
O Brasil precisa ampliar sua rede de aeroportos internacionais e reduzir a concentração de voos em Guarulhos, na Grande São Paulo. A avaliação é de Tiago Faierstein, diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que defendeu o desenvolvimento do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, durante evento realizado na terça-feira (13).
“O Brasil é um país grande e não pode depender unicamente do Aeroporto de Guarulhos”, afirmou Faierstein. “Precisa impulsionar outro aeroporto internacional importante, e esse aeroporto é o Galeão.”
A declaração ocorreu durante um evento que marcou a entrada da espanhola Aena na gestão do terminal carioca. A empresa venceu o leilão de concessão em março, com uma proposta de R$ 2,9 bilhões, e planeja investir R$ 1 bilhão no aeroporto ao longo dos próximos três anos.
Guarulhos concentra maior volume de passageiros
Dados da Anac mostram a diferença entre os dois aeroportos. Em 2025, os terminais brasileiros movimentaram cerca de 130 milhões de passageiros. Desse total, 46,3 milhões passaram pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto o Galeão recebeu 17,5 milhões de passageiros.
O resultado do aeroporto do Rio foi o maior registrado desde 2000. Apesar do crescimento, o movimento permanece abaixo da capacidade anual do terminal, estimada em 37 milhões de passageiros.
A diferença entre a capacidade instalada e o fluxo atual permite ampliar a operação do Galeão. A proposta é aumentar a oferta de voos e fortalecer a participação do Rio de Janeiro nas conexões internacionais do país.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, também destacou a importância do terminal para o turismo internacional. A avaliação do governo é que a ampliação das conexões pode contribuir para atrair visitantes estrangeiros e distribuir melhor o fluxo de passageiros entre os aeroportos brasileiros.
Aena prevê abertura e retomada de 30 rotas
O plano da Aena prevê a abertura ou a retomada de 30 rotas no Galeão, sendo 18 nacionais e 12 internacionais. Entre os destinos internacionais citados estão Nova York, Paris, Lisboa, Frankfurt e Miami.
A concessionária também estuda novos empreendimentos no complexo aeroportuário, incluindo um hotel. A montadora chinesa BYD prevê a construção de um centro de testes no local. Os projetos associados à expansão devem gerar 3.860 empregos, segundo as informações divulgadas.
A ampliação da malha aérea depende da atração de companhias e da criação de demanda para os novos voos. O aumento das conexões também pode facilitar o acesso de passageiros de outras regiões do Brasil aos destinos internacionais atendidos pelo Galeão.
Concessão vai até 2039
A Aena venceu o leilão realizado em 30 de março, na B3, em São Paulo, com uma oferta de R$ 2,9 bilhões. O valor representou ágio de 210,88% sobre o lance mínimo. A concessão do Galeão ficará sob responsabilidade da empresa até 2039.
Com a entrada no aeroporto carioca, a concessionária passa a administrar 18 aeroportos no Brasil. Entre os terminais que já integram sua rede estão Congonhas, em São Paulo, além dos aeroportos de Recife, Maceió e João Pessoa.
A estratégia para o Galeão envolve ampliar a oferta de voos, atrair novas rotas e aumentar a utilização da capacidade do terminal. Para a Anac, o desenvolvimento de mais de um grande centro internacional é necessário para ampliar as opções de conexão aérea no país.
*Com informações de UOL







