passageira relata momentos de tensão em voo da Azul atingido por raio
Aeronave da Azul foi desviada para Viracopos após enfrentar mau tempo na chegada a São Paulo (IA/Gemini)

Um voo da Azul que saiu de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, com destino a São Paulo enfrentou momentos de tensão na manhã desta quinta-feira (10). O voo AD6075, que tinha como destino o Aeroporto de Congonhas, registrou forte turbulência durante o trajeto e, segundo o relato de uma passageira, a aeronave também foi atingida por um raio nas proximidades de São Paulo. O avião acabou sendo desviado para o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

A passageira Roberta Guilherme, de Cascavel (PR), estava no voo da Azul com o marido e registrou em vídeos publicados nas redes sociais a tensão vivida durante o trajeto. Segundo ela, a aeronave decolou de Foz do Iguaçu sob chuva e, cerca de sete minutos depois, começaram os primeiros episódios de turbulência.

A intensidade dos movimentos aumentou ao longo da viagem, especialmente durante a aproximação de São Paulo. Roberta, que afirma viajar com frequência, disse nunca ter enfrentado uma situação semelhante a bordo. “Eu viajo bastante, eu nunca tinha sentido uma turbulência dessa na vida”, relatou.

O cenário também provocou reações entre os passageiros. De acordo com ela, algumas pessoas passaram mal e chegaram a vomitar, enquanto outras choravam e faziam orações. A própria passageira descreveu o momento como o mais tenso que já viveu em um avião. “Eu não tenho palavras para descrever, porque parecia que o avião ia cair mesmo”, afirmou.

Raio durante a aproximação de São Paulo

Além da turbulência, Roberta relatou que a aeronave teria sido atingida por um raio já nas proximidades de São Paulo. De acordo com ela, não foi possível perceber exatamente o momento da descarga elétrica. A informação teria sido comunicada posteriormente por uma comissária de bordo.

O relato também aponta que o avião passou parte do trajeto desviando de áreas de tempestade.

A ocorrência do raio foi noticiada por veículos paranaenses a partir dos relatos dos passageiros. Até o momento, a Azul não informou, em seu posicionamento oficial sobre o voo, detalhes sobre uma eventual descarga elétrica na aeronave. A companhia confirmou, porém, que a mudança de destino ocorreu em razão das condições meteorológicas adversas nos arredores de Congonhas.

Por que o avião foi para Campinas?

Em nota, a Azul informou que o voo AD6075 precisou ser desviado de Congonhas para Viracopos por causa do mau tempo na região do aeroporto paulistano. Segundo a empresa, as condições meteorológicas eram um fator alheio ao controle da companhia e a alteração do destino foi adotada por razões de segurança operacional.

Após o pouso em Campinas, o desembarque ocorreu normalmente e em segurança, segundo a Azul. Os passageiros afetados receberam a assistência prevista na Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e foram transportados por via terrestre até o Aeroporto de Congonhas.

A Azul lamentou os transtornos provocados pela alteração e ressaltou que decisões como o desvio de rota ou de aeroporto podem ser necessárias diante de condições meteorológicas adversas.

Raio significa risco de queda?

Apesar do susto relatado pelos passageiros, o fato de uma aeronave comercial ser atingida por um raio não significa, por si só, que exista risco de queda.

Em um vídeo publicado no Instagram há cerca de dois meses, o especialista em aviação Lito Sousa explica que aviões comerciais são projetados, testados e certificados para suportar descargas elétricas. A estrutura da aeronave funciona como uma espécie de gaiola de Faraday, fazendo com que a corrente percorra a parte externa do avião e seja dissipada sem atravessar a cabine.

Em determinadas situações, inclusive, os passageiros podem nem perceber que a aeronave foi atingida.