Alagev lança Index 2026 e aponta reajuste de cerca de 5% para orçamentos de viagens corporativas em 2027
Guilherme Dietze, coordenador do conselho de turismo da FecomercioSP apresentou dados do novo Index da Alagev (Ana Azevedo/M&E)

A Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) lançou oficialmente na tarde desta quinta-feira (17), o INDEX 2026 para Viagens e Eventos Corporativos, com uma análise dos principais indicadores econômicos que devem impactar o planejamento e os orçamentos do setor em 2027.

A apresentação foi promovida pela Alagev e conduzida por Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da Fecomercio, que destacou um cenário de crescimento econômico mais lento, mas de manutenção da resiliência das viagens corporativas.

Segundo Dietze, a recomendação para gestores que já começam a estruturar os orçamentos do próximo ano é considerar uma variação próxima de 5%, utilizando o IPCA e o próprio desempenho dos gastos corporativos como referências. A projeção apresentada para a inflação é de 4,3% em 2027, enquanto o crescimento da economia brasileira deve ficar em torno de 2%.

“O objetivo não é trazer um número específico para vocês projetarem um orçamento no ano que vem, mas trazer as variáveis econômicas e as contextualizações necessárias para que vocês consigam inserir, diante das suas realidades, a melhor variação ou o melhor contexto para fazer o orçamento”, explicou.

O economista ressaltou que a construção do orçamento precisa considerar variáveis como inflação, câmbio, juros, atividade econômica e cenário internacional. Para ele, a dificuldade está justamente na imprevisibilidade desses fatores, especialmente diante de possíveis mudanças políticas e de conflitos internacionais.

“Pode ser que tenha guerra, ou uma continuidade da guerra, mais acirramento. Pode ser que tenha um novo governo completamente diferente do atual. Então, as coisas são bastante delicadas para prever 2027”, afirmou.

Economia deve crescer pouco, mas viagens corporativas avançam segundo Alagev

A projeção apresentada aponta crescimento de aproximadamente 2% para o Brasil em 2027, em um ritmo semelhante ao esperado para a economia mundial. O ambiente de juros ainda elevados, crédito caro e baixo dinamismo de comércio, indústria e serviços deve manter a atividade econômica pressionada.

Dietze ponderou, no entanto, que o cenário não é de recessão. Alguns segmentos continuam apresentando desempenho acima da média, enquanto o mercado de viagens corporativas demonstra uma capacidade de crescimento superior à atividade econômica geral.

Alagev lança Index 2026 e aponta reajuste de cerca de 5% para orçamentos de viagens corporativas em 2027
Webinar com representantes da Alagev e Guilherme Dietze apresentou panorama do setor

O LVC (Levantamento de Viagens Corporativas) da Alagev apresentado durante o evento indica que os gastos das empresas com viagens corporativas devem superar R$ 200 bilhões em 2026, com alta estimada de cerca de 5% em relação ao ano anterior.

“Diante de uma economia que nós temos, com a projeção de crescimento de 2% para tanto em 2026 quanto em 2027, crescer 5% é muito positivo. Mostra a resiliência do mercado, não somente de viagem em geral, mas do setor de viagens corporativas”, destacou.

Para o especialista, esse comportamento também reduz a expectativa de queda significativa nos preços. Com a demanda ainda presente, empresas devem continuar encontrando pressão sobre tarifas e serviços, mesmo em um ambiente econômico mais fraco.

Inflação do turismo acompanha o IPCA

Outro ponto apresentado no INDEX da Alagev foi o comportamento dos preços de produtos diretamente relacionados às viagens. Dietze analisou indicadores de alimentação fora do domicílio, transporte interestadual, aluguel de veículos e hospedagem e apontou que, de maneira geral, os índices vêm acompanhando a inflação média da economia.

A exceção é o aluguel de veículos, que apresentou queda nos últimos 12 meses. Para os demais segmentos, a proximidade com o IPCA reforça, segundo Dietze, a utilização do índice como uma das principais referências para reajustes de contratos e orçamentos em 2027.

“O intervalo de 4% a 5,5% parece razoável para pensar em reajuste do orçamento”, avaliou.

Petróleo e passagens aéreas entram no radar

O cenário internacional também aparece como fator de risco para os custos das viagens. O aumento do preço do petróleo para próximo de US$ 100 pode gerar impactos sobre inflação, transporte e logística, além de pressionar diretamente os custos das companhias aéreas.

Dietze destacou que, apesar da alta do querosene de aviação ao longo de 2026, não houve uma explosão correspondente nas tarifas aéreas. Segundo os dados apresentados, a tarifa média permaneceu relativamente estável, na faixa de US$ 120 a US$ 140.

Na avaliação do economista, a capacidade de repasse integral do aumento do combustível ao consumidor é limitada pelo cenário de demanda e pelo nível de endividamento e recuperação judicial observado no setor aéreo.

Caso a pressão de custos persista, uma das possibilidades seria uma reorganização da oferta. “As empresas aéreas vão ter que analisar caso a caso cada rota”, afirmou, citando a possibilidade de redução de capacidade em rotas com menor ocupação ou priorização de mercados com maior retorno.

Reforma tributária é principal ponto de atenção

Entre os temas que exigem maior atenção dos gestores em 2027 está a reforma tributária, muito abordado pela Alagev. Dietze ressaltou que ainda existem incertezas sobre as alíquotas efetivas e os impactos para diferentes segmentos, o que dificulta a construção de cenários precisos para as empresas.

A questão do crédito tributário e das mudanças envolvendo empresas do Simples Nacional também foi apontada como relevante na escolha de fornecedores. Para Dietze, gestores de viagens precisarão entender como a situação tributária de cada fornecedor poderá afetar o custo final das contratações.

“O que vai ser crucial é a decisão de contratação de fornecedores”, afirmou, destacando a necessidade de empresas conversarem com seus fornecedores e contadores para entender as mudanças e a possibilidade de aproveitamento de créditos.

O especialista também chamou atenção para os possíveis impactos sobre empresas de serviços no regime de lucro presumido, especialmente diante de uma eventual elevação da carga efetiva. Nesse contexto, a gestão de viagens e eventos tende a precisar demonstrar cada vez mais seu impacto sobre produtividade, negócios e resultados corporativos, reforçando a importancia da Alagev.

Para Dietze, o cenário geral para 2027 combina crescimento econômico moderado, juros ainda elevados, incertezas cambiais e tributárias e um mercado de viagens corporativas crescendo acima da média.

O material completo da apresentação estará disponível para associados da Alagev nas próximas horas.