baía da Babitonga e que mantém uma relação direta com a pesca artesanal. O local representa um dos três principais pontos de contato entre Joinville e o mar, ao lado de Espinheiros e Morro do Amaral. O povoamento começou na década de 1970, quando famílias decidiram deixar outras regiões da cidade em busca de oportunidades ligadas à pesca.

Ao longo das décadas, novos empreendedores se estabeleceram na região e a instalação da rede de água encanada, no início dos anos 2000, incentivou novas famílias a fixarem residência. Entre 2003 e 2009, a população aumentou acompanhando o crescimento do interesse pela vida à beira da baía e as transformações mais recentes ocorreram a partir de 2022, quando teve início o processo de regularização da área. A pavimentação da estrada de acesso, a implantação de ciclovias, iluminação pública e, posteriormente, a chegada da energia elétrica, ampliando as condições para o desenvolvimento da atividade turística.

Hoje, a comunidade reúne cerca de 114 residências e aproximadamente 500 moradores. Além da pesca artesanal, o turismo tornou-se uma das principais atividades econômicas da região, impulsionando restaurantes, petisqueiras, sorveterias e outros empreendimentos voltados ao atendimento dos visitantes.

Durante a visita da comitiva da Abav, representantes locais também apresentam iniciativas de qualificação voltadas à recepção dos turistas. Conforme explicam aos participantes, moradores vêm sendo preparados para receber visitantes por meio de ações desenvolvidas em parceria com instituições locais, fortalecendo o turismo de base comunitária e valorizando a participação da população no desenvolvimento da atividade.

Além da paisagem formada pelos manguezais, a região é reconhecida pela presença de aves aquáticas, como os guarás, que podem ser observados em determinados períodos do dia. Também é possível avistar toninhas e botos, espécies que habitam as águas do estuário e fazem parte dos atrativos naturais oferecidos aos visitantes. Existem roteiros específicos voltados à observação de aves, realizados em embarcações menores.

Comitiva da Abav realiza visita técnica ao Barco Príncipe

A experiência da comitiva da Abav Nacional tem sequência com o embarque no Barco Príncipe, empreendimento que se consolidou como uma das principais operações de turismo náutico de Santa Catarina e um dos produtos mais conhecidos de Joinville. O passeio permite que os viajantes conheçam a Baía da Babitonga por outro ponto de vista, navegando entre ilhas, áreas de manguezal, comunidades tradicionais e trechos próximos ao Porto de São Francisco do Sul. O roteiro também contempla a vista do centro histórico de São Francisco do Sul, um dos municípios mais antigos do Brasil.

A operação do Barco Príncipe parte do píer localizado no bairro Espinheiros, em Joinville. A embarcação deixa o cais às 10h30 e percorre o estuário antes de retornar ao ponto de origem, por volta das 15h30. O almoço é servido a bordo e integra a experiência oferecida aos passageiros. O desembarque em São Francisco do Sul ocorre apenas quando as condições climáticas e operacionais permitem a atracação com segurança. Quando isso não é possível, toda a programação permanece sendo realizada na embarcação, incluindo alimentação e atividades previstas para o passeio.

O Barco Príncipe opera atualmente com capacidade para 417 passageiros e é a única embarcação de sua categoria em atividade na costa brasileira, considerando capacidade, porte e estrutura destinada ao turismo. A embarcação utilizada atualmente, denominada Barco Príncipe III, entrou em operação em 1998, substituindo os dois primeiros barcos da empresa.

A história do Barco Príncipe começou em 1988, quando entrou em funcionamento o Barco Príncipe I. Originalmente construído como embarcação pesqueira, ele foi adaptado para o turismo e passou a navegar pela Baía da Babitonga transportando até 60 passageiros. Dois anos depois, foi adquirido o Barco Príncipe II, uma escuna com capacidade para 30 pessoas, utilizada principalmente durante a alta temporada para atender ao aumento da demanda.

Em 1998, a empresa inaugurou o Barco Príncipe III, embarcação do tipo iate equipada para passeios diurnos e eventos corporativos e sociais realizados durante o dia e à noite. Além das saídas regulares, o barco também recebe congressos, reuniões, aniversários, casamentos e confraternizações empresariais.

Outro elemento que integra a experiência é a gastronomia regional

Restaurantes localizados na Vigorelli, em Espinheiros e em outras comunidades da baía mantêm a tradição da pesca artesanal e oferecem pratos preparados com peixes e frutos do mar capturados na própria região. Essa relação entre atividade econômica, cultura e turismo faz parte do roteiro apresentado aos dirigentes da Abav.

A programação também demonstra como investimentos em infraestrutura podem alterar a dinâmica de um destino turístico. A regularização fundiária, a pavimentação das vias, a implantação de iluminação pública e a chegada da energia elétrica à Vigorelli ampliaram as condições para instalação de novos empreendimentos e facilitaram o acesso dos visitantes.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do turismo ocorre acompanhado de iniciativas voltadas à preservação ambiental e à valorização das comunidades locais. A própria construção do roteiro turístico da Vigorelli foi elaborada a partir dos relatos e das memórias dos moradores, em um trabalho desenvolvido pelo Sebrae em 2025. A proposta busca preservar a identidade da comunidade enquanto transforma sua história em elemento de interpretação para os visitantes.

*O Mercado & Eventos viaja com cobertura GTA.

Fotos por: Beatriz Waehneldt/M&E