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Ricardo Bezerra e Fábio Campos, da Azul, durante evento de celebração em Lisboa (Yuri Ricci/M&E)

LISBOA – A Azul completou nesta quinta-feira (17) dez anos de operação em Portugal, mercado que marcou o início da trajetória internacional da companhia na Europa. A celebração, que acontece em Lisboa, reúne autoridades, parceiros comerciais, agentes de viagens e executivos da Azul, em um momento que também serviu para reforçar os planos da companhia para ampliar a conectividade entre os dois países e estimular a chegada de turistas estrangeiros ao Brasil.

Desde o início da operação, em 2016, a Azul já transportou mais de 2,5 milhões de clientes em mais de 10,4 mil voos entre Brasil e Portugal. A principal operação é a ligação entre Lisboa e o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, que soma mais de 2,3 milhões de passageiros e 9,5 mil voos ao longo da última década. Atualmente, são 102 voos mensais na rota, com mais de 29 mil assentos ofertados, considerando ida e volta.

A operação portuguesa ganhou uma nova frente em junho de 2025, com a retomada dos voos para o Porto. Desde então, a companhia já transportou mais de 218,5 mil clientes em 917 voos entre o Porto e Campinas e Recife. São atualmente 36 voos mensais e 9,2 mil assentos, considerando chegadas e partidas.

Para Fábio Campos, vice-presidente institucional e corporativo da Azul, a relevância de Portugal vai além da própria operação aérea. O executivo avalia que a conectividade oferecida pela companhia a partir de seus hubs brasileiros é um instrumento para ampliar a presença do turista europeu em diferentes regiões do país.

“A demanda internacional da Azul surgiu do restante da malha da Azul. A Azul é uma empresa única no Brasil, com um modelo de negócios único, que é conectar todo o Brasil de verdade”, afirmou durante a coletiva de imprensa realizada no evento.

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Segundo Campos, a companhia atende atualmente quase 140 destinos no Brasil, e foi justamente essa capilaridade que ajudou a criar a demanda pelas operações internacionais. “Foi dessa demanda que surgiu naturalmente a demanda pelos voos internacionais e daí sim a rota para Lisboa, que foi nosso lançamento na Europa, e agora servindo tanto Lisboa quanto Porto, também Madri”, explicou.

O executivo também destacou o crescimento do fluxo de turistas portugueses para o Brasil. Segundo dados mencionados por ele durante a coletiva, o número de turistas portugueses que visitaram o país em 2026 está 25% acima do registrado no ano passado.

A estratégia da Azul é aproveitar a conectividade de Viracopos e Recife para distribuir esses passageiros pelo território brasileiro. No caso de Campinas, os turistas que chegam de Portugal podem seguir viagem para mais de 60 destinos domésticos e internacionais atendidos pela companhia.

“Quando se trata de turismo, o Brasil não é um país, é vários países dentro de um país. Tem diversos biomas, desde as praias do Nordeste, a floresta amazônica, o Pantanal, a Serra Gaúcha, o Rio, São Paulo, os centros históricos de Minas”, disse Campos.

Essa diversificação também está relacionada ao desenvolvimento de novos produtos turísticos. O executivo citou o programa “Azul pelo Brasil”, apresentado anteriormente pela companhia, como uma iniciativa que busca estimular o turista internacional a ir além dos destinos mais tradicionais.

“Para desenvolver o turismo, você precisa produtizar diversas coisas. Precisa criar produtos. Você não tem um turismo se simplesmente tiver um local, precisa ter um produto a oferecer ali”, afirmou. Para ele, a proposta permite que o visitante conheça diferentes regiões brasileiras e amplia as possibilidades de consumo turístico no país.

Mais concorrência em Portugal

A comemoração dos dez anos da Azul acontece em um momento de maior movimentação das companhias aéreas brasileiras no mercado português. Na mesma semana, a Gol anunciou o início das operação de voos entre Lisboa e Rio de Janeiro, aumentando a concorrência na ligação entre os dois países.

Questionado sobre o movimento, Campos afirmou que a Azul está consolidada no mercado português há uma década.

“Se os outros estão descobrindo agora, que pena, a gente descobriu há dez anos atrás”, brincou.

Apesar da maior concorrência, o executivo avalia que há espaço para diferentes companhias crescerem, principalmente diante do potencial dos mercados brasileiro e europeu. “Se o bolo está crescendo, tem fatia para todo mundo. É importante a gente crescer esse mercado”, afirmou.

A Azul também mantém uma estrutura permanente em Portugal, com escritório local voltado ao relacionamento com clientes, parceiros comerciais e agentes de viagens, além das atividades de vendas, atendimento e representação institucional.

Relação com a TAP continua

Outro tema abordado durante a coletiva foi a relação com a TAP, companhia com a qual a Azul mantém uma parceria comercial de longa data. A discussão ganhou relevância após mudanças na estrutura acionária das empresas e diante do processo judicial relacionado a um empréstimo concedido pela Azul à TAP em 2016.

Campos afirmou que o processo segue em tramitação na Justiça e que a companhia espera receber os valores emprestados. “Todo empréstimo que se faz espera-se que se vai receber de volta, por isso estamos discutindo isso lá no âmbito judicial”, disse.

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Apesar da disputa judicial, o executivo ressaltou que a relação comercial entre as duas companhias permanece intacta. “Continuamos sendo parceiros comerciais e uma parceria muito forte, cada vez mais forte, que segue”, afirmou.

Custos, reforma tributária e próximos passos da Azul

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Azul vê Portugal como peça-chave para ampliar turismo estrangeiro no Brasil (Yuri Ricci/M&E)

O VP também foi questionado sobre o cenário de custos para as companhias aéreas. Segundo ele, o aumento de despesas é uma realidade do setor, especialmente diante das oscilações relacionadas ao combustível, mas a estratégia passa por eficiência e pela manutenção da qualidade do produto.

Sobre a reforma tributária, o executivo reconheceu que ainda existe incerteza no mercado. A Azul, segundo ele, já trabalha desde o início do ano na implementação das mudanças, mas o setor aéreo ainda aguarda regulamentações complementares para compreender de forma mais precisa os impactos sobre a operação.

“A palavra que define é ‘incerteza’ no mercado. É uma reforma que recentemente foi aprovada e está em implementação. O setor da aviação ainda aguarda algumas regulamentações subsequentes à lei”, afirmou.

Quando o assunto é a expansão internacional, Fábio evitou antecipar novidades, mas indicou que a Azul trabalha para ampliar sua atuação à medida que avança a renovação de sua frota internacional. A companhia já opera, além de Portugal e Espanha, voos regulares para Montevidéu, Assunção, Orlando e Fort Lauderdale, além de operações sazonais para Mendoza e Bariloche.

A expansão, no entanto, é apresentada pela Azul como consequência de uma estratégia maior de conectividade. “A gente está muito feliz em poder contribuir e continuar contribuindo com isso”, afirmou ao falar sobre o papel da companhia no crescimento do turismo internacional no Brasil.

Ao completar uma década em Portugal, a Azul busca, assim, consolidar uma operação que já transportou milhões de passageiros e, ao mesmo tempo, usar a conectividade construída ao longo desses anos para ampliar o alcance do turismo brasileiro no mercado europeu.