
O percentual de brasileiros que consideram que o fim da escala de trabalho 6×1 será ótimo ou bom para suas próprias vidas caiu de 68% para 59%, segundo pesquisa Datafolha. O levantamento comparou entrevistas realizadas em março e outubro de 2026 e indica aumento das avaliações negativas e regulares, embora a maioria continue favorável aos efeitos pessoais da mudança.
Em março, 14% avaliavam que a alteração seria ruim ou péssima para si mesmos, e outros 14% consideravam o resultado regular. Em outubro, esses índices subiram para 19% e 18%, respectivamente. O Datafolha ouviu 2.520 pessoas com 16 anos ou mais, em 154 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Qualidade de vida segue como principal ponto de apoio
Apesar da queda na avaliação dos efeitos individuais, 75% dos entrevistados consideram que o fim da escala 6×1 será ótimo ou bom para a qualidade de vida dos trabalhadores. Outros 12% avaliam a mudança como regular, enquanto 11% esperam consequências negativas. Em março, os percentuais eram de 76%, 10% e 12%, respectivamente, variações dentro da margem de erro.
A percepção sobre os efeitos para a economia também recuou. A avaliação positiva passou de 50% em março para 47% em outubro. Já o percentual dos que esperam consequências ruins ou péssimas subiu de 24% para 26%.
A visão sobre os impactos para as empresas é mais dividida. Apenas 32% consideram que a mudança será ótima ou boa para os negócios, ante 39% em março. Outros 41% avaliam que os efeitos serão ruins ou péssimos, enquanto 23% classificam o resultado como regular.
Diferença entre eleitores de Lula e Flávio
A pesquisa também identificou diferenças expressivas conforme a preferência eleitoral declarada. Entre os entrevistados que se diziam eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 79% consideravam positiva a mudança para suas próprias vidas. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), o índice era de 39%.
A diferença também aparece na avaliação dos efeitos para os trabalhadores em geral: 89% entre os eleitores de Lula consideram a medida positiva, contra 63% entre os de Flávio. Em relação à economia, os índices eram de 70% e 27%, respectivamente.
Para Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, a queda no apoio pode estar mais relacionada ao alinhamento político-eleitoral do que a uma mudança de convicção sobre a proposta. “O Flávio votou a favor do fim da escala 6×1, mas passou a maior parte do tempo sendo crítico a essa pauta”, afirma.
Já o economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, avalia que a população pode estar compreendendo melhor os impactos práticos da redução da jornada, especialmente nos setores mais afetados.
“É uma escolha social bem-vinda e que está em linha com outros países, como Colômbia, Chile, México, que já promoveram redução nas horas trabalhadas nos últimos anos, à medida que as tecnologias avançam. Mas, ao mesmo tempo, existe a percepção de que toda escolha gera custos, que começam a ser avaliados de maneira mais próxima na vida das pessoas”, afirma.
Como será a mudança na jornada
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera a escala de trabalho foi promulgada em 16 de outubro. O texto prevê a adoção do modelo 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial, além da diminuição gradual da jornada semanal máxima, atualmente de 44 horas, para 40 horas.
De acordo com o cronograma informado no texto, a jornada será reduzida inicialmente para 42 horas semanais e, após 12 meses, para o limite de 40 horas. A mudança tem provocado debate entre governo e representantes empresariais. Entidades do setor produtivo alertam para o aumento dos custos do trabalho, enquanto o governo defende os benefícios da redução da jornada para os trabalhadores.
Com informações de JBr







