Azul
Fábio Campos, vice-presidente institucional e corporativo da Azul (Yuri Ricci/M&E)

LISBOA – A Azul entra em um novo momento de sua trajetória após concluir um amplo processo de reestruturação e reorganizar sua estrutura de liderança. A mudança colocou a área Comercial sob a Vice-Presidência Institucional e Corporativa, liderada por Fábio Campos, que passa a concentrar também a estratégia de relacionamento e vendas da companhia.

Em sua primeira entrevista ao M&E após a nova configuração, realizada nesta quinta-feira (17), durante o evento que celebra os dez anos de operações da Azul entre Brasil e Europa, em Lisboa, o executivo falou sobre as prioridades para a área Comercial, o relacionamento com agências, consolidadores, operadores e empresas, além da integração entre as diferentes unidades de negócio da companhia.

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Para Campos, a nova estrutura tem como principal objetivo aproximar a empresa de seus parceiros e transformar o relacionamento comercial em uma via de mão dupla. O executivo também reforçou a ambição de crescimento da companhia e avaliou os próximos passos da operação internacional, destacando o potencial do mercado europeu para além dos destinos tradicionalmente procurados no Brasil. Veja entrevista completa abaixo:

M&E – Esta é sua primeira entrevista após a nova configuração de lideranças da Azul. O que muda, na prática, para a estratégia comercial da companhia a partir da integração da área Comercial à Vice-Presidência Institucional e Corporativa? E o que motivou essa remodelação?

Fábio Campos – A Azul passou por um processo de reestruturação muito grande e, com isso, é natural que venham mudanças também na parte de gestão. São ciclos. Foram diversas mudanças, não foi só essa, mas essa foi uma delas. O objetivo é estarmos cada vez mais perto dos nossos parceiros comerciais, sejam as grandes empresas que fazem acordos com a Azul, sejam agências de viagem, consolidadores ou operadores.

A ideia é estreitar cada vez mais esse relacionamento, para que possamos contar com eles não só como intermediários, mas muito além disso, como verdadeiros parceiros. Poder escutar as demandas, desenvolver coisas conjuntamente, trazer novos produtos e novos formatos de parceria. Acho que agora é o trabalho de realmente nos reinventarmos.

M&E – A Azul está entrando em um novo ciclo de crescimento, com foco também no mercado corporativo. Quais são as principais oportunidades que a companhia enxerga para ampliar receitas e participação de mercado?

Fábio Campos – Tudo passa por essa transformação que fizemos no último ano, que foi solidificar a condição financeira da empresa depois de uma época que todas as empresas enfrentaram. A partir disso, estamos ‘relançando a Azul’.

Estamos trabalhando neste ano para entregar isso agora. Já a partir do mês que vem, começamos uma fase de renovação da nossa nova estrutura, com novos produtos. Já relançamos, por exemplo, os novos tiers de fidelidade. É justamente entender a necessidade desse cliente e entregar cada vez mais o produto e o serviço – não só que a Azul oferece, mas o que ele quer. O que o indivíduo quer. Acho que esse é um grande trabalho que temos pela frente.

M&E – Agora com o Comercial sob sua liderança, quais são as principais metas e prioridades de vendas para os próximos meses?

Fábio Campos – É crescer. É isso que eu posso dizer. É crescer, é a gente vir para cima, é a gente ser Azul. A Azul é muito diferente. E é a gente usar esses diferenciais para conquistar cada vez mais o mercado.

Fábio Campos fala pela primeira vez após assumir Comercial da Azul e promete maior proximidade com o trade
Com novo desenho comercial, empresa quer estar mais perto do trade, diz Fábio Campos (Yuri Ricci/M&E)

M&E – A nova estrutura busca gerar mais sinergia entre diferentes unidades de negócio. Como a aproximação entre Comercial, Azul Viagens, Azul Fidelidade, Logística e outras áreas pode se traduzir em mais oportunidades para o trade?

Fábio Campos – Eu falo muito do ecossistema Azul. Não é Azul Viagens, Azul Logística ou qualquer outra área. É Azul. A Azul tem todas essas unidades de negócio justamente para criar um ecossistema para o cliente.

Aquele cliente que voou corporativamente na Azul a trabalho, por exemplo, juntou pontos e poderá usar a Azul Fidelidade para uma viagem. Essa pode ser uma viagem com a família nas férias, feita por meio da Azul Viagens. Esse mesmo cliente corporativo pode ter necessidades na empresa de mandar carga, enviar pacotes. A gente traz isso.

Quando hoje chegamos a uma empresa, não chegamos como “o Comercial” ou simplesmente “a Azul”. A Azul chega mostrando todo o ecossistema que podemos construir em termos de parcerias e também identificando se aquela empresa tem oportunidades para nós e trazendo isso para dentro de casa.

M&E – Depois de uma década conectando o Brasil à Europa, qual deve ser o papel do mercado europeu na próxima fase da Azul? Quais destinos, perfis de passageiros ou oportunidades ainda têm espaço para crescer?

Fábio Campos – Muito, muito. O turismo de estrangeiros no Brasil tem muito espaço para crescer. Acho que estamos fazendo um bom trabalho em crescer esse mercado. É só ver os números. Não preciso mentir aqui, os números falam por si mesmos. O número de turistas estrangeiros está crescendo no Brasil.

Acho que o europeu tem um papel fundamental. O europeu realmente tem uma visão de Brasil muito além de só Rio de Janeiro. Estávamos falando disso hoje mais cedo. Seja o turismo na Amazônia, no Pantanal, nas Cataratas, nas serras.

O turista europeu busca essas experiências diferentes, conectadas à natureza. Acho que já estamos fazendo um ótimo trabalho e existe um potencial maravilhoso. E vamos continuar expandindo. Essa é a vantagem de ser Brasil.

Fábio Campos fala pela primeira vez após assumir Comercial da Azul e promete maior proximidade com o trade
Companhia vê espaço para ampliar operação internacional após transição de frota (Yuri Ricci/M&E)

M&E – Há um ano, quando a Azul passava pelo processo de reestruturação, você afirmou que o Chapter 11 não afetaria a expansão internacional da companhia. Hoje, olhando para o período que passou, você avalia que aquela previsão se confirmou?

Fábio Campos – Foi uma avaliação positiva. Acho que o processo reformulou a Azul. Como eu falo, foi o famoso “trocar a roda do carro enquanto ele ainda está andando”.

O dia a dia da empresa não parou. Continuamos com índices de pontualidade fantásticos durante o processo. Temos sido a companhia mais pontual do Brasil nos últimos meses, seguidamente, e acho que isso é reflexo justamente desse processo pelo qual passamos.

Embora estejamos trabalhando em uma transição da frota internacional, isso não quer dizer que diminuímos nossa malha internacional. E agora, com essa transição, que deve ser concluída no fim deste ano ou começo do ano que vem, aí sim estaremos em condição de expandir ainda mais, seja na capacidade das rotas existentes ou em outras oportunidades.

O M&E viaja com proteção GTA.